Vote com sabedoria popular:

- Quem não deve não teme!
- Diga-me com quem andas e eu te direi quem és!
- Onde tem fumaça, tem fogo!
- Desculpa de amarelo é comer barro!

Qual a música mais tocada no Brasil atualmente?

Não. Não é a nova música da Ivete Sangalo. Nem os sucessos dos Rebeldes. Muito menos alguma canção de algum trilha de alguma novela da Rede Globo.

A música mais tocada no Brasil atualmente é o jingle da Ocean Air. Eu mesmo a ouvi repetidamente durante mais de 30 minutos ininterruptos, enquanto aguardava ser atendido pelo call center da empresa e pudesse comprar essa tão falada promoção de passagens aéreas por R$ 30,00. 

Foi tanto tempo de espera, que deu tempo de copiar a letra. Mas nem precisava copiar, pois foi tanto tempo de espera que deu tempo pra decorar. Vejam a letra: 

Asas que te levam
Asas que te abraçam
Asas que aproximam
Asas que ultrapassam
Asas que atravessam matas e cidades
Sobre o céu azul em plena liberdade
Asas brasileiras
Asas companheiras
Asas que decolam a cada segundo
Asas do futuro abertas para o mundo
Voar é um prazer 

É simplesmente a música mais brega que tenho ouvido nos últimos tempos. 

Agora, algumas observações: 

- Eu fiquei das 19h às 23h na fila do balcão da Ocean Air no aeroporto e não fui atendido.
- Segundo meus cálculos, a fila andava em média 5 pessoas por hora.
- Foram distribuídas senhas para quem estava na fila, mas as senhas não garantiram atendimento.
- Uma mesma pessoa comprou uma dezena de passagens e ficou quase uma hora sendo atendida.
- A pergunta que não quer calar: é mais difícil comprar na loja, na Internet ou no telefone?
- Tentei comprar no site, mas após uns 40 minutos de tentativas, a passagem selecionada veio com o preço normal!
- Tentei comprar pelo telefone. Eu liguei às 6h30. Às 7 e pouco, fui atendido. O que eles disseram: "a promoção só vale até às 7h".

- Por que será que as companhias aéreas criam demandas que não podem ser atendidas?
- Você conhece alguma coisa mais difícil do que comprar uma passagem aérea em promoção?
- Voar é um prazer ou um exercício de paciência? 

Ah, esqueci: o jingle termina com uma voz falando “Você voa alto por um preço bem baixo”. Eu completaria “você voa alto por um preço bem baixo e uma paciência do cão!”.

Bregosfera

Fina Flor do Brega
Loulou de Cacharel apresenta um puff em forma de cágado. Item super brega para decorar a sua casa. E o blog dela está de roupa nova!

Sucessos Bregas
Fabi conta emocionada como foi seu encontro com o cantor Luciano, ex Trem da Alegria!

Jovem Guarda/Brega Company
Matheus Trunk divulga letra do cantor Paulo Sérgio e uma foto do “lp” “La ultima canción”. 

Bregorama
Juliana Shirley retoma o blog com notícias super bregas de sua viagem à Conceição do Araguaia (PA). 

musicapopulardobrasil
Josué Ribeiro anuncia novo disco de Júlia Graciela, aquela do sucesso "Anúncio de Jornal", amada e querida pelo Chacrinha. Ele também apresenta uma excelente teoria sobre o que é ser popular.

Trecho de conto inspirado em Perigosa (Frenéticas)

Caros,
Segue trecho de um conto que fiz inspirado na música Perigosa, sucesso de As Frenéticas, aquela mesma do refrão ‘eu sei que eu sou bonita e gostosa!’
 

1.

Aconteceu na sala de espera do dentista. Uma mulher de meia idade, gorda, retirou da bolsa os óculos de grau e um pequeno livro encadernado e sujo. Havia pessoas de várias idades, inclusive algumas crianças, esperando pela vez. 

Ela observou a capa despretensiosamente. Não havia indicação de título, nem de autor. Apenas uma página levemente acinzentada. Por uns instantes, ficou na dúvida: não sabia se lia o livro que recebera de presente de uma amiga do trabalho ou algumas das velhas revistas de fofocas que estavam disponíveis a poucos metros dali. 

Lembrou do que lhe dissera a amiga:

“Leia tudo, até o final. Quero saber se funciona com você”. (Enfática)
“O que é que deve funcionar comigo, menina?”. (Curiosa)
“Não vou dizer. Apenas leia. Acho que não vai se arrepender”. (Maliciosa) 

Na parte inferior direita da contra-capa, um aviso em fontes miúdas: “Para sua segurança, antes de ler, certifique-se de que esteja sozinha!”.  

Ela achou tão estranha a advertência quanto o adjetivo no feminino. Mas sentiu-se tentada a desobedecer àquela ordem intrusa e pôs os olhos grandes já nas primeiras letras.  

Nos primeiros segundos, não se pôde observar nenhuma alteração relevante em sua fisionomia. Mas quando virou à página, respirou profundamente e olhou para os lados, como se temesse estar sendo vigiada, como se fosse cometer um crime e planejasse ocultar-se das testemunhas. 

Na terceira página, ela já suava. Abriu um dos botões do vestido. Pensou em pedir um copo d’água à secretária, mas não conseguiu largar do livro. Na sétima, umedeceu os lábios com a ponta da língua e fechou os olhos por um breve instante, enquanto mordia o lábio inferior. Na décima, já eram audíveis para os vizinhos mais próximos pequenos sussurros que ela em vão tentava conter. 

