É o preconceito, que mexe com minha cabeça e me deixa assim

Responda rápido: qual o pior câncer da humanidade?

 

Parafraseando um dos dois filhos de Francisco, aquele que tomava ovo cru para ficar com a voz bonita, eu diria: É o preconceito, que mexe com a cabeça de muita gente e me deixa assim, muitíssimo indignado!

 

Esta não é a primeira nem será a última vez que toco no assunto. Volto ao tema por ocasião da excelente crônica que Júlio Maria escreveu para o Jornal da Tarde, assumindo publicamente ser fã da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Veja só um trecho:

 

“Um dia, a confissão seria inevitável. Abrir o coração sobre certos assuntos no meio de jornalistas críticos de música ou de músicos críticos de jornalistas sempre foi uma questão bem complexa. Vivendo entre xiitas e sunitas por dez anos, afoguei minha opinião como se ela não existisse, como se fosse um desvio de caráter a ser reparado silenciosamente, uma doença a ser curada por si só. Me tornei um covarde para não ser banido das rodas dos músicos e um hipócrita para ser aceito na dos  jornalistas. Não preciso mais disso. Minha confissão de agora pode inspirar outros a saírem do armário, a revelarem seus sentimentos mais reprimidos. Chega. Eu gosto de Zezé Di Camargo e Luciano!”. Leia texto completo

 

Pronto. Está instituído o Dia do Orgulho Brega. Se o problema era o manifesto, não existe mais. O Brasil precisa urgentemente deste dia, para acabar de vez com esta mania podre de usar a música como forma de classificação de status social.

 

Música é para ouvir. Música não é para rotular os ouvintes, como fez Ariano Suassuna, chamando de imbecis os fãs da banda Calypso.

 

O preconceito musical é extremamente arraigado no Brasil. Você tira por esse trecho da resposta de Diogo Sales à crônica de Júlio Maria:

 

“Quem é que agüenta os uivos esquizofrênicos de gralhas e hienas neste zoológico caipira? A música sertaneja é de uma mediocridade cristalina, de um mau gosto singular. O que leva uma pessoa a gostar dessas músicas?”. Leia texto completo

 

O que leva uma pessoa a ser tão preconceituosa, a ponto de usar metáforas animalescas para identificar artistas que não lhe agradam? Será que é tão difícil assim alguém dizer que simplesmente não se identifica com tal estilo ou com tal artista? Será que é tão difícil assim assumir que o gosto pessoal não é medida nem critério universal da qualidade de uma obra? Ou será que é muito mais fácil rotular alguém de imbecil e animal?

 

Eu não sei o que é pior no preconceito: se a ignorância ou a arrogância. Sim, porque sujeitos que carimbam negativamente outras pessoas, baseados simplesmente nas diferenças de gosto pessoal, são carentes de conhecimento e de grandeza espiritual, ao mesmo tempo em que se acham superiores aos demais. Sim, pois quando alguém chama de hiena um cantor, é porque certamente se considera um exemplar de uma espécie que esteja ao menos um degrau acima na escala evolutiva.

 

Mas Zezé di Camargo não ficou calado. Veja só um trecho da resposta de Zezé:

 

“Sendo assim, dou a mão à palmatória: Diogo e tantos outros que ainda estampam a camiseta do preconceito, vamos vestir a camiseta dos ‘bregas’, se assim preferirem rotular, ou dos puros, como prefiro chamar. E cantar "É o Amor" em todos os sons e tons. Não acredito que as 25 milhões de pessoas que compraram nossos CDs até hoje estejam todas erradas”. Leia texto completo

 

Então, para finalizar, aí vão os meus recados:

 

Para Júlio Maria: Eu também gosto de Zezé di Camargo e Luciano.

Para Diogo Sales: Quem é que agüenta suas palavras preconceituosas?

Para Zezé di Camargo: Esta camiseta dos bregas vai ser o maior sucesso!

 

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E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Lançado site não oficial de Paulo Sérgio

Por meio de formulário de contato, recebi mensagem de Gilberto Ivo, solicitando divulgação para o site não oficial de Paulo Sérgio. O endereço é este: http://www.paulosergio.rg.com.br/

 

Eu conferi o site e digo pra vocês que é um trabalho profissional. Completíssimo. Se você é fã de Paulo Sérgio, vá lá e veja informações detalhadas sobre a vida e obra de Paulo Sérgio, além de fotos, vídeos, mural de recados, biografia, discografia, entrevistas, notícias e muito mais.

 

Aproveite e leia a resenha que Josué Ribeiro escreveu para o site de Paulo Sérgio.

 

Mas não mude de canal agora. Antes, leia também o meu conto “A última canção”, inspirado na canção homônima interpretada por Paulo Sérgio. Veja só um trecho:

 

Então girou o dial, desligando o rádio. E a última canção continuava ressonando pelos ares. Tirou da tomada. A última canção resistia inacreditavelmente. Ela soltou um grito imenso de rasgar a garganta. E deu tapas na cara. E tentou arrancar os cabelos. E tentou furar os tímpanos. E gritou de dor. E gritou de raiva. E jogou o rádio violentamente contra a parede, desmontando-o completamente. E a última canção espalhava-se pelos cantos, cada vez mais alto. Leia o texto completo

 


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E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Minha conversa com o autor da biografia proibida de Roberto Carlos


Os primeiros aplausos surgiram quando citei trechos da crônica Vamos processar Roberto Carlos, de Marcelino Freire, na qual ele incita Paulo César de Araújo, autor de Roberto Carlos em Detalhes, a dizer para o rei todos os dias: 

 

“Meu bem, sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo”. 

 

A segunda leva de aplausos veio quando acrescentei que, além disto, Paulo César também deveria pegar seu livro, mostrar na cara de Roberto Carlos e dizer assim, como se fosse a resposta da biografia proibida ao biografado censor:

 

“Não adianta nem tentar me esquecer. Durante muito tempo em sua vida eu vou viver”. 

 

Isto se passou na Feira do Livro de Mossoró, na noite desta sexta-feira, 26 de outubro, quando eu e Paulo César falávamos para uma platéia de mossoroenses amantes da literatura e da música populares. 

 

Paulo César explicou que ainda busca na justiça o direito de reverter o acordo judicial que proibiu a comercialização de seu livro, dando esperanças ao povo brasileiro de que a obra mais completa sobre um dos maiores ídolos populares nacionais ainda viverá em nossa vida. Durante muito tempo... 

 

Eu torço muito para que esse dia chegue. Seria uma reparação justa a um erro gravíssimo, a um forte atentado contra a liberdade de expressão no Brasil.  E Paulo declarou-se curioso pelo fato de não ter sofrido atentado semelhante, vindo dos artistas retratados em sua obra anterior, Eu não sou cachorro, não. Um destes artistas era Agnaldo Timóteo, apontado no livro como autor de canções que abordam temática homossexual. 

 

No lançamento do livro, Paulo César temeu quando viu que Agnaldo Timóeo, conhecido por seu temperamento explosivo, estava presente. Mas ao invés de condená-lo, como fez Roberto Carlos, Timóteo elogiou a qualidade da obra.  

 

“Você passou sem problemas pelos príncipes, mas infelizmente esbarrou no Rei”, eu disse, arrancando risos da platéia.  

