A verdade é que Waldick Soriano é uma figura ímpar na música brasileira e merece todo tipo de homenagem.
Eu só não entendi o “porquê” do comentário super preconceituoso de um internauta anônimo no blog de Mauro Ferreira:
De uns anos pra cá virou moda a "inteligentsia" brasileira "tirar onda" de que gosta de música brega - mas só se for brega autêntico. Patrícia Pillar tá produzindo esse revival do Waldick Soriano, mas eu gostaria de saber se ela - que foi casada com um dos maiores cantores do Brasil, Zé Renato, do Boca Livre - por acaso escuta Waldick Soriano em casa, nos seus momentos de lazer...
A minha noiva adora gatos. Ela tem três, dois persas e uma vira-lata. Os persas têm nomes bem pomposos: Feliciano Rusbél e Dóris Lambertini. A vira-lata chama-se simplesmente Lili. Mas no dia-a-dia, os chamamos carinhosamente de Fefê, Dodó e Lili.
Ao conviver com eles, fui percebendo que os gatos são mesmo animais muito carinhosos e misteriosos. Cada um deles tem sua personalidade própria, bem diferente dos demais.
A notícia também sensibilizou o escritor Márcio Benjamin, que escreve belíssimos contos fantásticos, postados lá no blog Um Anjo Pornográfico. Inspirado na notícia do gato vidente, Márcio escreveu o interessante conto Sete Vidas. Veja só um trecho:
Em sua vigília cega às alas hospitalares, arregala os olhos ao perceber um felpudo rabo branco serpenteando para dentro do quarto das crianças.
Corre ainda a tempo de ver a menina cancerosa acariciando aquelas costas arqueadas.
Gatinho, diz a menina.
Tic tac, diz o gato.
Cento e vinte minutos. E contando.
E você? Também tem histórias sobre gatos para contar?
Carta de uma suicida ao ex-namorado
Olha só mais esta carta de amor, retirada do conto brega Tranquei a vida, inspirado no sucesso de Ronnie Von.
“Meu amor,
Não quero que se culpe pelo que aconteceu. A vida nos prega certas peças das quais não podemos escapar. Eu entendi perfeitamente sua decisão, mas confesso que não poderia conviver com ela. É assim mesmo, infelizmente. Eu sempre soube que não era deste mundo e que a única coisa que ainda me prendia a ele era você. Espero que seja feliz e que encontre uma mulher a sua altura.
Nós brigávamos muito, é certo. Mas digo que eu não trocaria jamais um milhão de brigas por um momento de total ausência sua. Você é minha vida, meu ídolo. Eu amo intensamente todos os seus defeitos, porque são seus. E Deus sabe como eu sentirei falta de nossas brigas intermináveis; do ciúme doentio que nos acompanhava; mas também do brilho ingênuo de seu olhar apaixonado; de sua voz mansa e carinhosa; e da simples lembrança de sua companhia que me acalmava imediatamente.
Por isso, eu me desesperei tanto, quando você me disse que não me queria mais. Por isso, quando você estiver lendo esta carta, eu já não estarei mais entre vocês. Espero estar num lugar bom, se Deus me perdoar. Visite-me sempre no cemitério, pois estarei presente, para admirá-lo e esperá-lo na eternidade. Perdoe-me pela atitude insana, mas eu não poderia fazer diferente. Eu amo você!
Vídeo-clipe de “Llorando se fue”, versão original da lambada Chorando se foi
Tem muita gente que não sabe que a lambada Chorando se foi, interpretada pelo grupo Kaoma, é na verdade uma versão de Llorando se fue, música do grupo boliviano Los Kjarkas.
Num post antigo, eu expliquei a história desta música, que tem versões em espanhol, português e inglês. E ainda teve disputa judicial internacional pelos direitos autorais.
Mas somente agora eu posso divulgar o clipe original desta bela música. Veja aí na telinha do Youtube.