Foi quando se levantou e perguntou à secretária onde ficava o banheiro. Com o livro embaixo do braço, dirigiu-se para lá rapidamente. Um garoto viu aquele desespero e riu-se, pois achou que a velha estava muito necessitada de botar pra fora algumas coisas. Contudo, o banheiro feminino estava ocupado. O masculino também. 

Ela voltou para o assento e recomeçou a leitura, do ponto onde havia parado. A pressão subiu rapidamente. Um senhor ao lado viu quando ela pôs uma das mãos entre as pernas e a fechou com força, enquanto a outra mão segurava o livro na altura dos olhos. 

Ela já não conseguia conter o volume dos gemidos, e não abandonava por nada a leitura. As pessoas entreolhavam-se, cada qual querendo saber dos outros se eram da mesma opinião, se pensavam igual, se também suspeitavam daquilo. A secretária interfonou para um médico. Ele chegou em poucos instantes e abordou a senhora ofegante. 

“A senhora está sentindo-se bem? Precisa de ajuda?”. 

Foi quando ela abaixou o livro do rosto e pôde-se ver que tinha os olhos vesgos e a boca salivante. Então gritou como nunca houvera gritado, e pulou para cima do médico, derrubando-o no chão.  

E quando se deu conta do que fizera na frente de todos, ela fingiu estar sofrendo de um ataque epiléptico.

O rock brasileiro é brega? PARTE FINAL

Seguem os últimos precendetes da breguice do rock brasileiro:

- O saudoso mestre Nelson Gonçalves, um ícone da fossa e do brega brasileiro, autor do clássico A volta do Boêmio, tanto sabia que o rock brasuca é brega que gravou um cd inteirinho só com músicas de nosso rock verde-amarelo. O cd chama-se Ainda é Cedo, canção homônima de Renato Russo, e traz releituras de Paralamas do Sucesso, Lobão, Arnaldo Antunes, Lulu Santos e muitos outros. Rock na voz de Nelson. Precisa falar mais alguma coisa? 

- Nando Reis, ex-titãs, é fã confesso de Wando. Tanto que compôs com ele Minhas amigas, gravou uma releitura de Fogo e Paixão e também declarou 

“Se brega são as canções populares, ou as que falam muito de amor, então eu sou totalmente brega. Falo muito de sentimentos, gosto de música romântica. Mas essa estigmatização, como se fosse uma coisa de má qualidade, com pobreza, é inadmissível. Eu não acho que os bregas sejam assim, nem muito menos eu. Minha música pretende ser popular, eu aspiro à comunicação. Se isso for provocar uma identificação, uma expansão... Está ótimo, sou brega mesmo. 

- Renato Russo já regravou Menudos e um cd inteiro com baladinhas românticas italianas. Ele já foi, inclusive, tema deste Armário do Brega 

- Segundo o Uol Música, Cazuza injetou dor-de-cotovelo no rock. Veja só a explicação do portal: 

“Fã de Dolores Duran, Cartola, Lupicínio Rodrigues e outros medalhões da velha guarda, Cazuza injetou no rock, por meio de suas letras, a melancolia de seus ídolos, e deu uma identidade roqueira à dor-de-cotovelo”. 

Eu diria que ele também deu uma identidade dor-de-cotovelo ao rock. 

Não está satisfeito? Então saiba que ele compôs uma música chamada O amor é brega. Veja um trecho da letra: 

“É verdade, o amor é brega/ Escovando os dentes de manhã/ Na janela/ O amor é brega como o pão saindo da padaria/ E o vestido mal cortado/ Da Paraíba/ Baby, love is pop, e pop é brega/ Vamos viver de amor!/ Vamos comer pipoca/ O amor é brega/ Eu quero um/ O amor é brega/ Eu quero um”.

E eu sempre soube que esta maneira de ser exagerado tem tudo a ver com o brega.

O rock brasileiro é brega? PARTE II

Continuando com os argumentos para provar que op rock brasileiro é brega, muito brega: 

- Muitos roqueiros da Jovem Guarda são tratados como brega. Roberto Carlos e Reginaldo Rossi eram roqueiros da Jovem Guarda. Perguntem ao Matheus Trunk por que o blog dele chama-se Jovem Guarda/Brega. Na verdade, eu nunca me enganei com essa história de “namoradinha de um amigo meu”, de “pode vir quente que eu estou fervendo”, de “quero que tudo mais vá pro inferno”. Não tem outra: isso sempre foi e sempre será muito brega! 

E o que dizer quando até mesmo os artistas considerados bregas se definem como roqueiros? Pois veja o que diz Márcio Greyck: 

“O meu comportamento, na verdade, é de rock. Os Beatles foram minha grande influência. As canções de Paul Macartney, John Lennon, as serestas em Belo Horizonte... para minhas primeiras fãs, amigas, namoradas... São influências românticas e de rock. Sou um cantor de rock´n roll”. 

- O rock brasileiro dos anos 80 é muito brega. Vamos fazer uma listinha que dava pra gravar um cd:  

Menina Veneno (Ritchie) - Abajur cor de carne? Lençol azul? Cortinas de seda? Sem comentários!
Sonífera Ilha (Titãs) – Colar o ouvido num radinho de pilha pra curar dor-de-cotovelo? Essa foi demais!
Óculos (Paralamas do Sucesso) – Tem coisa mais brega do que fossa de quatro-olhos? “Por que você não olha pra mim?”. Putz. Melhor não falar!
Me chama (Lobão) – Não passa de uma baladinha romântica, inclusive regravada por dúzia de artistas não roqueiros.
Como uma onda (Lulu Santos) – Idem. 

- Um bando de roqueiros já fez um Tributo à Reginaldo Rossi.
- Outro bando de roqueiros já fez um Tributo à Odair José. 