 

Só não sei se ele também esbarrou no Rei, quando voltou para Natal, onde pegaria vôo de volta para o Rio. É que Roberto Carlos daria show na capital potiguar e estava hospedado no mesmo hotel que Paulo César. Ele afirma ter recebido uma ligação do Diário de Natal, solicitando entrevista e perguntando se sabia que estava no mesmo hotel do rei. “Roberto Carlos me persegue”, brincou Paulo César. 

 

Questionado sobre o que achava de a biografia do rei ter sido disponibilizada para download gratuito na Internet, dias depois de ter sido proibida, Paulo César disse que se trata de uma legítima atitude de protesto.  

 

Inclusive, ele mesmo afirma já ter recebido por e-mail uma cópia da obra, na qual foram acrescentados trechos fictícios pelos próprios leitores, também como forma de protesto. Um desses trechos daria conta de um encontro fictício entre Roberto e Erasmo, entre quatro paredes. “O livro já está se tornando uma obra coletiva”, disse Paulo, que já autografou, inclusive, uma cópia xerocada da biografia.  

 

Uma pessoa da platéia perguntou se ele não teria ficado frustrado como escritor, ao ter visto um trabalho de 15 anos ter sido proibido. Outro perguntou como ele passara a encarar a obra musical de Roberto Carlos depois de toda a confusão.

Declarando-se motivado pelos conhecimentos jurídicos que tem adquirido e considerando que a obra é mais importante que o artista, Paulo César deixou claro que continuará lutando pelos seus direitos, sem perder a admiração pelas músicas de Roberto. 

 

Palavra de fã. Que, hoje em dia, vale muito mais que palavra de rei...

 

 

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E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Vou debater literatura popular na Feira do Livro de Mossoró, junto com o autor de Roberto Carlos em Detalhes

Nesta sexta-feira, 26, estarei na terra que botou Lampião pra correr, Mossoró-RN, onde vou debater literatura e música popular com o autor de Roberto Carlos em Detalhes, Paulo César de Araújo, dentro da programação da Feira do Livro de Mossoró. Aqui vai meu agradecimento à Carlos Fialho, líder do selo Jovens Escribas, que me indicou para a mesa.

 

Nosso encontro vai acontecer no espaço Circo da Luz e será mediado pelo jornalista Cid Augusto, às 18h30.

 

Eu sou muito fã de Paulo César. Portanto, para mim é uma grande honra dividir um debate com ele num evento literário. Além da biografia não-autorizada de Roberto Carlos, que foi absurdamente proibida, Paulo César também é autor do livro Eu não sou cachorro, não, que conta a saga dos cantores populares brasileiros durante a ditadura militar. São duas obras importantíssimas para a historiografia musical brasileira.

 

Paulo já leu meu livro e fez o seguinte comentário:

 

“É mais um trabalho que, com certeza, vai contribuir para a inclusão da chamada música brega no panorama mais alto da cultura brasileira”.

 

Sobre a proibição da biografia de Roberto Carlos, o escritor Marcelino Freire produziu a excelente crônica Vamos processar Roberto Carlos, que você pode ver e ouvir neste vídeo do Youtube.

 


Curtas

- Hoje à noite, autografo meu livro Contos Bregas para os universitários da Faculdades Nordeste (Fanor), dentro da programação da Semana Universitária Fanor - Superação.

 

- E também esta noite participo do Encontro Nacional sobre Hipertexto, que segue até sábado. Vou assistir inúmeras palestras interessantes sobre blogs, mundo virtual, jornalismo online, hipertexto e etc. Até me inscrevi num curso sobre escrita na Internet. Vai ser demais!

 

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Chutando o balde

O balde, coitado. Não tinha nada a ver com a história. Estava lá, quieto no seu canto, juntando os pingos da goteira.

 

Mas o balde, coitado, que não tinha nada a ver com a história, não sabia que cada pingo era uma dor, uma flecha, uma facada.

 

E o pior não era cada pingo em si. Era aquela quase certeza da próxima gota serena. Era aquela quase dúvida do fim das gotas. E no fim das contas, o balde, coitado, não tinha nada a ver com a história.

 

Agora fica ali, angustiado. Rezando para não transbordar aquele mar em conta-gotas. Meu Deus, aquilo era uma tortura para o coitado. E o pior de tudo... O pior de tudo é que ele não tinha nada a ver com a história.

 

Vai acabar sobrando pra ele, o coitado. Não tinha nada a ver com a história e vai pagar o pato.

 

Você tira pelo peso dos passos do dono da casa. E cada passo mais forte a cada gota. E cada gota mais perto da boca do balde, coitado. Só de pensar que ele não tinha nada a ver com a história...

 

Você tira pelos pesadelos do balde. Coitado do balde. Não tinha nada a ver com a história e já sofria de sonhos premonitórios. Temia, sobretudo, pelo chute. Sim, o chute! O chute criador. Faça-se o maremoto, o caldeirão, o tsunami, o raio que o parta!

 

E partiu. Partiu meu coração... Ninguém ao menos sabe pra onde foi a gota d’agua. Deve ter fugido pelo ralo. Mas o balde, coitado, está lá, todo estraçalhado. Nem parece aquele balde...

 

Eu já disse pra você que ele não tinha nada a ver com a história?

 

 

 

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E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Caso Huck x Ferrez. A versão do Rolex

Quem vocês pensam que são, ignóbeis criaturas das duas patas, das duas caras?

 

Tenho cá pensado com meus ponteiros: por qual louca razão vocês dizem que meu dono foi roubado, quando na verdade eu que fui vítima de seqüestro?

 

Não, eu não merecia passar por isto. Nunca fui tão humilhado como agora. Não tanto porque ninguém pagou meu resgate. Mas sobretudo porque ninguém pediu meu resgate!

 

Eu exijo, portanto, dia e hora para me reconhecerem como a verdadeira vítima dessa história toda. Não quero nem ouvir falar de garoto mimado, nem de rapista metido. Ninguém está preocupado com meu paradeiro. Ninguém sabe que fui vendido no mercado negro por menos da metade do que valho.

 

Mas eu bem sei que o mundo dá voltas. Vocês, bípedes insanos, devem reconhecer que não passam de meus escravos. Vocês dependem de mim para tudo. E há tempos, vocês já se viciaram no barulho hipnótico de minhas catracas.

 

Admitam. Eu jogo as cartas. Eu marco as horas. Eu domino o jogo. E boto vocês todos para correr...

 

Ao invés de ficarem por aí querendo saber quem é culpado, alienado, elite, fascista, burguês, insensível, olhem para os seus próprios pulsos e vejam quem é que manda.

 

Um dia, ainda chuto o balde. E vocês verão que não podem jamais abdicar de mim...

 

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E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

10 perguntas para Márcio Benjamin

O que eu poderia dizer sobre Márcio Benjamin?

 

Simplesmente, que ele é um excelente escritor de contos de terror e de mistério! Tem uma linguagem ao mesmo tempo enxuta e densa, repleta de significados. Ou seja: diz muito com poucas palavras.

 

Recentemente, ele teve seu conto Adormeça incluído na coletânea nacional de contos de terror Noctâmbulos.

 

Elaborei 10 perguntas para Márcio Benjamin. Veja as opiniões dele sobre medo, culpa, paixão, literatura fantástica e muitos outros assuntos!

 

1- Contos Bregas - Qual sentimento é mais devastador: a culpa, a paixão ou o medo?
Márcio Benjamin - De uma forma terrível, a culpa. De uma forma boa, a paixão. A culpa é um dos mais clássicos exemplos de culpa nas artes. Crime e castigo, por exemplo, em que um assassinato consome de culpa o personagem principal. 