Pesquisa aponta Calypso e Zezé di Camargo e Luciano como cantores mais populares do Brasil
Vez por outra alguém faz uma pesquisa só para provar o que todo mundo já sabe. Dessa vez foi a agência de publicidade F/Nazca que descobriu: Os cantores mais populares do Brasil são:Banda Calypso e Zezé di Camargo e Luciano.
E aí vai uma sugestão: já que fizeram um filme sobre a vida de Zezé di Camargo e Luciano, tenho certeza que um filme sobre a Banda Calypso faria tanto sucesso ou talvez mais. Até porque a Calypso conseguiu fazer sucesso à revelia da indústria cultural. E esta é uma nova realidade: o brega consegue atingir o povão sem precisar da mídia. E quando a grande mídia o descobre é apenas para ratificar o sucesso que já se vê nas ruas.
Roberto Carlos vem na quinta posição, atrás até de Bruno e Marroni. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, ele empata com Amado Batista.
Temo que você conclua que não tenho nada melhor para fazer. Afinal, falar sobre o nada pode ser apenas uma desculpa de quem já não tem mesmo nada para falar. Pode até ser. E nada mais natural do que se render aos encantos do silêncio nesses tempos de revoada de vozes.
Minto. Pois entre o silêncio e o nada, sinto informar, não há nada a ver. Tudo bem que o silêncio diga muito mais do que muitos discursos eloqüentes. Mas o nada... O nada não só diz muito mais do que o silêncio como também diz tudo o que se possa dizer.
Pois é na página em branco, este ser desafiador, que repousam invisíveis todas as palavras do mundo, inclusive aquelas mais chulas, que costumam ser ditas com muito mais sinceridade do que as mais refinadas. A página em branco é o maior e melhor romance do mundo! Aquele que de tão bem escrito, ou não-escrito, é simplesmente intraduzível!
Nunca tenha medo do nada. Aliás, pergunte agora mesmo tudo o que você queria saber sobre o nada e nunca teve coragem de perguntar. Só não espere uma resposta, ao menos de mim. Afinal, quem sou eu?
Apenas mais um que ao ser pressionado a decidir entre o tudo e o nada não pode disfarçar aquela cara de quem nada entendeu... E se alguma coisa há para entender é somente se ao tudo subtraíram algo que ao nada voltará.
E você? Está confuso com esta conversa para boi dormir? Tem nada não... Quer um conselho? Porque você não faz aquilo que vez por outra sugerem aqueles que vez por outra não têm nada a declarar? Ou melhor: não faça nada! Ou melhor: Faça o nada. Erga, por exemplo, uma ponte que vá do nada ao lugar nenhum. Você poderá ser extremamente recompensado!
E não será nada demais...
Carta da moça paralítica ao seu amor quase concretizado
Aí vai mais uma carta de amor dos Contos Bregas. Esta foi retirada do conto Cadeira de Rodas, inspirado na canção de Fernando Mendes.
“Prezado amigo,
Você apareceu na minha vida e me fez dar as respostas certas para as perguntas erradas. Eu me senti muito atraída pelo teu jeito calado e discreto de ser. As pessoas podem me achar muito romântica, mas naquele dia em que você entrou na minha casa, eu tive a plena certeza de que você era o homem da minha vida.
Poucos meses antes, eu havia passado por um acontecimento involuntário que mudou para sempre os rumos de minha existência. E naquele momento, algo bom poderia ter acontecido, se tivéssemos tomado as decisões que queríamos tomar.
Esperamos um pelo outro, covardemente. As palavras pensadas, ensaiadas e desejadas não foram ditas. Hoje, tenho apenas uma certeza: Não poder te amar é muito mais doloroso para mim, do que não poder andar.
Quais destes tipos de contos você gosta mais de ler?
A palavra-chave que mais rende acessos aos Contos Bregas, via mecanismos de buscas, é: CONTOS.
Pensando nisso, eu fiz uma pesquisa no Google Analytics, por todas as palavras-chave cujo conteúdo contém a palavra conto ou contos, durante um ano. Foram mais de 500 resultados. Eu selecionei os 50 principais e os separei nestes cinco grupos temáticos:
1. contos eróticos; contos de amor; contos de ciúmes; contos de corno; contos de fuleragem; contos de mulheres; contos de ninfetas; contos de traição; contos femininos; contos íntimos; contos quentes; contos safados; contos sensuais; contos de sedução; contos de saudade; contos românticos.