Segunda-feira tem mais. Aguademmmmm!

O rock brasileiro é brega? PARTE I

Depois de vários artistas, agora chegou a vez de um gênero musical ser metralhado pelo nosso quadro Armário do Brega. Você acha que o rock brasileiro é brega? Não? Pois então prepare-se para mudar de idéia. Os precedentes são tantos que eu vou dividir o post em três. O primeiro é hoje. Os outros dois sairão amanhã e depois. 

Vamos então aos precedentes:  

- Uma desconhecida bandinha cover de rock resolveu mudar de estilo e adotar letras escrachadas e uma performance divertida e irreverente. Resultado: entraram para a história da música brasileira com singelas canções como “Pelados em Santos", "Robocop Gay", "Sabão Crá-Crá", e outras tantas. Tem coisa mais brega do que executar canções caricaturais, fantasiado de Batman e Robin? Me desculpem os fãs, mas Mamonas Assassinas é puro rock brega! Alguém duvida? 

- Um cara chamado Raul Seixas é muito roqueiro. E é muito brega também. Eu nem sei se ele é mais roqueiro do que brega, ou o contrário, ou ambos igualmente. E não sou eu que digo. Vejam as palavras da revista Veja (Edição 1910, 22 de junho de 2005), sobre a descoberta de que Raul era um cantor popular antes de assumir a postura roqueira: 

Alguns fãs talvez desfaleçam com a revelação de que seu guru teve um passado de boleros. Mas a verdade é que mesmo o Raul roqueiro era brega. As músicas redescobertas são apenas a evidência arqueológica desse fato”. 

Quer mais? Veja esta opinião de Giba Assis Brasil: 

Raul Seixas é brega mesmo, e tira a beleza do próprio mau gosto popular (que pode estar no rock, no bolero, no baião, na balada nordestina), não de uma racionalização sobre o mau gosto popular. Raul Seixas é autenticamente tudo o que se pode dizer dele: conhecia muito pouco de música, não elaborava convenientemente suas letras, tinha voz limitada. E era verdadeiramente popular: vendia mais discos para operários e empregadas domésticas que para estudantes e profissionais liberais. 

Particularmente, eu sempre achei esta história de “nasci há dez mil anos atrás”, de “maluco beleza”, de “MDC da minha vida” muito brega! 

Amanhã tem mais. Aguardemmmm!!!!!

Contos Bregas indica musicapopulardobrasil

Mais um brega blog na parada: 

musicapopulardobrasil 

É mais um espaço para Josué Ribeiro se comunicar com aqueles que curtem ou não, a música popular do Brasil. 

Sabem de quem ele está falando? Lindomar Castilho, Odair José, Marcio Greyck, Bartô Galeno e as meninas também, cantoras como Claudia Barroso, Carmem Silva, Diana e por aí vai. 

E o segundo post do Josué já pergunta: Roberto Carlos foi o primeiro “emo” do Brasil?. 

Está mais do que indicado. Leiam musicapopulardobrasil!

O que vocês acham desta declaração de amor em público?

Ele recebeu um prêmio de melhor âncora da TV.
Na premiação, ele fez uma declaração de amor para ela.
Ele é casado.
A esposa dele pediu divórcio.

Veja o que ele disse:
"Dedico este prêmio a Fabiana Scaranzi, dona do meu coração. Eu te amo. Fabiana, meu coração é seu. Eu também quero o teu".

O que vocês acham disso tudo? 

Legenda
Ele: William Waack
Ela: Fabiana Scaranzi

Entreguei meu livro para Waldick Soriano!

Ele é o cara!

Fui ver o show dele em Fortaleza, no Restaurante Caravelle, e aproveitei para ir ao camarim e entregar um exemplar do livro Contos Bregas para Waldick Soriano.

Uma emoção muito grande, afinal Waldick é uma legenda viva. 

Além de poder conferir todo o vozeirão do autor de “eu não sou cachorro, não”, eu ainda tive o privilégio de conversar um pouco com Waldick. 

Assim que pegou no livro e viu o título na capa, ele disse: “aposto que eu estou aqui dentro!”. 

Eu disse: “Claro que está! Este é um livro de contos inspirados em músicas populares. O primeiro dos contos, e aquele que é mais comentado pelos leitores, é justamente a história inspirada no seu maior sucesso: Eu não sou cachorro, não”. 

Então ele disse algo como “nós vamos arrebentar”. Eu não me lembro bem, pois estava nervoso! Eu só sei que Waldick Soriano arrebentou. Cantou grande parte de seus sucessos, sendo aplaudido com fervor pela platéia cearense! 

Valeu Waldick. Espero que você goste dos Contos Bregas. Afinal, você também é um dos culpados pelo livro!



O brega agradece aos conjugadores de verbo online!

Depois que escrevi o conto Como uma deusa, baseado na canção interpretada por Rosana, tenho recebido muitos elogios gramaticais. É que o conto é todo focado na primeira pessoal do plural. Isso mesmo, vós. 

Eu agradeço os elogios, mas devo confessar que eu não domino este expediente e precisei do auxílio de conjugadores de verbo online. 

Eu comecei pelo Verbix, que é excelente, mas tem um probleminha apenas: ele não conjuga os verbos na primeira pessoa do plural, pois a considera uma forma arcaica. Ou seja: servia pra tudo, menos para o fim que eu procurava: escrever um conto que fosse dirigido a um “vós”. 

Então eu procurei muito no Google e acabei achando o Priberam, um site português. Nele, a busca não é tão refinada, mas felizmente ele traz a conjugação em todas as pessoas. Basta digitar qualquer verbo e clicar no link conjugar. Perfeito! 