 

2. CB - O medo previne ou acovarda?
MB - Depende de até onde você deixa-o ir.

 

3. CB - O que você faria se fosse tele-transportado para o mundo dos personagens de seus contos de terror?
MB - Enfiaria o pé na jaca, porque eu teria a certeza de que estava fudidaço!

4. CB - O que você faria se os personagens dos seus contos de terror fossem tele-transportados para o seu mundo real?
MB - Deixaria-os à vontade trancados no apartamento dizendo que voltaria mais tarde. E me mandaria ao trabalho, como todo dia.


5. CB - O que é mais amedrontador no mundo?
MB - Definitivamente, a solidão.


6. CB - Você já sentiu medo lendo algum livro? Qual? Por quê?
MB - Nossa! Vários do Stephen King, como o cemitério, sombras da noite, uns contos do Lovecraft, umas coisas do Cortazár. Porque, absurdos ou não, esses caras conseguiram me arrastar e me fazer acreditar no mundo deles.  


7. CB - Você acredita no mal como entidade ou força autônoma?  
MB - Uma força autônoma que vive dentro de nós.

 

8. CB - Você acha que, assim como o mal, o bem também pode ser uma tentação?

MB - Pode. E nem sempre uma tentação boa. Quando nos sentimos tentados a ajudar quem não merece, e por causa disso, acabamos perdidos.

 

9. CB - O que há de mais real na literatura fantástica?
MB - A sátira. A crítica nem sempre óbvia. O surreal que tanta vezes passa despercebido em nosso cotidiano.


10. CB - O que há de mais fantástico na vida real?
MB - Como dizia Caio Fernando Abreu: "o fato de estarmos vivos".

 

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- Entrevista com Gabriel Ramalho, do blog Silenzio, no hay banda

 

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Sobre privacidade e carros hipnotizáveis

1- Comentário de Francisco Miguel ao meu post Como seria o mundo sem privacidade?

 

[Francisco Miguel]
“Lembro-me perfeitamente que em 1991, um grande escritor brasileiro escreveu "Brevemente a humanidade tomará conhecimento dos fatos íntimos de cada criatura". Veja bem, ele escreveu isso em 1991, quando nem sonhávamos ainda com Internet. O Orkut, por exemplo, tem me ensinado coisas a respeito dos outros que eu nunca antes havia imaginado. A Web Cam, que já existia nos seriados de ficção dos anos 60, está sendo muito utilizada para fins sexuais, algo que eles (os autores dos seriados de TV dos anos 60) não haviam previsto. Já pensou, por exemplo, se os pernonagens de "Jornada nas Estrêlas" mostrassem a bunda naquelas telinhas de vídeo-conferência, em plenos anos 60? Não passaria na TV brasileira nem a pau!”

 

Particularmente, eu acho que a Internet é apenas o começo da invasão da privacidade. Como disse no texto, a privacidade somente será verdadeiramente ameaçada quando for possível invadir a mente das pessoas. A “fronteira final”, famoso bordão do seriado “Jornada nas Estrelas”, nada mais é do que a mente humana!

 

E você? Como você acha que seria o mundo sem privacidade?

 

2- E-mail de Adeilton Rigaud para mim:

 

Thiago,

Segue texto que li na internet e lembrei-me de um conto do seu livro...

Abraço,

Adeilton Rigaud

 

O texto que Adeilton leu na Internet foi este: Terapia de milhas passadas - Fiat 147 se manifesta em sessão de hipnose e pede justiça, de autoria de Mirna Bom Sucesso.

 

O meu conto com o qual ele achou esse texto parecido foi “Fuscão Preto”, baseado na canção homônima de Almir Rogério. Veja só um trecho:

 

“Mas o que se passou naquela parede alva fora ainda muito mais aterrorizante do que teria sido o soar da buzina viva! Nela, vi o reflexo da luz dos faróis, piscando intermitentemente, numa sucessão de pulsos luminosos que alimentavam, cada vez mais, meu pavor paralisante. Uma onda de calor subiu-me pela garganta, até invadir-me a cabeça e minhas já frágeis conexões neurais. Esforcei-me para não me deixar escapar os sentidos. Mas a cada instante percebia-me numa viagem inevitável da luz às trevas, e o negro austero do Fuscão foi contaminando, pouco a pouco, a brancura límpida da parede; até que minha consciência já se afogara na escuridão total!”.

 

É, amigos. Os carros também são gente! Eles também morrem e nascem de novo. Pode anotar que há uma seqüência reencarnatória entre Fiat 147, fuscão Preto, Brasília Amarela, Belina Mamão, e muitos outros automóveis por aí. Mas não se assuste quando andar em um...

A 5ª frase da página 161 do primeiro livro que peguei na minha frente

Recebi de Gabriel Ramalho esta corrente:

 

1. Pegar um livro próximo;
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs

 

A frase que vou usar foi retirada do livro mais próximo que encontrei, guardado numa gaveta do meu criado-mudo. É a seguinte:

 

“Com o surgimento da tecnologia, esta imagem simples foi alterada tornando-se irreconhecível”.

 

A frase está no capítulo “Idades de Abundância”, do livro “Perfil do Futuro”, de Arthur C. Clarke, o mesmo autor de “2001, uma odisséia no espaço”, livro que embasou o filme homônimo de ficção científica.

 

“Perfil do futuro” é um dos melhores livros que já li em minha vida. Escrito na década de 50, o autor faz um exercício de futurologia, com a mente totalmente aberta e vazia de preconceitos, e com um repertório de conhecimentos científicos de fazer inveja. Ler este livro em 2008 será muito interessante, pois verá que muitas das apostas dele já se realizaram.

 

Em breve, farei mais posts sobre este livro. Inclusive, explicando mais sobre esta “imagem simples” que se tornou irreconhecível com o surgimento da tecnologia...

 

Repasso a corrente para os seguintes blogs:

 

Marlos Apyus, Patrício Jr., Pablo Capistrano, Carlos Fialho e Márcio Benjamin

 

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Minha entrevista para o blog musicapopulardobrasil

O amigo Josué Ribeiro entrevistou-me para seu blog musicapopulardobrasil. Ele me fez estas 25 perguntas aí embaixo. Para ler as minhas respostas, vá lá.

 