2. contos brasileiros; contos atuais; contos de jovens; contos do Nordeste; contos do RN; contos para adolescentes; contos modernos; contos de criança; contos musicais.
3. contos bregas; contos de comédia; contos de humor; contos engraçados; contos para rir; contos populares.
4. contos fantásticos; contos de anjos; contos de bruxas; contos de terror; contos exóticos; contos para pensar; contos sobrenaturais; contos filosóficos.
5. contos da vida real; contos de ação; contos de crime; contos de mentira; contos de natal; contos desconhecidos; contos grátis; contos neuróticos; contos políticos; contos verdadeiros.
Quais destes tipos de contos você gosta mais de ler?
Aos que choram pelos que partiram nas costas do grande pássaro ferido...
O que você tam a dizer para eles?
Aíla Sampaio, mestra em literatura, resenha os Contos Bregas e Lobas, Deusas e Ninfetas
Eu não me considero, nem de longe, "um dos mais vigorosos e autênticos ficcionistas de nossa época". Mas “ouvir” isto de uma integrante da academia é muito gratificante.
Eu confesso que fiquei bastante emocionado ao ler a resenha. Veja só um trecho:
Nas duas obras, ele mostra, a despeito de inspirar-se em conhecidas canções, originalidade e inventividade. Seja fazendo rir ou chorar, brincando ou falando sério, seus personagens conquistam o leitor e levam-no a aventuras por vezes tragicômicas. Consciente do seu estilo, Thiago executa-o da melhor forma, assumindo uma postura austera diante dos rótulos e não evitando-os. Não se pode, pois, dizer que seu estilo é marcado pela falta-de-estilo, ao contrário, é seguramente marcado pelo que a elite literária rejeita: o lugar comum, a dor-de-cotovelo. Essa adesão explícita e sincera faz dele um dos mais vigorosos e autênticos ficcionistas de nossa época.
Mais uma carta de amor dos Contos Bregas, retirada do conto Você não me ensinou a te esquecer, inspirada na canção de Fernando Mendes.
Carta do namorado arrependido à namorada traída
Minha eterna amada,
Confesso-me culpado pela falta de ter-lhe abusado a confiança. Digo, porém, que nada do que se passou naquela boate infame foi representativo de minhas emoções e sentimentos, nem se repetirá jamais! Posso imaginar a dor e a decepção que lhe afligem neste momento e sofro por mim e por você, luz de minha vida!
Fui vítima de alma insana e maliciosa, que me seduziu por mero capricho, guiada unicamente por uma inveja corrosiva, armada com as mais vis ferramentas do mal. Se me acaso deixar abandonado, definhando pelos cantos pueris do sofrimento, você não estará fazendo nada mais do que os gostos da lacraia que nos pôs nessa terrível situação. Não lhe deixemos vencer assim tão fácil!
Vejo-me, pois, necessitado de seu perdão sincero. Suplico-lhe para que me aceite de volta aos seus braços acolhedores e aconchegantes. Podemos e precisamos construir juntos a nossa felicidade e a de nossos filhos, que virão para colorir os nossos dias. Se eu pudesse dizer uma só palavra infinitas vezes, eu diria: perdão, perdão, perdão, perdão...
RiverRaidBanger postou no YouTube este vídeo grotesco que traz uma versão metal da música Fogo e Paixão, de Wando. Mais de 13 mil acessos.
Garantia de boas risadas!
As rimas previsíveis da música mais brega do mundo
Onde muitos vêem superficialidade, eu vejo simplicidade. Onde muitos vêem pobreza, eu vejo beleza. Onde muitos vêem obviedades, eu vejo verdade.
Vou contar uma história para explicar.