A forma vós é muito bela e poética, sem contar que traz toda a atmosfera do texto religioso. Tudo o que eu precisava para escrever o conto “Como uma deusa!”. 

Vocês sabem de outros conjugadores de verbo online?

Saiba quase tudo sobre Rosana
Pessoal,
Já que postei um conto inspirado numa canção dela, nada mais justo do que falar um pouco mais dela própria: Rosana! 

Ela é a intérprete de Amor e o Poder, do famoso refrão “como uma deusa”. A música é uma versão de Cláudio Rabelo para The power of love. Você pode ver e ouvir aqui Rosana cantar este hit no Programa Rei Majestade, do SBT. Aliás, ela é a preferência do público do programa do Silvio Santos. 

E se não estiver satisfeito em ouvir esta pérola da música popular, você também pode cantar aqui, ao baixar este arquivo de videokê, no site oficial da cantora. 

O site de Rosana é super completo. Você pode baixar fotos, deixar mensagens, ouvir músicas, ler as letras e muito mais. Há até um videolog, no qual você pode ver algumas apresentações da cantora. 

Quer mais? Veja Rosana no Orkut. Acha pouco? Então leia abaixo texto sobre a carreira de Rosana, também retirado do site oficial e mais abaixo, a letra completa de O amor e o Poder. 

Rosana
Elis Regina, sua cantora preferida, fez com que Rosana decidisse ser cantora e na adolescência ela lembra que sua mamãe perguntou-lhe o que queria ganhar de presente de aniversário e ela não pensou muito e respondeu, “gostaria de conhecer a Elis Regina”.

Para atender ao pedido da filha, D. Zenaide conseguiu que Rosana assistisse a um ensaio do show da Elis Regina, daí quando ela avistou-a no palco e a sua frente, saiu correndo e agarrou-se na roupa dizendo: "Elis eu te amo e também sou cantora !", o sonho se realizou..
 

A vida de Rosana se desenrolava de forma normal quando ela entrou na fase da instabilidade emocional; ficou indecisa quanto à profissão que iria seguir, não sabia se cantava ou estudava, se seria cantora ou psicóloga, finalmente optou por ficar em São Paulo e continuar os estudos.

Participou de festivais de MPB, se classificando como a melhor intérprete, chamando a atenção de um público perplexo com sua voz e interpretação, trazendo com isso novas esperanças e uma reciclagem para sua carreira que ora se iniciaria.  Naquele ano, por cantar jazz e blues, a cantora foi rotulada de "elitista" e não fez muito sucesso.
 

Descontente por não ter conseguido o reconhecimento mesmo depois dos primeiros contatos com o público, pensou em ir morar em outro país, no Mississipi, com a intenção de montar uma banda de rock. 

Rosana gravou vários jingles, dentre eles o mais famoso foi o da Pepsi-Cola, por ser veiculado nacionalmente, além de participar como vocalista em discos de diversos cantores, dentre muitos o Tim Maia e o Roberto Carlos. 

O AMOR E O PODER (The power of love)
C. de Rouge, G. Mende, J. Rush, M. S. Applegate
Versão: Cláudio Rabelo
 

A música na sombra/ O ritmo no ar/ Um animal que ronda/ No véu do luar/ Eu saio dos seus olhos/ Eu rolo pelo chão/ Feito um amor que queima/ Magia negra sedução/ Como uma deusa/ Você me mantém/ E as coisas que você me diz/ Me levam além (REFRÃO)/ Aqui nesse lugar/ Não há rainha ou rei/ Há uma mulher e um homem/ Trocando sonhos/ Fora da lei/ REFRÃO/ Tão perto das lendas/ Tão longe do fim/ Afim de dividir/ No fundo do prazer/ O amor e o poder/ A música na sombra/ O ritmo no ar/ Um animal que ronda/ No véu do luar/ REFRÃO

Como uma deusa

COMO UMA DEUSA

“Como uma deusa, você me mantém. E as coisas que você me diz me levam além” (Rosana)

por Thiago de Góes

SEGUNDA-FEIRA
A Vós, que sois dona dessa voz imaculada que se propaga pelos ares no intransponível espaço entre vosso banheiro e meu quarto de dormir; a Vós, que entoais esse canto mavioso, com a brandura dos anjos celestes, enquanto ensaboais vosso corpo, fazendo-me invejar imensamente as espumas que acariciam vossa pele; a Vós, que não sabeis de minha existência, muito embora sejais a razão de meu ser; a Vós, enfim, formosa Deusa de meus dias, dedico estas esperançosas palavras de adoração. 

Cantai sempre, ó musa que me inspira devaneios. Deixai que tua voz doce invada os cantos de vossa humilde vizinhança. E quanto a mim, se porventura suspeitardes que vos ouço acometido de uma ânsia avassaladora, não me condenai, contudo. Ao contrário, tende clemência de vosso querido servo. 

TERÇA-FEIRA
Perdoai-me, ó santa que me tentais. Bem sabeis que há ninguém será possível resistir às seduções de vosso canto. Considereis a mim como simples refém de meus desejos e julgai-me incapaz de tomar sãs providências. Entendei, portanto, esta minha condição de escravo como atenuante de minha ousadia. 

Agora, pois, vos confesso meu pecado. Comprei uma luneta! Isso! Uma linda luneta, capaz de aproximar-vos de mim, eu que não sou digno de vossa presença, mas farei de tudo para conseguí-la. 

Cantai, cantai, cantai, ó musa de meus olhos! Cantai mais alto, cantai de olhos fechados, cantai de janelas abertas, cantai como nunca, cantai para sempre, enquanto vos observo, enquanto vos devoro, enquanto vos seco, enquanto vos sorvo. Eu, vosso eterno súdito!  