  1. Vamos começar pelo que normalmente se pergunta no fim. Quando sai o próximo livro? Já tem nome?
  2. Fale um pouco mais sobre como será cada um dos projetos.
  3. Como era o thiago na infância? Era rico, pobre ou remediado? (duas perguntas)
  4. A partir de quando você começou a ler, e quais foram os primeiros livros lidos, ainda na infância?
  5. A educação que você recebeu no ensino fundamental, influenciou na sua escolha pelo caminho da literatura?
  6. Você atua como jornalista? De que forma?
  7. Você realmente gosta das músicas que te inspiram nos contos ou ouve-as apenas para tal?
  8. Para o leitor que te acompanha pelo blog e pelos livros, passa a impressão de que o thiago tem duas visões da vida: uma cômica e outra trágica. É assim mesmo ou minha lente está embaçada?
  9. Descreva como foi seu dia, da hora que você acordou até o momento em que responde esta pergunta.
  10. Que métodos você usa para escrever? Segue alguma disciplina?
  11. Existem muitos escritores jovens no brasil, assim como há muitos manuscritos guardados em gavetas. Explica passo a passo, sua trajetória da criação a publicação do primeiro livro.
  12. Você é o escritor que eu conheço, que é também o maior relações públicas da própria obra. O que falta para a obra de um escritor (ainda) regional, tão bom como thiago de góes, tornar-se acessível nacionalmente?
  13. Cite os escritores que admira. Se possível relacione à obra.
  14. E dos cantores? De quem mais gosta?
  15. O que há de novo e interessante na música?
  16. Este blog foi criado para armazenar informações sobre a vida e a obra de artistas populares, vítimas de preconceitos determinantes, artistas que receberam de críticos precipitados, alcunhas pejorativas como brega, cafona, ruim e regional. Sem querer reafirmar o preconceito, brega é a palavra certa para pôr no mesmo nível, cantores como odair josé, adelino nascimento e genival santos?
  17. Quantas pessoas já leram seus livros?
  18. Além do bartô galeno, que leu o conto na minha frente e adorou, algum outro cantor que você musicou já leu o livro? Fale sobre isso.
  19. Qual diferença há, entre natal e fortaleza? É difícil optar entre dois paraísos?
  20. Falando da internet. Na sua visão, destrinche o pior e o melhor da rede.
  21. Quais sites e blogs você consulta e recomenda?
  22. Seu atual livro, “lobas, deusas e ninfetas”, já lhe proporcionou:
  23. : e os jovens escribas, o que é?
  24. Não se assuste com a pergunta, ela é pueril. Você já deu muitas bundacanascas e cambapés? Se não souber, pergunte para um cearense de origem interiorana.
  25. Encerre a entrevista do jeito que achar melhor.

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O celibato obrigatório é uma violência contra o ser humano!

Tenho certeza que você já vivenciou ou presenciou a seguinte cena:

 

Na praia, um grupo de crianças enfileira-se numa linha imaginária. Eles se agacham e se colocam na posição de corrida. Um deles inicia uma contagem regressiva e diz “JÁ!”. Antes de alcançarem a primeira onda, porém, alguém mais afoito grita:

 

“O último a chegar é a mulher do padre!”.

 

Pois é. Desde cedo, as crianças aprendem que aquele que casa os outros não pode casar-se. O padre casado é uma figura tão exótica no imaginário infantil, que sua mulher é relegada aos últimos lugares no teatro do prestígio social.

 

E não há nada mais injusto.

 

O celibato obrigatório é uma violência contra o ser humano!

 

E digo mais:

 

O celibato obrigatório é culpado por grande parte da pedofilia na igreja!

 

E não me interprete mal. O celibato não é uma violência, mas a sua obrigatoriedade, sim! Portanto, quando me posiciono contra o celibato obrigatório não estou dizendo que todo padre deve casar. De maneira nenhuma. Casa quem quer. Quem não quer não casa. Muito diferente do que acontece hoje, quando sai da igreja aquele que quer contrair matrimônio.

 

Pensei nisso quando li a matéria da Istoé, Ataque ao celibato. Nela, fiquei sabendo que no Brasil existe um Movimento dos Padres Casados. Que tem meu total apoio!

 

E, para quem não sabe, inúmeros padres casados vão se reunir em Recife, entre os dias 10 a 13 de janeiro de 2008, quando acontece XVII Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados.

 

Entre outras coisas, eles vão debater:

 

A) A vivência familiar, profissional e política dos padres casados

B) A vivência de igreja dos padres casados e suas famílias

C) A Missão dos padres casados e suas famílias

 

É isso aí. Quem casa também quer casaR!

 

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10 perguntas para Marlos Apyus, um blogueiro de atitude!

Eu já estava pensando em como apresentar Marlos Apyus para você. Mas quando li este comentário no blog dele, decidi que ninguém poderia apresentá-lo melhor:

 

Comentário sobre Um maconheiro incomoda muita gente por Carol

segunda-feira, 8 de outubro de 2007, 21:10:43 | Carol

Oi Marlos. Voce sempre me surpreende. Mas a coisa que mais me surpreende é que vc é , de fato, independente. É muito raro encontrar lucidez hoje em dia, lucidez e autonomia, ai nem se fala. (Para mim) pouco importa a sua opinião sobre maconha ou maconheiros. O que importa é que vc tem conduta e pensamento próprios. Congrats

 

Então você já deve ter percebido que se trata de um blogueiro de atitude. Vejam as respostas de Marlos Apyus para 10 perguntas que fiz:

 

1. Contos Bregas - Na sua opinião, qual a função social da polêmica? Por que ela é uma tentação?
Marlos Apyus - Para ser bem sincero, detesto polêmica. Fujo dela como o diabo da cruz. Já perdi literalmente noites de sono por conta de opiniões mais polêmicas que dei. Já paguei de racista, de pseudo-intelectual, de irresponsável, de infantil e mais alguns adjetivos ruins. Já perdi amigos, amigos próximos e amigos bem próximos. Mas acontece que só me sinto tentado a escrever quando penso ter em mente algo que ninguém escreveu, ou que, se escreveu, necessita de uma amplificação. Porque não gosto do mundo em que vivo. E num caso assim, ou mudo o mundo, ou mudo a mim mesmo. Já tentei esta segunda opção. Mas não consegui. Não consigo aceitar corrupção, desleixo, desonestidade e uma porção de tantas coisas. Assim sendo, resta-me tentar mexer com os brios alheio. E minha arma tem sido a palavra.

2. CB - Qual seu texto mais polêmico?
MA - Lembro de um que escrevi acerca de um evento com bandas de rock em Natal que gerou bastante comentário porque coloquei em debate a qualidade da música feita no Estado. Quando defendi que todos nós somos racistas e precisamos aprender a lidar melhor com o racismo, também foi algo complicado. Recentemente, minha postura contra os usuários de droga tem feito certo barulho. E casou coincidentemente com a pauta lançada pelo filme "Tropa de Elite". Juro que só soube do tema tratado pelo longa já depois de ter escrito sobre mesmo tema em meu blog.

3. CB- Algum comentário no seu blog já fez você mudar de opinião sobre determinado assunto? Qual?
MA - Um comentário específico eu não lembro. Mas sempre me disponho a mudar de opinião, desde que os argumento sejam feitos com bom senso. Já pedi que me ajudassem nos comentários a escolher um bom candidato a Deputado Federal também e a discussão foi bastante produtiva. O resultado é que mudei meu voto para senador. Mas o que mais muda minha opinião são textos bem escritos em outros blogs. Por exemplo: o modo como Marcelo Tas certa vez defendeu em seu blog as privatizações, me fez pesquisar a respeito e concordar que dependendo da negociação feita, uma privatização pode ser de ótimo resultado para a nação.

4. CB - Algum leitor do seu blog já mudou de opinião por causa dos seus textos? Qual?
MA - Mudar a opinião de alguém é um serviço dificílimo. Noto que sou mais feliz em tentar organizar as idéias e colocar em palavras aquilo que muita gente pensa, mas não sabe como se pronunciar a respeito. Foi mais ou menos o que aconteceu quando defendi a banda Calypso certa vez e recebi um bom retorno dos leitores que se diziam há tempos pensar da mesma forma, mas não encontravam alguém que concordasse.