Tempos atrás, pegando carona no espírito aventureiro de meu irmão mais velho, partimos eu, ele e a mulher dele rumo a municípios do interior do Rio Grande do Norte. Paramos num pequeno e humilde restaurante, com vista para um belo açude.
O rádio a pilhas que repousava no balcão do bar executava uma canção brega que eu nunca tinha ouvido. Mas era como se eu já tivesse conhecimento da música. Pois ao final de alguns versos, eu pude adivinhar e antecipar o verso seguinte. Não que eu seja vidente, mas é que as rimas extremamente previsíveis me possibilitaram este prazer inigualável.
Quem já teve o prazer de completar a letra de uma canção desconhecida (e acertar!) sabe do que estou falando.
Neste Soneto para uma canção brega, eu registrei minha admiração pela “irresistível beleza de tuas rimas previsíveis/ Que do amor traça uma ponte inquebrantável à dor”.
Nela, Gustavo simplesmente identifica os 11 pares de rimas mais usados na música brasileira. Surpreendentemente, o par “amor/dor” foi apenas o oitavo colocado. A medalha de ouro foi para “assim/mim”. As medalhas de prata e de bronze ficaram respectivamente com “coração/paixão” e “dizer/você”.
A relação completa, por ordem decrescente de importância, é a seguinte: Assim/ mim; Coração/ paixão; Dizer/ você; Fim/ mim; Esquecer/ você; Coração/ solidão; Ver/ você; Amor/ dor; Assim/ fim; Carinho/ sozinho; Coração/ mão.
Ao ler esta relação, dei-me conta de que estava ali diante de meus olhos a matéria-prima para se compor a canção mais brega do mundo. Afinal, uma canção que reunisse as rimas mais usadas só poderia ser muito, mas muito brega.
Decidi então compor eu mesmo a letra desta que seria a música mais brega do mundo. Cada verso era um jogador do time. Eu também precisava de uma frase de efeito, um desabafo sentimental, que seria o refrão da música, ou o goleiro do time. A idéia não demorou a vir: “Meu coração está na mão”.
Então segue a letra aí embaixo, que já encaminhei para meus amigos da banda Belina Mamão, para que achem uma melodia para ela. Quem sabe um dia vocês ouçam esta canção no rádio...
Meu coração está na mão
Não me deixe tão triste assim Não desfaça do meu coração Venha mais para perto de mim E alimente essa minha paixão
Meu coração está na mão... (4x)
Tenho muito para lhe dizer Nossa história não chegou ao fim Minha vida é somente você E você só foi feita pra mim
Meu coração está na mão... (4x)
Nunca mais tente me esquecer Abra as portas do meu coração Dentro dele só cabe você Entre e mate a minha solidão
Meu coração está na mão... (4x)
Eu sei que preciso tanto lhe ver Não faça pouco do meu amor Não duvide que eu amo você Sua ausência só me traz a dor
Meu coração está na mão... (4x)
Só quero você e morrerei assim Desesperado pelo seu carinho Lutarei por você até o fim Se não me quiser, ficarei sozinho
Meu coração está na mão... (4x)
Sandra Rosa Madalena em versão desenho animado
Sandra Rosa Madalena em versão desenho animado
Deve ser isso que andam chamando de Web 2.0: a revolução do conteúdo produzido pelo usuário. Você não acha que, muitas vezes, os sites de fãs oferecem conteúdos mais interessantes do que os sites oficiais de seus ídolos?
E agora com o Youtube então... Vai chover clipes produzidos por fãs que botam os clipes oficiais no chinelo...
Assim como este daí, produzido pelo usuário do YouTube, DarkMadBoy, para a canção Sandra Rosa Madalena, de Sidney Magal.
Melhor não poderia ser: um desenho animado hilário, no qual o bonequinho do Magal interage com a bonequinha cigana, que lhe dá vários “tocos” e “foras”. Imperdível! Tanto que já foi visto por mais de 3 mil pessoas. Assista o vídeo aí embaixo, acompanhe a letra e comente!