Isso, ensaboai vossa pele assim dessa maneira formosa, deixai que este líquido insípido que vos rega umedeça a candura de vossas ancas. Isso, minha Deusa... Presenteai-me com o doce privilégio de encarar vossos pelos e curvas e os recônditos íntimos de vosso corpo sedutor. 

Mas, por Deus, o que estais a fazer? Não, por misericórdia, isso não! Não cometei tamanha insânia, não sede assim tão impiedosa, não cerrai esta janela. Não, não, não, mil vezes não! Não cerrai esta janela... 

QUARTA-FEIRA
Vós, que outrora cerrastes vossa janela, não imaginais o quão me faríeis feliz se a abrirdes novamente. Ando pensando em vós, acaso não sabeis? Venho reunindo forças, criando coragem para vos abordar.

Não vos espantai se um dia receberdes a inesperada visita de um falso entregador de pizza. Serei eu, vosso servo, que vos abordarei. Aliás, não agüento mais tanta espera. Hoje mesmo cuidarei disto.  

Assim que terminardes vosso banho, esse que teimais ainda tomar em resguardo, tocarei vossa campainha, antes mesmo que possais tomar de vossas vestes, e assim me atendais enrolada em vossa toalha, na altura dos seios e dos meus impuros desejos sacrossantos.  

Rogai por mim, ó santa que me tentais! 

QUINTA-FEIRA
Por muito pouco, escapastes vós. Eis que o porteiro de vosso templo inventou, não sei por qual razão, que não há inquilinos em vossa morada. Estás enganado, argumentei. Ele insistiu. Tive uma idéia.  

Vós acreditais que afirmei estar interessado em alugar vosso teto? Vede vós as mentiras que sou capaz de proferir para que possa adentrar em vosso mundo. Não, ele disse. As chaves estão na imobiliária. 

Irei-me. A fúria me consumiu e voltei bufando de raiva para meus aposentos. Mas então vosso banho já terminara. 

Quando, ó santa que me tentais, concedereis o direito de vos ter? 

SEXTA-FEIRA
Ouvistes, enfim, minhas preces, e deixastes aberta a janela. Ah... Sabeis que subornarei aquele porteiro infame que teima em proibir-me de ter convosco? Sabeis que preciso desesperadamente de vós? Sabeis que preciso tocar naquilo que apenas vejo? Ah, Deusa minha, por que me torturais tanto? Não fugi vós de mim, pois sou teu servo e a vós daria o mundo se dele me apropriasse. 

SÁBADO
Todo mundo tem um preço, exceto vós, que estais muito acima destas vis questões pecuniárias. Paguei caro pelo direito de adentrar em vosso templo. Vasculhei vossos cômodos, cheirei vossas vestes, deitei em vosso leito sagrado... E, principalmente, aguardei por vós. E como aguardei! Horas e mais horas, mas vós não aparecestes... Acaso fugistes de mim? 

DOMINGO
Sabeis que me julgam louco? Querem devolver-me àquele hospital ridículo. Alguém me denunciou. Suspeito daquele porteiro imbecil. Mal sabem que vasculhei vossos cômodos, que cheirei vossas vestes, que descansei em vosso leito, que encarei vossos recônditos íntimos. É porque não ouviram vosso canto e nem viram vossas ancas ensaboadas, que vos julgam apenas um subproduto de uma mente insana.  

São hereges, nada mais. Hereges inescrupulosos, vazios de sentimento. Não entristecei, se vos ignoram. Eu bem sei que existis, que vos ensaboais nas belas tardes ensolaradas, enquanto entoais estes celestiais versos, mântras que me invadem o coração. 

Protegei-me deles, ó Deusa de meus dias, que tentarão prender-me em jaulas que se vestem, e me farão engolir alucinógenas pílulas, e tentarão me confundir com poderosas cargas energéticas. 

Protegei-me deles. Contudo, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem...

Bregosfera

Jovem Guarda/Brega Company
Matheus Trunk comenta disco Roberto Carlos em ritmo de aventura e divulga links de artistas bregas no You Tube.

Natalenses
Davi Gustavo Matias divulgou o blog Contos Bregas. Vejam só as palavras dele:

“Se você gosta de ler e não resiste a uma noite regada ao som de Waldick Soriano, conheça o
Contos Bregas! Idealizado pelo jovem escriba Thiago de Góes, o local é pura exaltação aos ideais do brega way of life. Contos, humor e informações sobre o universo das calças estampadas e vidro fumê!”. Valeu Davi. E parabéns pelo teu blog!

Blog do Vidanet
Pavarini publica trecho do artigo
"Confesso: sou brega!", de autoria de Fábio de Lima. Vejam só:

“O Brasil é um país engraçado. Ele teima em ser ‘chique’. Aquela coisa de ouvir Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil (cantores que gosto muito também), em roda de amigos, era para intelectual. O povo – ah o povo brasileiro – poucos Darcys Ribeiros entenderam o povo e poucos entenderão. Mas um país é formado pelo povo. Os intelectuais, quando muito, formam as universidades. O povo gosta do Roberto Carlos, sente saudade do Paulo Sérgio, gosta do Ratinho, sente saudade do Chacrinha. Ainda assim o Brasil teima em ser ‘chique’."

Clique aqui para ler o artigo completo.

BregaNews

Diário do Nordeste

Amados bregas
Diário do Nordeste (Assinatura) - 9 set. 2006
A discussão em si parece uma breguice só, mas vamos renová-la: alguém escapa do brega? Olhando de outra forma: há luz no fim da nossa intolerância? ...
 