5. CB - Quem é Lord Audius?
MA - Lord Audius é um dos muito amigos que ganhei por intermédio do blog. Assim como Rodrigo Levino, Andréa Marinho, Renata Bezerra, Thiago Pedrosa, Patrício Júnior, Carlos Fialho e mais alguns outros. Lord Audius, até onde sei, já entrou nos 40, mas mantém o espírito bastante jovem, atento a tudo e a todos. Gosto de todas as suas intervenções nos comentários, além de outras por e-mail.

6. CB - Você está escrevendo um livro? Sobre o quê?
MA - Com 14 anos de idade escrevi um livro no colégio que fez um certo barulho. No final, era uma bobagem. Mas consegui amarrar uma narrativa que, creio, meus colegas de turma não conseguiam ainda. Desde então tenho sido cobrado para lançar um livro meu. Com os Jovens Escribas, essa pressão cresceu ainda mais. Mas tem sido difícil pela falta de tempo. E também pelas cobranças que me faço. Só lançarei um livro quando no mínimo eu mesmo tiver gostado do que escrevi. E após 8 primeiros capítulos, ainda não atingi esse grau. Essas 8 tentativas contemplavam desde uma tentativa de reescrever a Bíblia nos dias atuais até compor um suspense nos moldes de Bruxas de Blair, só que em papel. A idéia que atualmente trabalho seria uma colagem de pensamentos soltos que aparentemente não se interligam, mas que defendem ao final uma idéia única. Deste finalmente estou gostando.

7. CB - Você já disse num post que você não é roqueiro. Você também não é blogueiro? O que mais você não é? E o que você é?
MA - Também não sou maconheiro. Ou filiado a qualquer partido (apesar de ter me encantado com a postura do PDT nas últimas eleições). Se deixar rotular é uma merda. Se eu sou roqueiro, não pega bem defender mais à frente a banda Calypso. Se sou petista, não pega bem esculhambar Fátima Bezerra por ter aprovado a continuidade da CPMF e aplaudir Filipe Maia por ter feito o oposto. Eu quero ter a liberdade para criticar quando achar que algo merece ser criticado. E de elogiar também.

8. CB - Qual a opinião mais imbecil que você já ouviu ou leu?
MA - Há mais ou menos 10 anos a revista Veja deu duas páginas para uma garota falar mal de quem usava pochete. O problema não foi falar mal, mas sim o tom de sua argumentação. Não rimava com o que se pretendia a revista. Mas para não ficar num exemplo tão fútil, sempre me incomoda quando vejo brasileiros detonando a Argentina, os argentinos e seu futebol. Tenho vários amigos argentinos e todos eles são de um caráter raro por essas terras. Sem contar que nos admiram para caramba. E sabem muito bem separar o futebol da realidade.

9. CB - Você nunca teve receio ao defender uma opinião altamente impopular ou politicamente incorreta?
MA - Já meio que respondi isso. Só para acrescentar, tenho tomado coragem para escrever sobre um tema que quase ninguém irá concordar, tenho certeza. Falo dos males que uma criança traz para uma família, ou principalmente para casais que nem família constituem e que todos nós, às vezes gentilmente, muitas vezes hipocritamente, ignoramos e preferimos parabenizar. Uma criança prejudica muita gente. Mais até do que maconheiros.

10. CB - Que recado você deixa para os leitores dos Contos Bregas?
MA - Não usem drogas, nem tenham filhos, olhem com mais carinho para os argentinos (mas jamais votem num escroto como o Kirchner). E sejam, acima de tudo, honestos.

 

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Entrevista com Gabriel Ramalho, do blog Silenzio, no hay banda

 

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Pague o quanto quiser, desde que... Caso Radiohead Parte II

O comentário do amigo e escritor Patrício Jr. ao meu post falando mal do RadioHead resumiu as inúmeras críticas que recebi por e-mail:

 

[patrício jr] [www.blogdopatricio.blogspot.com]
Puxa, Thiago, deixa de ser ranzinza. É um avanço o que os caras estão fazendo. E o Radiohead é massa!

 

Então lá vai o mea culpa:

 

Na verdade, eu concordo e até aplaudo a decisão de vender as próprias músicas pela Internet, eliminando, desta forma, a intermediação das gravadoras. Agnaldo Timóteo já fez muito mais do que isso tempos atrás: foi cantar de graça em plena praça pública e levou seus cds para vendê-los pessoalmente aos seus fãs.

 

O que eu discordei, e continuo discordando, foi o fato de a banda transferir para o consumidor a decisão de definir o preço justo, quando na verdade há um limite mínimo de preço e uma taxa de administração.

 

Analise bem e decida se isto não é propaganda enganosa. O sujeito bota um produto à venda e diz “você paga o quanto quiser”. Aí você responde “tudo bem, então eu não quero pagar nada”. Então o vendedor fala “mas pera aí. O negócio não é bem assim”. E você retruca: “mas você não disse que eu pagasse o que quisesse? O que eu quero é justamente isso: pagar nada”. Só então o vendedor põe as cartas na mesa: “mas existe um preço mínimo e também uma taxa de administração. É só daí pra cima que você pode dizer o preço!”.

 

Eu nunca gostei de fazer as coisas pela metade. Se é para o consumidor pagar o quanto quiser, que realmente pague o quanto quiser, sem limites ou condições. Parece redundante dizer isso, mas neste caso, não.

 

Eu não me refiro aos valores, que alguém pode argumentar serem irrisórios ou simbólicos. Não importa se estamos falando de centavos. O que importa é a atitude! Sabe quando você vê aquelas propagandas que prometem benefícios surpreendentes, mas escondem condições absurdas em letras minúsculas perdidas num canto obscuro do anúncio? Pois é disto que estou falando!

 

Gato por lebre, você deve ter pensado. Isso mesmo. Acho que Leandro Fortino, autor da reportagem Radiofree da caderno Folhateen (disponível apenas para assinantes), também pensou igual. No lead de sua matéria ele diz:

 

“No mundo capitalista de uma banda rica como a inglesa Radiohead, nem relógio trabalha de graça. Portanto é bem suspeita a estratégia de venda de músicas pela Internet armada pelo grupo na quinta passada”. 

 

Leandro chamou atenção para a extrema conveniência do fato de que as músicas postas a venda serem canções experimentais e muito pouco comerciais e que já estavam disponíveis no Youtube.

 

E ele ainda ensinou uma brecha para baixar “In rainbows” de graça:

 

“Após acessar www.radiohead.com, siga as instruções; ao chegar à página em que você decide quanto pagar, preencha com dois zeros cada um dos campos em branco; não será pedido número de cartão de crédito”.

 

Para terminar a discussão, lembrei-me que certa vez estava passeando no calçadão da praia de Iracema, em Fortaleza (CE), onde costuma se apresentar uma daquelas estátuas humanas, pintadas de prata e surpreendentemente imóveis. Em poucos minutos, vi pessoas colocarem moedas e notas de valores diversos. Alguns, inclusive, pararam, observaram, gostaram do que viram e foram embora sem pagar.

 

Eu sei que a situação não permite às estátuas humanas falarem. Mas tenho certeza que se pudessem não cobrariam daquele que não pagou, nem reclamariam dos que pagaram pouco.

Aí está: o verdadeiro e autêntico “pague o quanto quiser” é praticado pelos artistas de rua. Humildes, eles não cobram taxa de administração nem preço mínimo. Eles não têm site na Internet, nem fazem shows para platéias gigantes, nem são conhecidos no mundo inteiro. Mas talvez tenham algo a ensinar aos amigos do Radiohead...

 

A repercussão do artigo foi tanta que eu decidi colocá-lo numa nova categoria aqui do blog: Textos polêmicos!