Sandra Rosa Madalena Sidney Magal
Quero vê-la sorrir Quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Quero vê-la sorrir Quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Ela é bonita seus cabelos muito negros E o seu corpo faz meu corpo delirar O seu olhar desperta em mim uma vontade de enlouquecer de me perder de me entregar
Quando ela dança todo mundo se agita E o povo grita o seu nome sem parar
É a cigana Sandra Rosa Madalena É a mulher com quem eu vivo a sonhar
Quero vê-la sorrir Quero vê-la canta Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Quero vê-la sorrir Quero vê-la cantar Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Dentro de mim mantenho acesa uma chama Que se inflama se ela está perto de mim Queria ser todas as coisas que ela gosta Queria ser o seu princípio e ser seu fim
Quando ela dança todo mundo se agita E o povo grita o seu nome sem parar
É a cigana Sandra Rosa Madalena É a mulher com quem eu vivo a sonhar
Carta da amante solitária ao ex-amor ausente
Mais uma carta de amor dos Contos Bregas. Esta foi retirada do conto “Sozinha”, inspirado na canção de Kátia.
Por mais que o silêncio seja belo, chega uma hora que abusa. Já olhei todas as nossas fotos e me pergunto se os seus sorrisos eram falsos, pois hoje não se mostram. E aquela que tiramos sem compromisso na barraca da praia, após devorarmos meia dúzia de caranguejos, e pagamos para botar num pequeno chaveiro, que depois se quebrou, aquela foto era de um sorriso que não podia ser falso.
Você lembra como a praia estava boa? Sem muita gente, do jeito que você gosta. Parece que não. Você não lembra de muita coisa que aconteceu. Ou se lembra, parece não valorizar. Como vou saber? Você volta pra me dizer?
Estou em casa conversando com nossas coisas. Com a bruxinha de vestido amarelo e cabelos negros, lisos e esvoaçantes, sentada numa rocha escura, segurando uma pedra mágica na mão direita e uma vassoura voadora na esquerda. Presente seu. Você lembra em que feira de artesanato a comprou?
Com o carrinho azul que tiramos da caixa de cereais comprada no supermercado do bairro, ainda envolto num saquinho plástico, e que prometemos doar para o nosso sobrinho. Você achou tão bonito, lembra? Eu queria guardar para quando tivéssemos nosso filho...
Eu falo com eles, mas eles não me respondem. Ninguém me responde. Estou sozinha. Há muito tempo, estou sozinha, torcendo para que volte. Já implorei para nossa bruxinha fazer um feitiço poderoso, mas ela não move um dedo e fica com aquele enorme nariz empinado, como se não quisesse intrometer-se nessas coisas de casal.
Eu dei corda no pintinho amarelo, para ver se falava onde você estava, mas ele apenas partiu saltitando pelo chão, até esbarrar na porta do quarto. Achei foi pouco. Perguntei também aos nossos anjinhos de cera. Ninguém sabe de você...
Para passar o tempo, já contei o número de azulejos do piso de nosso quarto. Primeiro multipliquei as fileiras horizontal e vertical. Depois, tirei a prova contando um por um. E tentei achar vestígios de você, quem sabe suas impressões digitais. Mas nem disso fui capaz.
Também já mapeei todas as manchas nas paredes e tentei lembrar das situações em que as fizemos. E os nossos lençóis, meu Deus. Eles também não falam, embora tenham muito a dizer de nós.
Por que você não volta? Me responda, nem que seja por telepatia. Se você não voltar, eu vou apodrecer nesta casa. Venha me salvar, pelo menos. Se eu morrer, você vai sentir minha falta? Você vai chorar? Você vai tentar se comunicar com meu espírito? Ou você vai casar de novo?
Eu já tentei conversar com Deus, mas veja só, se mesmo ele não me responde, quem poderá me ouvir? O demônio? Também não, pois já tentei. Ninguém está do meu lado. Estou muito sozinha. Acho que nem mesmo eu estou comigo. Acho que eu não existo mais. Apenas meu sofrimento existe. É isso, eu sofro sem existir. Tem castigo pior? Que mal fiz para merecer esta solidão asfixiante?