Conceito ou preconceito?
Diário do Nordeste (Assinatura) - 9 set. 2006
... Batista, Waldick Soriano ou Odair José? O brega faz parte da vida de quase todos nós. Digo “quase” porque ainda existem pessoas ...
 

Só pode ser Odair
Diário do Nordeste (Assinatura) - 9 set. 2006
Em seu 31º álbum, “Só pode ser amor” (Deckdisc), ele comprova porque a legítima música brasileira, seja ela vista como brega, cafona, romântica ou ...
 

Degraus da Fama
Diário do Nordeste (Assinatura) - 9 set. 2006
... Um produto que, felizmente não pegou, mesmo com todo o esmero, plastificado, de sua produção. ... e o legítimo brega-star Amado Batista: escolas diferentes. ...
 

Prêmio de responsa
Diário do Nordeste (Assinatura) - 9 set. 2006
... Músicas antológicas da carreira dessas quatro estrelas, no embalo do sucesso do brega que vem conquistando o Brasil, inclusive os jovens, demonstrando que ...
 

Terra
Gretchen vai estrelar filme pornô em novembro

JB Online – Caderno B
Brega é rir do brega 
Discriminados nos anos 70 e 80, artistas populares como Odair José e Sidney Magal viram referência para as novas gerações

Estilo em todas as regiões
Wander Wildner acredita que o chamado brega tem um caráter de unificação nacional, pois pode ser verificado em todas as regiões do país.

Eu sou brega e sou autêntico: A Fórmula 1 não é um esporte!

Eu já vinha querendo dizer isso há algum tempo. Mas já que alguém lá de dentro afirmou, eu também não posso me furtar a dizer: A Fórmula 1 não é um esporte! É um jogo? Uma competição? Não, aquilo é tão somente uma corrida tão injusta quanto a “Corrida Maluca”.

E Michael Schumacher, que também não é um verdadeiro campeão, não chega a fazer um favor à Fórmula 1 com sua aposentadoria, simplesmente porque a Fórmula 1 é assim não por causa dele. Ele que é assim por causa dela, que continuará a ser injusta enquanto oferecer condições desiguais para seus pilotos.  

E qualquer um dos outros competidores que estivesse no lugar dele, com o carrão dele, com os privilégios dele, teria sido tão “campeão” quanto.

E aposto que se ele tivesse esse tempo todo naquela pobre Minardi não teria feito muito mais do que os atuais pilotos.

Uma vez Galvão Bueno defendeu que a Fórmula 1 era esporte, pois o jogo de equipes também existe no ciclismo, no qual 10 ciclistas de uma mesma equipe trabalham para apenas um ser o vencedor. Mas, Galvão, eu aposto que a diferença entre uma Ferrari e uma Minardi não é a mesma de uma bicicleta pra outra, não é mesmo?

Lançado mais um livro dos Jovens Escribas
Pessoal, o poema abaixo é de Daniel Minchoni (http://ex-istencia.weblogger.terra.com.br).

É óbvio
Porra, Sandy e Jr, Porra.
Porra, Sandy e Jr, não.
Porra, Sandy e Jr, é óbvio.
É óbvio Sandy e Jr, é óbvio.

É óbvio Sandy e Jr, é óbvio que
o que é imortal não morre no final.

O poema faz parte do livro Escolha o título, que será lançado nesta sexta-feira, 08 de setembro, a partir das 18h, na AS Livros do Praia Shopping, em Natal-RN.

É mais uma obra do selo Jovens Escribas, do qual o Contos Bregas também faz parte.

Convido a todos os que estiverem em Natal para conferir o talento deste jovem poeta! Eu recomendo!
Contos Bregas em Natal

Pessoal, o bate-papo com os Jovens Escribas lá no 1º Festival Literário de Natal foi demais!

Eu pude falar muito do meu livro Contos Bregas, junto com os outros autores do Projeto Jovens Escribas, que são Carlos Fialho, autor de É tudo mentira!, e Patrício Jr., autor de Lítio.

 

Eu falei da proposta do livro, li trechos do conto “Eu não sou cachorro, não!”, do prefácio de Falcão, e falei deste blog. Foi muito bom sentir a recepção positiva de todos os presentes.

 

Uma pergunta polêmica da platéia: vocês não acham que o artista beneficiado com leis de incentivo cultural torna-se escravo do governo?

 

Patrício respondeu que não, que não há ingerência sobre o conteúdo das obras, que não será hipócrita e cuspir no prato que comeu.

 

Meu livro Contos Bregas, por exemplo. Escrevi sozinho e não recebi nenhuma orientação para adequá-lo a critério algum, vindo de quem quer que seja. Eu não sou escravo de ninguém.

 

Outra pergunta interessante: vocês se deparam com personagens que se recusam a obedecer ao autor?

 

Lembrei do conto O Telefone chora, no qual uma garota cresceu pensando que seu pai abandonara sua mãe antes de seu nascimento. Ou seja, no meu projeto inicial, o cara era um cafajeste tradicional que fugiu da responsabilidade de ser pai, abandonando mulher e filha, logo ao saber da gravidez. Mas um dia, ele me “ligou” e disse: “olha, eu não sou assim como você pensa, não. Eu sou um homem de bem. Não mereço ser retratado desta forma”.

 

Então eu me apiedei e decidi mudar o final do conto. Ficou assim: a filha lembrou de um cara que telefonava para sua mãe, que nunca queria atender. A filha botou a mãe na parede e ela reconheceu que o cara dos telefonemas era mesmo o pai. Então a filha pesquisou e descobriu que aquele cara morrera, quando ela ainda estava na barriga de sua mãe. Ou seja: o cara, além de não ser um crápula, ainda tentava se comunicar com sua mulher e filha direto do além.