 

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Pague o quanto quiser, desde que não seja o que eu não quero que você pague! O caso RadioHead

As mais engraçadas “melôs” de todos os tempos

Essa eu tirei da comunidade O Templo do Brega, no Orkut. Lá, tem um tópico muito divertido sobre as famosas melôs. Eu definiria melô como uma canção cujo determinado trecho pode obter outras significações se interpretadas isoladamente.

 

Quem já não se deparou com uma melô?

 

Pois bem, eu entrei no tópico e resumi todas as melôs lembradas pelos membros da comunidade. Vamos direto ao assunto. E quem souber de mais alguma é só dizer. Então lá vai:

 

Melô da quarentona: "Nada do que foi será, de novo de um jeito que já foi um dia..." (Lulu Santos)
Melô do D. Pedro I: "Procuramos independência, acreditamos na distância entre nós..." (Capital Inicial)
Melô da mulher galinha: "Fácil, extremamente fácil, pra você e eu e todo mundo..." (Jota Quest) Melô do mutante apaixonado e cheio de amor para dar: Tenho / mil braços para abraçar-te / mil bocas para beijar-te / mil noites para viver/ sim, sim, sim, sim! (Sidney Magal)  

Melô do surfista tarado: "Como uma onda no maaaaar...."  (Lulu Santos)

Melô da Festa de Japoneses: "São tantas coisinhas miúdas..." (Maria Bethânia)

Melô do leproso 1: "Jogue suas mãos para os céus... "

Melô do leproso 2: oh, pedaço de mim. oh, qual pedaço arrancado de mim....”
Melô do piolho: "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos..." (Roberto Carlos)
Melô do cardíaco: "Alguma coisa acontece no meu coração..." (Sampa)
Melô da pulga: "vou te caçar na cama sem segredos"
Melô da minhoca: "Por que me arrasto aos seus pés..."  

Melô do sexo anal: "Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz. Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer, você resistir e sorrir..."
Melô do câncer de mama: Era um peito só, cheio de promessa, era só era um peito só...  

Melô da vaca menstruada: "Vermelhou, no curral..."

Melô do fofoqueiro: "Como vai você? Eu preciso saber da sua vida...."

Melô do Cocô: Você foi saindo de mim/ Devagar e pra sempre/ E ainda está saindo.../ definitivamente!
Melô do míope: ''Eu andei errado, eu pisei na bola'' (SPC)
Melô do cara que fez plástica: ''É, minha cara, eu mudei minha cara, mas por dentro eu não
mudoooooo'' (João Mineiro e Marciano)
Melô do japonês: '' Meu pintinho amarelinho, cabe aqui na minha mão, na minha mão''

Melô do peito de silicone mal operado: “Descobri que não tem jeito, vou tirar você do peito, você só me machucou...”.

Melô da fimose: “Que que há com essa cabeça? (Fábio Júnior)
Melô da virgem 1: “rasgando tomando meu corpo, chorando, sorrindo, gritando feito louca alucinada e criança, sentindo seu amor me disfarcar...”. (Maria Bethânia)

Melô da virgem 2: “Estou guardando o que há de bom em mim/ Para lhe dar quando você chegar”

Melô da Virgem 3: "Como é que uma coisa assim, machuca tanto..." (Só Pra Contrariar)
Melô da biba: “vamos abrir a roda, enlarguecer/ tá ficando apertadinho meu amor/ abre a rodinha...” (Sarajane)
Melô da plástica mal feita: “Nada ficou no lugar”. (Adriana Calcanhoto)

Pague o quanto quiser, desde que não seja o que eu não quero que você pague! O caso RadioHead

Outro dia contratei um encanador para resolver um vazamento no banheiro. Ao ver que o problema decorria apenas de peças mal colocadas, que não precisariam ser trocadas, o profissional respondeu da seguinte forma, quando lhe perguntei quanto custara o serviço:

 

“Pague o quanto quiser, senhor”.

 

Eu tinha pouco dinheiro trocado na carteira e entreguei todas as notas miúdas de que dispunha. Percebi, no entanto, o olhar de reprovação do encanador, ao receber o pagamento. Com certeza, ele achara pouco.

 

Deixar um produto ou serviço com preço aberto é uma atitude muito estranha. Principalmente quando as expectativas não são tão abertas assim.

 

Em outras palavras: se eu posso pagar quanto quiser, meu credor não tem direito de reclamar do pagamento. Ele abdicou da responsabilidade de decidir o preço justo, passando-a para mim.

 

Ele tinha outras opções de cobrança, muito mais justas e menos hipócritas. Se achasse, por exemplo, que o serviço foi tão mínimo, poderia ter simplesmente dito que não cobraria nada. Se não ficasse à vontade para dispensar o pagamento, que especificasse um valor pequeno. E, por fim, se teimasse em jogar para mim a decisão de quanto pagá-lo, que não reclamasse depois, pois seria uma enganação.

 

Lembrei-me desse caso ao ler a notícia de que a banda Radiohead disponibilizou seu álbum In Rainbows para download pago e jogando para o consumidor a decisão de quanto pagar.

 

Minha experiência prévia alertou-me que decisões desse tipo não costumam ser muito sinceras. Minha desconfiança confirmou-se quando vi que havia condições para a realização do negócio.

 

Primeira condição: há uma taxa de administração. O consumidor deve pagar 0,45 libras, valor que deve se referir aos custos de transmissão do arquivo. Mas é uma taxa. E seu valor não foi definido pelo comprador.

 

Segunda condição: há um limite mínimo de pagamento. O consumidor deve pagar no mínimo 1 centavo de libra esterlina. E não se pode nem dizer que este é o menor limite possível, já que a libra não é a moeda menos valorizada no mundo. Uma libra vale mais do que um real, para ficar num exemplo mais próximo de nós. Este limite também não foi definido pelo consumidor.

 

Ou seja: pague o quanto quiser, desde que pague. Ou para ser mais específico: pague o quanto quiser, desde que não seja o que eu não quero que você pague. E eu só não entendo por qual motivo a oração iniciada por “desde que” costuma aparecer com muito menos destaque do que a que se inicia com “pague”.

 

Não existe, portanto, a opção “pagar nada”, muito embora você possa argumentar que esta expressão é naturalmente contraditória. Pode até ser, mas seria uma questão meramente lingüística. Na verdade, se lhe foi dado o direito de decidir o valor do produto, deveria estar disponível o valor zero.

 

Se você analisar bem, a condição “desde que pague” é um recado muito mais conservador do que liberal. Ela é um soco no download gratuito e não seria exagero dizer que também atende aos interesses da indústria da música. Não me espantaria se a própria indústria passasse a usar dessa artimanha.

 

Eu chamo de artimanha, pois a atitude contém um viés psicológico, que convenientemente produz e se aproveita de um sentimento de culpa do consumidor, que pode pensar assim:

 

“Pôxa, os caras aceitam qualquer valor pelo trabalho deles. Eles confiam no meu bom senso. Eles confiam em mim. Seria uma sacanagem baixar suas músicas de graça!”.

 

Definitivamente, não poderia haver arma “secreta” mais poderosa contra a ideologia do download gratuito.

 

E veja bem (eu sempre quis dizer veja bem num post). Não estou defendendo que todos os artistas devem liberar sua obra gratuitamente para o público.