Estou avisando, o que ainda resta de mim pode morrer em breve. Volte logo, antes que seja tarde. Volte e eu lhe darei mil beijos, e farei de você, acredite, o homem mais feliz do mundo! Eu te amo!
Sabe como distinguir um rei falso de um verdadeiro?
É simples: o falso acha que é dono de sua estória e é capaz de proibir sua própria biografia. O verdadeiro, ao contrário, presenteia os amigos com sua biografia autografada.
O primeiro, todos sabem, conseguiu impedir a comercialização de milhares exemplares do livro Roberto Carlos em Detalhes, escrito por Paulo César de Araújo, que vai buscar na justiça reaver os seus direitos.
O segundo foi tema do livro “Reginaldo Rossi, o Fenômeno”, de autoria do jornalista Wilde Portela. Tomei conhecimento da obra quando o Rei do Brega a levou para o programa “Homenagem ao Artista” e a presenteou ao apresentador Raul Gil.
Então procurei por todos os cantos da Internet e achei um exemplar no Sebo Cultural, de João Pessoa (PB). Paguei apenas R$ 15,35 por esta obra prima e a recebi pelo correio, em menos de dois dias. Acho que ainda deve haver outro exemplar no mesmo sebo.
Detalhe: o livro está autografado pelo próprio Reginaldo Rossi! Não vou dizer o destinatário, embora ache uma indelicadeza alguém vender para o sebo um livro recebido de presente.
A obra, publicada em 1999 pela editora pernambucana MicroVega, tem a contra-capa escrita pelo então governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. Na primeira orelha, há depoimentos do cantor Leonardo e do então vice-prefeito do Recife, Raul Henry.
A epígrafe não poderia ter sido melhor. São versos do poema Evocação do Recife, de Manuel Bandeira: “A vida não me chega pelos jornais nem pelos livros/ Vinha da boca do povo na língua errada do povo/ Língua certa do povo/ Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil”.
E se há alguém que entende do povo e é amado pelo povo e sabe falar (e cantar) gostoso o português do Brasil, este alguém se chama Reginaldo Rossi, o verdadeiro Rei da música popular brasileira (com iniciais minúsculas).
Eu lerei o livro com todo carinho e farei muitos posts sobre ele nos próximos dias. Aguarde!!! E se quiser mais um pouco sobre a obra, leia a resenha Pressa é inimiga de Wilde Portela, escrita por José Teles no JC online.
(02:14:14) Felipe_Maia: Lobão qual a sua opinião sobre a importância que a música brega tem para as camadas mais sofridas da sociedade??? (02:14:49) Lobão: Felipe, sinceramente me sinto temerário em responder. Se fosse racionalizar, diria que é bacana. Mas, se fosse pra dizer, acho que o Brasil é uma merda, devia fazer coisas melhores. A começar pelo presidente da República. Que devia fazer uma faculdade, mesmo que tardiamente. O Vicentinho não fez faculdade? Será que o Lula não faz faculdade pra fazer gênero?
Então eu perguntaria para ele:
- Então o brega é uma merda porque é feito por pessoas que não fizeram faculdade?
- Você não acha isso preconceituoso?
- Você é brega?
- Qual foi a coisa mais brega que já pousou na sua sopa? Você mesmo?
Nos comentários, um leitor deixou um link para um chat com Gretchen, em cuja introdução está dito assim: “Formada como tradutora e intérprete, chegou a exercer a profissão durante alguns anos até se dedicar à dança”.
Outro leitor aproveitou para divulgar o vídeo Gretchen e Thammy (ainda bebê) num clip do Fantástico – 1984, em que ela canta "Give Me Your Love". Segundo a descrição do Youtube, a cantora está “bem diferente do habitual, num visual 'mamãe' com a pequena Thammy no colo".
Por que duvidar que Gretchen pode ter sido uma tradutora? Minha conclusão: preconceito!
Eu sou contra cadeia para político corrupto
Não, não! Você não leu errado. Não entendeu errado. É isso mesmo que você leu no título. Eu sou contra, totalmente contra, punir políticos corruptos com a prisão.