 

Além do livro, eu também citei uma série de pessoas que contribuíram para a queda do preconceito contra o brega, entre eles:

 

Muniz Sodré – pesquisador autor do livro “A Estética do Grotesco”.

Caetano Veloso – Defensor de artistas populares e intérprete de versões refinadas para sucessos bregas como sozinho, de Peninha, e Você não me ensinou a te esquecer, de Fernando Mendes.

Reginaldo Rossi – Rei do brega.

Paulo César de Araújo – autor do livro “Eu não sou cachorro, não”, que faz um apanhado histórico sobre os cantores cafonas dos anos 70 e seus incômodos com a ditadura militar. Obra de referência da historiografia musical brasileira.

Manuel Puig – Escritor argentino autor de Boquitas Pintadas, romance cujos capítulos são inspirados e epigrafados por versos de tangos, boleros e outros ritmos populares latino-americanos.

 

Ao final do bate-papo uma mulher da platéia informou que o cantor Falcão já foi considerado pela Revista Bizz, se não me engano, como o segundo melhor letrista brasileiro, perdendo apenas para Caetano Veloso.

 

É isso aí!

Isto foi um plágio?

A música “Te amo, o que mais posso dizer”, mais conhecida como “Sem você não viverei”, foi um grande sucesso na voz de Ovelha e mais recentemente na voz de “Jeremias Caba Homi”. A música é uma versão deMore Than I Can Say”, composição de Leo Sawyer.

 

E atenção! Marlos Apyus alertou para a canção “Pelo tempo que durar”, assinada por Marisa Monte e Adriana Calcanhoto, no álbum Infinito Particular 2006.

 

Muito embora a música de Marisa Monte seja cantada num ritmo lento e a de Ovelha, num ritmo rápido, eu, particularmente, considero que as duas canções são muito parecidas. Ouça uma aqui e a outra ali. E decida: Isto foi um plágio?

 

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"E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer você!"

LEMBRANÇAS

Por Thiago de Góes

“E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer você” (Kátia)

 

Na cobertura, despejou dois cubos de gelo de côco no copo de uísque. Ela observou o reflexo de seu próprio rosto tremulando no álcool, como um monstro submarino tentando escapar em vão do maremoto. Depois viu a lua cheia refletida na piscina clorada. Então pensou em jogar-se n’água, mesmo sem despir-se de suas roupas de frio, para fazer com a lua o que os cubos de gelo fizeram-lhe sem dó.

 

Sim, ela queria fugir de suas lembranças!

 

“Seus olhos castanhos. Sua iminente calvície. Sua embriagues ingênua. Como pude dar-me ao luxo de deixar-lhe escapar de mim, assim de repente e sem explicações? Como pude não lutar pelo teu amor que me secava?”.

 

Carregou consigo os cubos de gelo afogados e já ligeiramente derretidos na recente calmaria que se seguiu após a micro-tempestade no sublime copo de uísque escocês. Apertou o botão do elevador. Uma luz amarela incandescente foi pouco a pouco preenchendo os números no alto da porta, em intervalos regulares.

 

Ela esboçou um leve sorriso ao dar-se conta de que era madrugada e por isso dificilmente compartilharia com alguém aquele espaço de paredes prateadas. Era melhor assim. Ela poderia até mesmo adormecer no chão frio do elevador e não seria percebida.

 

Não! Mas havia as micro-câmeras para denunciá-la. E se uma coisa poderia importuná-la mais que tudo neste mundo era certamente algo que pudesse provar sua existência, que pudesse mostrá-la na cara, como se dissesse impiedosamente “Veja, você existe! E embora exista, não deixará nunca de ser esta coisa tão insignificante!”.

 

A porta abriu, ela entrou e apertou “Térreo”. Parou, olhou para os diminutos cubos e tomou um gole da bebida. Arrependeu-se e apertou “Estacionamento”. Procurou as chaves no bolso esquerdo.

 

“Éramos tão felizes, você e eu! Faz muito tempo e, no entanto, não me esqueço. E não sei, meu Deus, não sei quando comecei a lhe perder. Quando foi, pelo amor de Deus, que eu deixei de ser importante pra você? Ah se eu pudesse voltar no tempo e corrigir todos os meus erros. Como gostaria de ter sido uma pessoa melhor para você! Mas agora não dá mais...”.

 

A porta abriu-se vagarosamente. Ela saiu e logo acionou o botão da chave para destravar o carro, fazendo soar um brevíssimo alarme sonoro e visual. Ela não sabe para onde ir, mas agora é diferente. Agora é justamente isso que ela quer: não saber para onde ir e ainda assim não deixar de fazê-lo, apesar disso ou por causa disso. Ela quer apenas estar em movimento, inconscientemente em movimento, hipnotizada pelo movimento, dopada pelo movimento.

 

Direção hidráulica, vidro fumê e faróis altos navegando pelo asfalto sujo da cidade. Sim, ela quer fugir de si mesma. Quer achar algum lugar no qual ela não se reconheça. Algum lugar em que não caibam suas lembranças, em que só hajam desconhecidos e mesmo estes nunca sejam os mesmos. Algum lugar transitório que abrigue o seu peremptório desejo de não ser. Algum lugar passageiro, maravilhosamente neutro, estranhamente indolor. Ela quer perder-se para sempre numa multidão amorfa.

 

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CONTINUAÇÃO - LEMBRANÇAS

 

Foi quando viu uma placa verde com letras brancas, no canto direito da estrada. Aeroporto. Ela girou rápido, cantando os pneus.