 

Mas pense comigo. Se o artista não é conhecido, a distribuição gratuita de mp3 é a melhor forma de divulgação possível. O mundo está cheio de casos de bandas que “cansaram de ser sexy”, botaram suas músicas na Internet e conquistaram o merecido sucesso.

 

Pergunte às bandas de techno-brega lá do norte quanto eles ganham vendendo cds de mp3 na porta dos shows. Pergunte a eles como eles conseguiram criar seu próprio mercado musical, à revelia da indústria.

 

E se o artista é famoso, consagrado e milionário, ele já não depende tanto da venda de cds e dvds. Lucra muito com shows. Muito mesmo. Eles já chegaram num estágio que a maior fonte de renda é serem vistos e ouvidos ao mesmo tempo, ao vivo. Poderiam desprezar um pouco o lucro de cds e dvds, como forma de aumentar a circulação destes produtos e, conseqüentemente, aumentar também o público-alvo.

 

Dessa forma, a importância da venda de cds e dvds ainda estaria para os artistas de fama intermediária, nem tão anônimos, nem tão famosos assim.

 

Suspeito que a esta altura, você já esteja me xingando de pão-duro, mão-de-vaca e por aí vai. Não se trata disso. Não sou avarento. Apenas não gosto de ser enganado.

 

Se é para eu pagar quanto quiser, que se aceite realmente que eu pague o quanto quiser. Mesmo que eu queira pagar nada.

 

Do contrário, não venda. Ou venda, mas cobre. Uma coisa ou outra. O meio termo, neste caso, não existe!

 

Eu ainda não vi ninguém reclamar de alguém que não foi trabalhar no ponto facultativo...

Bartô Galeno para vereador de Mossoró (RN)

Quem avisou foi Pedro Carlos:

 

O cantor Bartô Galeno será candidato a vereador de Mossoró (RN), nas eleições do ano que vem, pelo PSDB.

 

Além de ser um dos reis do brega brasileiro, Bartô Galeno é leitor dos Contos Bregas.


Você quer ver a revista da Mônica inteirinha, com todas aquelas imagens?

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Sobre a suposta violência das cantigas de roda e suas inusitadas versões

Tudo bem, eu concordo. As letras das cantigas de roda são mesmo violentas.

 

Se você duvida disto, talvez não ache tão violento atirar o pau no gato, mesmo que ele não morra e Dona Xica apenas se admire do berro dele.

 

E também não tenha pena do soldado, que foi preso no quartel porque não marchou direito. Nem daquele que não soube remar e, por culpa dele, a canoa virou. Nem da rosa, coitada, que brigou com o cravo.

 

Sem falar na menina, que tinha medo de careta e foi pega impiedosamente pelo boi da cara preta. E o menino que, sozinho em casa (a mãe foi pra roça, o pai foi trabalhar), teve que dormir para não ser pego pela monstruosa cuca? E a outra, que foi jogada no lixo, só para rimar com carrapicho?

 

Mas não sejamos tão paranóicos. Estas cantigas de roda não fazem mal a ninguém. Se eu fosse você, eu temeria muito mais estes modernos videogames de hoje em dia, que derramariam sangue se pudessem ser espremidos, como antigos jornais da imprensa marrom.

 

As letras das cantigas de roda, ou canções de ninar, podem ser tristes ou violentas, mas é como se estivessem preparando as crianças para o lado cruel da realidade, que certamente encontrarão no decorrer da vida.

 

Outro dia, estava pensando em canções populares que têm letra triste e melodia alegre. É o caso de Coração de Luto, sucesso de Teixeirinha injustamente apelidado de Churrasquinho de Mãe. É também o caso de muitos forrós do mestre Luiz Gonzaga.

 

Então me perguntei se alguém já não teria feito versões animadas das cantigas de roda. Procurando pela Internet, achei o cd Cantigas de Roda, de Mastruz com Leite, uma das primeiras bandas que despontou no “forró moderno”, mas sem abandonar por completo alguns elementos do forró pé-de-serra.

 

Tenho certeza que você vai gostar de ouvir cantigas de roda em ritmo de forró. E não precisa ir até a loja de cds mais perto de sua casa para comprar a obra. Basta entrar no site oficial da banda Mastruz com Leite e pedir para fazer o download gratuito do cd Cantigas de Roda. É, amigos, você leu certo mesmo. Eu disse download gratuito. Em tempos de Hadiohead vendendo cds pelo preço que o consumidor quiser pagar, ninguém imaginaria que uma famosa banda de forró disponibilizasse seus discos na Internet.

 

Taí um bom presente para você dar para seu filho neste Dia da Criança!


01. Atirei O Pau No Gato
02. Marcha Soldado
03. Criança Feliz
04. Pai Francisco
05. Escravos De Jó
06. Samba Lê, Lê
07. Eu Fui Ao Tororó
08. Ciranda, Cirandinha
09. Caranguejo Não É Peixe
10. O Cravo Brigou Com A Rosa
11. A Canôa Virou
12. Eu Sou Pobre, Pobre De Marré, Marré
13. Terezinha De Jesus
14. Nesta Rua Tem Um Bosque
15. Carneirinho, Carneirão
16. Peixe Vivo 
17. Pirulito Que Bate, Bate
18. Onde Está A Margarida
19. Capelinha De Melão
20. Boi Da Cara Preta

Um Dia da Criança para ressuscitar a criança em cada adulto

Lembro-me que, ainda criança, sempre estranhava a conversa complexa dos adultos.

 

Eu tentava, por exemplo, acompanhar o exato instante em que uma conversa iniciava. Na verdade, eu achava tudo aquilo muito sinistro.

 

Os adultos se reúnem e de uma hora para outra já estão conversando sobre política, futebol, mulheres. “Como eles começaram a conversar sobre isso?”, eu me questionava. “Será que alguém chegou e disse ‘agora, vamos falar sobre tal coisa’?”.

 

Aquela informação era muito importante para mim. Era mais difícil presenciar o início de uma conversa entre adultos do que uma flor desabrochando. Porque aqueles diálogos indecifráveis dos adultos seguiam uma teia interminável de assuntos e suas inesperadas ramificações, que a mim era totalmente impossível saber, por exemplo, quando a conversa tomara outro rumo, quando já se mudara de assunto.

 

Interessante lembrar disso agora que tenho 29 anos e já posso ser considerado “gente grande”, como dizíamos quando tínhamos nove. Será que minhas conversas de hoje ainda causariam estranheza ao Thiago criança?

 

Agora, faço uma pausa.

 

Pois esta última pergunta pegou-me de surpresa. Falar do Thiago criança como se fosse uma coisa distante causou-me certo estranhamento. Qual a última lembrança que você, adulto, tem de sua infância? Você pensa nisso?

 

Ou será que você já esqueceu que um dia foi criança?

 

Acho até que a pergunta está mal feita. Vou reformular: Será que você esqueceu da criança que HÁ em você? A frase é brega, mas este é um blog brega: todos nós temos uma criança em nós. Nunca esqueça dela. Não cometa este aborto existencial!

 

Do contrário, nunca mais saberá o instante exato e mágico no qual uma criança começa a brincar, ou no qual muda de brincadeira, ou de brinquedo.

 

Aproveitemos, pois, este Dia da Criança para ressuscitar ou reavivar a criança de cada adulto.

 

Mas porque foi mesmo que eu comecei a falar sobre isso?

Nando Reis é brega?

Aviso aos fãs de Nando Reis. O autor deste blog considera brega um ELOGIO!