Sabe por quê? Porque é muito pouco. Na verdade, é até um presente! Aliás, um presente pago com seu dinheiro. Ou de onde você acha que sai a grana para pagar a cela especial daquele cara-de-pau que desviou dinheiro público? Isso mesmo: do seu bolso!
Então quer dizer que o cara rouba seu dinheiro e em troca você ainda ajuda a sustentar o parasita? Ele tira de um bolso e você oferece do outro? É assim? Em nome do quê?
Será porque você se satisfaz com o constrangimento moral do condenado? Se for, meus pêsames. Para eles, isto é o de menos. Dos males, o menor. Ele tem dinheiro e continuará tendo. Quando sair da cadeia, o que não demorará muito, ele ainda será tão rico quanto antes. É possível até que se candidate para outro cargo público. É possível também que se eleja...
E, afinal, de que me vale a vergonha dos que não têm vergonha? Não vale nada. Mas custa muito!
Eu proponho uma nova forma de punição aos políticos corruptos: Multa! Que eles devolvam o que roubaram. Não somente a mesma quantia, mas muito mais! Porque o crime tem que dar prejuízo. Que esta multa seja vitalícia, para que todos os meses de sua vida ele se lembre do erro que cometeu, para que o dinheiro volte ao povo, como nós voltaremos ao pó.
Afinal, se você que é honesto pode pagar ao governo uma taxa permanente a que teimam chamar de provisória (CPMF), por que um desonesto não poderia ser multado continuamente?
Concluindo: eu defendo a liberdade para os políticos corruptos. Em vez de preso com o seu dinheiro, livre para pagar a você. Não faz mais sentido?
E se ele provar que não tem mais trabalho, que não tem mais renda, aí sim vá para a cadeia. Mas que trabalhe lá dentro para pagar os gastos. Que seja parte de um presídio auto-sustentável. Mas esse já é um tema para outra reflexão.
Carta do espírito da mulher estuprada ao marido viúvo
Aí vai mais uma carta de amor, retirada do meu conto “Cadê você?”, inspirado na canção homônima de Odair José:
“Meu querido amor,
Eu só quero dizer que você não está só. Eu estou sempre com você. No começo, eu não percebi que estava morta. Quando você ficava gritando por mim, chorando aos soluços, eu estava bem do seu lado. Sempre. Eu também gritava “Querido, eu estou aqui! Você não está me vendo? Por que você não fala comigo?”.
Eu fiquei tão desesperada ouvindo você cantar esta linda canção que fez para chorar da saudade que sente por mim, que eu decidi tentar conseguir uma forma de me comunicar com você. Não agüentava mais gritar nas alturas ao pé do seu ouvido e não ser percebida. Olhava no fundo dos seus olhos e parecia que eu não estava ali ou que eu era invisível ou transparente.
Pedi aos bons espíritos que arranjassem um intermediário no mundo dos vivos que pudesse nos pôr em contato. Agora você pode ler estas minhas palavras e pode saber toda a verdade. Eu nunca deixei de te amar. Eu nunca te abandonei.
Você quer saber como eu morri. Foi teu amigo João. Ele queria me roubar de você. Eu nunca pude lhe dizer, pois ele nos ameaçava de morte. Ele não suportava conviver com o nosso amor.
Até que um dia, ele me botou na parede. Esperou você sair para o trabalho e entrou em nossa casa. Deve ter feito uma cópia da chave. Tentou me beijar. Tentou fazer amor comigo. Rasgou minha roupa. Bateu em mim.
Eu disse: “Você é repugnante! Você é imundo! Eu tenho nojo de você! Você nunca vai me possuir! Eu sou apenas do meu marido, para sempre!”. Ele tomou ar de louco. Xingou-me dos mais horrorosos palavrões. Disse que se eu não seria dele, não seria de mais ninguém.
Então ele começou a chorar. Sacou um revólver e me fez a proposta: “você escolhe: ou morre ele ou morre você!”. Eu fiquei com muito medo. Num impulso, pulei para cima dele, tentando roubar a arma.Ele me deu um empurrão e disse: “já que sua alma não será minha eu vou mandá-la para o inferno”.