 

“Quando você entrou em casa naquela noite, eu logo notei uma expressão diferente no seu olhar. Não sei porque, mas tive a nítida impressão de que você me olhava como se fosse a última vez. Eu disse ‘o que foi, meu bem?’. Nada, você esquivou-se. Mas eu sabia. Havia algo muito importante para ser dito. Lembro de tudo: seu rosto sério, suas palavras previamente pensadas, cuidadosamente ditas. Não poderia ter sido pior!”.

 

Sentiu-se um pouco melhor quando entrou no aeroporto internacional. Aquelas pessoas carregando malas de um lado para o outro, subindo e descendo escadas-rolantes, aquelas vozes entoadas no autofalante e traduzidas em seguida, aqueles monitores azuis mostrando listas e mais listas de vôos e mais vôos. Embarques e desembarques. Tudo isso era muito reconfortante, pelo menos por enquanto.

 

Decidiu entrar na razoável fila de uma agência de viagens. Na sua frente, um casal de estrangeiros trocava gracejos íntimos, sabe-se lá em que língua.

 

“Eu tentava ignorar a crescente escassez de seus carinhos. Eles vinham diminuindo cada vez mais, para não dizer que já quase inexistiam. Dizia para mim mesma ‘isto é coisa de sua cabeça, sua insegura. Deixe de ser tão paranóica’. Então eu continuava mentindo para mim mesma a cada pequena desilusão, como alguém que toma um comprimido analgésico para recorrentes dores de cabeça”.

 

O balconista chamou pelo próximo da fila. Ela o observou atentamente e achou-o bonito, de um sorriso timidamente cúmplice. Qual o destino? Ela queria ir pra qualquer lugar em que já não houvesse ido. De preferência algum no qual ela nunca ouvira nem sequer falar. Após algumas sugestões do balconista, optou por uma pequena ilha subdesenvolvida em algum ponto do mundo oriental. O passaporte, ele questionou. Hein? O passaporte. Ela esquecera no carro. Pediu licença para buscar o documento e disse que voltava já.

 

“Eu disse ‘você nunca me amou!’. Você me fez acreditar num amor eterno e eu pus todas as minhas fichas, meus sonhos, esperanças, ilusões, devaneios neste amor-de-algodão-doce-que-se desmancha-na-boca. Então você foi perdendo a cabeça, foi aumentando a voz e era como uma pólvora que quanto mais bulisse mais soltava faíscas que podiam provocar de repente uma explosão gigantesca de raiva. Foi quando você me disse ‘você é muito feia, sabia? É por isso que eu estou te deixando: você é muito feia e eu mereço coisa melhor!’. Eu chorei muito, meu Deus como eu chorei...”.

 

No caminho para o estacionamento considerou a hipótese de insinuar-se para o balconista. Poderia fazer um movimento ousado que lhe evidenciasse o decote. Mas precisaria, avaliou, encontrar uma certa eternidade no efêmero, uma beleza sagrada na casualidade profana do sexo com desconhecidos. E precisaria, acima de qualquer coisa, não confundir os rostos nem os nomes do balconista e de seu ex-amor. Não, ela não seria capaz...

 

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FIM - LEMBRANÇAS

Ela chegou na vaga em que julgava ter estacionado o automóvel. Vazia. Um calor subiu-lhe no peito. Olhou para os lados. Procurou nas outras seções do estacionamento. Nada. “Meu Deus!”, e começou a roer as unhas. Abordou um segurança que passava logo mais.

 

“Acho que roubaram meu carro, seu guarda!”.

“A senhora lembra onde estacionou?”.

“Sim, ali mesmo, ali em frente. Veja só. A vaga está vazia”.

“Minha senhora, desculpe-me, mas não lembro de nenhum carro ter estacionado naquela vaga hoje à noite”.

 

Neste momento, ela reparou no semblante do guarda e assustou-se profundamente. Era idêntico ao balconista.

 

“Você tem um irmão gêmeo?”.

“Não, minha senhora. Acalme-se, você está muito nervosa”.

“Mas é que você é igualzinho ao balconista da agência de viagens...”.

 

Ele olhou bem nos olhos dela e disse com ar professoral:

 

“Às vezes, nós vemos coisas que não existem. Noutras, deixamos de ver coisas que existem”.

“Não estou entendendo. Por que você está me dizendo estas coisas?”.

“Kátia, eu vou ser sincero com você...”.

“Como sabe meu nome?”, ela assustou-se de vez. A voz tremia, o coração pulsava.

“Eu vou ser sincero com você, Kátia. Você lembra-se de coisas que deveria ter esquecido, e esquece-se de coisas que devia lembrar!”.

“Quem é você? Diga! Como sabe meu nome?”. Ela já gritava em desespero.

“Você não lembra do vidro de comprimidos que tomou naquela noite?”.

“Que noite? Que vidro?”.

“Naquela noite em que seu ex-marido te deixou”.

 

Ela estava preste a perder os sentidos. Um filme passou rapidamente na sua cabeça.  Ela parecia estar enlouquecendo. Não podia acreditar naquilo que ouvia, naquilo que temia, naquilo que lembrava. E gritou ensandecida, com as mãos na cabeça, ‘onde está meu carro?’.

 

“Kátia, o seu carro não existe. Ele é um produto de sua imaginação!”.

“Cala a boca, seu imbecil!”.

“Kátia, você está morta. Há três anos você suicidou-se. Eu vim te buscar!”.

“Não! Você é louco! Eu quero meu carro de volta. Eu quero meu marido de volta! Eu quero minha vida de volta...”.

 

Então, ela ajoelhou-se no chão e desmanchou-se nas lágrimas quentes, assim como pequenos cubos de gelo num copo de uísque!

FIM

Contos Bregas no I Festival Literário de Natal

 
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