O revólver na minha cabeça. Minhas mãos amarradas. Tapou minha boca e meus olhos e cochichou baixinho no meu ouvido: “Você está sabendo que eu vou lhe estuprar?”. Ele puxou minha calcinha com tudo. “Eu vou dizer para o seu marido que você fugiu. Vou dizer que você era uma putinha que trepava com todo mundo e que fugiu com um gringo ricaço com ouro nos dentes”.
A pior coisa do mundo seria você acreditar numa história dessas. Eu te amo. Sempre te amei e para sempre vou te amar. Eu pensava em você em todos os momentos daquele terrível pesadelo.
Foi horrível o que ele fez comigo. Senti como um galho espinhoso e enlameado rasgando violentamente as minhas entranhas, trazendo-me a dor e a humilhação desde o inferno. Neste momento, eu desejei morrer. Sair daquele corpo violado. Escapar daquele triste invólucro de carne que servia aos desejos demoníacos de um homem. Agora eu sei que naquele instante eu desmaiei.
Quando acordei, eu já estava morta, embora não soubesse. Fui no seu trabalho. Gritei o mais alto que pude, mas você não me escutava. Fiquei com raiva de você. Raiva do mundo. Raiva de Deus. Raiva de mim.
Após alguns dias, uns espíritos bons me fizeram companhia e me explicaram tudo. Mas a dor de não ser ouvida por você sempre me dilacerou o coração. Você só sabia perguntar: “Cadê você?”, enquanto eu só sabia responder: “Eu estou aqui!”. Continuamente.
João fez tudo para parecer que eu fugi. Mas eu sei que você nunca acreditou nisso, embora não pudesse entender o que se havia passado comigo. Meu corpo está enterrado no quintal. Esta é a verdade, meu amor. Eu nunca te abandonei. Eu estou sempre com você. Eu te amo!
Não posso me demorar mais. Meu tempo está acabando. Tenho que ir.
Reginaldo Rossi no programa Homenagem ao Artista, do Raul Gil
Às 19h deste domingo, eu voltava do shopping com minha noiva. Foi quando o telefone começou a tocar. Primeiro foi meu pai: “Liga na Bandeirantes”. Depois, minha irmã: “Você já está assistindo?”.
Quando cheguei em casa, liguei a televisão e comecei a ver o programa Homenagem ao Artista, com Reginaldo Rossi. Apresentado por Raul Gil, o programa trouxe interpretações destes ex-calouros para sucessos consagrados do Rei do Brega:
Christian Fernandes - A Raposa e as Uvas Geisilaine - Deixa de Banca Jonathan Brito - Mon Amour, Meu bem, Ma femme André Marthis – Garçom
Mas a parte principal e mais emocionante foram os depoimentos dos familiares e amigos de Reginaldo Rossi. Ele não conteve as lágrimas ao ouvir seu filho Roberto Rossi cantando uma versão de Yestarday, que fizera em homenagem ao pai.
Ainda chorando, Rossi falou que as coisas materiais não são essenciais na vida. “Todo mundo morre. Ninguém leva nada”. O Rei do Brega demonstrou ser uma pessoa simples, humilde, espiritualista.
Para ele, a amizade é superior ao amor, sendo este sentimento uma parte daquele. Talvez por isso não tenha se tornado inimigo de sua ex-esposa, Celeide. Ao contrário, continuam muito amigos. Parece que ela se dá muito bem com a atual esposa do Rei, Cleide.
Destaque também para o acidente de automóvel que o deixou 90 dias deitado numa cama de hospital. Rossi confessa que tinha medo de ficar paraplégico, pois se o acidente o tirasse da música ele planejava comprar um táxi para continuar ganhando a vida. Ao receber a primeira visita, após a liberação do médico, Rossi disse algo como “fazia tanto tempo que eu não via um corno”. Sempre bem humorado, mesmo nos momentos difíceis.