 

Quando Nando Reis saiu dos Titãs, eu não acreditava que ele pudesse brilhar em carreira própria tanto quanto brilhava no grupo. Estava redondamente enganado!

 

Nando Reis é um excelente compositor e cantor. Suas músicas têm forte conteúdo narrativo e uma subjetividade exemplar. Por conta disto, ele é o escolhido de hoje para incrementar o quadro Armário do Brega.

 

Vamos aos precedentes bregas de Nando Reis:

 

- Ele compôs e gravou uma música com Wando, chamada Minhas Amigas. Dá uma olhada só no refrão: “Amigas, que eu trago no meu coração/ que nunca me deixam sentir solidão”.

- Ele também já dividiu palco com Wanderléia.

- Ele compôs um dos rocks mais bregas de todos os tempos: Sonífera Ilha. Vem cá, colar o ouvido num radinho de pilha pra curar dor-de-cotovelo? Essa foi brega demais!

- Ele também gravou My Pledge of Love, canção de The Joe Jeffrey Group que recebeu versão em português cantada por Reginaldo Rossi, chamada Baby, Uma Doce Ilusão.

- Ele também regravou o sucesso Fogo e Paixão, de Wando, aquele do “meu iaiá, meu ioiô”.

- E não sou eu quem está dizendo. Marcos Paulo Bin também já observou que DVD mostra Nando Reis flertando com o brega.

- E agora, Nando Reis também é cronista de futebol. Tem coisa mais brega do que cronista de futebol? E ele tem grande estilo! Veja só um trecho do artigo O jogo como ele é (bem rodrigueano, outro brega), na Coluna Boleiros que ele escreve no Estadão toda quinta-feira:

 

“Às vezes, sinto que tudo que é dito sobre o futebol não vai além de uma especulação, é quase mentira. Só quem está lá dentro entende o jogo como ele é. E ponto”.

 

- Ele mesmo já se declarou “totalmente brega”. Veja só um trecho de uma entrevista de Nando Reis para o site Ego:

 

“Se brega são as canções populares, ou as que falam muito de amor, então eu sou totalmente brega. Falo muito de sentimentos, gosto de música romântica. Mas essa estigmatização, como se fosse uma coisa de má qualidade, com pobreza, é inadmissível. Eu não acho que os bregas sejam assim, nem muito menos eu. Minha música pretende ser popular, eu aspiro à comunicação. Se isso for provocar uma identificação, uma expansão... Está ótimo, sou brega mesmo”.

 

- E para finalizar, veja só este video no youtube no qual Nando Reis fala de sua paixão pela música brega e rejeição ao preconceito do mundo roqueiro.


É, Nando Reis, às vezes eu sinto que tudo que falam sobre música não passa de mera especulação, é quase mentira. Só quem está lá dentro, entende a música como ela é. E ponto.

 

Parece que Nando Reis não cabe mais nas roupas que cabia.

Nem eu.

E você, ainda?

Sobre gerúndios, subjuntivos e outras aporrinhações

Reconheçamos que a ditadura do call center não se limita a desafiar nossa paciência de monge. Além de nos fazer esperar incontáveis minutos e nos obrigar a ouvir aquelas musiquinhas chatas e nos transferir para intermináveis outros departamentos, o call center também costuma praticar assassinato do idioma.

 

Uma vez, liguei para uma empresa que oferece cursos de capacitação profissional. A pessoa que me atendeu pediu-me logo o número do CPF e completou informando que “nós vamos estar fazendo o seu cadastro”.

 

Esse pessoal deve gostar mesmo de falar. Ou então são pagos pelo número de palavras que falam. É a única explicação que consigo achar para o fato de usarem três verbos no lugar de um. Preferem dizer “vamos estar fazendo” no lugar de faremos. Ou para não ser muito radical, vamos fazer.

 

Mas não parou por aí. A pergunta seguinte foi: “Qual seria o seu nome?”. Imediatamente, lembrei-me de minha mãe, que certa vez me disse que meu nome Thiago havia sido escolhido numa disputa com outros nomes bíblicos, que também tiveram sua chance.

 

“Qual seria o seu nome?”, ela perguntou novamente.

“Lucas”, eu disse.

“Lucas de quê?”.

“Lucas de nada”.

“Como assim?”.

“O meu nome seria Lucas, porém meus pais acharam Thiago mais bonito”.

“Ah ta...”.

 

E ela ainda me perguntou qual seria a minha idade...

 

O pior é que a moda pegou. Agora, a mania de usar três verbos no lugar de um, batizada por gerundismo, virou desculpa esfarrapada de assessor incompetente. Ao menos assim deve ter concluído o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda que, cansado de ouvir coisas como “nós vamos estar terminando o relatório”, decidiu demitir o gerúndio, por meio de decreto.

 

Veja só isso:

 

“Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007. Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências. O governador do distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

 

Art. 1º - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.

Art. 2º - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.

Art. 3º - Deste Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

 

Brasília, 28 de setembro de 2007.

119º da República e 48º de Brasília

JOSÉ ROBERTO ARRUDA”.

 

É isso mesmo que você leu. Demitiram o gerúndio! Isso aí é um decreto. Não é um trecho de conto fantástico, não! Eu só espero que, a partir de agora, a gente não comece a trocar o gerúndio pelo infinitivo, como fazem nossos irmãos portugueses, que estão sempre “a cantar”, e nunca “cantando”.

 

Mas esse negócio de demitir gerúndio por meio de decreto não “seria” legal, na minha opinião. Concordo inteiramente com Pasquale Cipro Neto, que agora está Demitindo a ‘demissão’ do gerúndio.

Continua minha saga para dominar o mundo na partida de War


Continua minha saga para ganhar uma partida de War. Dessa vez, minha irmã não vence de jeito nenhum. Eu e meu blog Contos Bregas vamos dominar o mundo. Estou com muita sorte nos dados e minha estratégia está cada vez mais apurada.

 

Veja: em agosto eu tinha apenas 106 exércitos vermelhinhos espalhados pelo tabuleiro. Em setembro, fiz uma troca e minhas peças subiram para 170. Foram 1.901 ataques (visitas) em setembro, contra 1.866 em agosto.

 

Fora o Brasil, já tenho 46 peças em Portugal, 24 nos Estados Unidos, 9 no Japão, e mais uma ruma de exércitos em 16 países (Switzerland, França, Alemanha, Itália, Angola, México, Espanha, Moçambique, Venezuela, Candá, China, Paraguai, Argentina, Uruguai, Holanda e Unidade dos Emirados Árabes). Já dá pra fazer uma copa do mundo!

 

O maior crescimento de minhas tropas foi lá na minha cidade natal, Natal, onde costumo passar o Natal. Deu pra entender? Pois lá, obtive um crescimento de 124,56%. Natal já é a quarta cidade que mais lê os Contos Bregas, atrás apenas de Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza.

 

Minhas estatísticas de guerra no Google Analytics registram as palavras-chaves que mais renderam acessos ao blog: contos quentes, contos femininos, contos, bregas e músicas bregas. E também os sites que mais trouxeram leitores: google, yahoo, blog.uol.com.br e musicapopulardobrasil.blogspot.com.

 

Fora setembro, o mês mais lido foi abril. Deve ter sido por causa do post: Os cinco desenhos animados mais bregas de todos os tempos.

O viés literário da cultura brega – minha palestra na Fanor

Quando começou o brega? O que é brega? Forró é brega? Axé é brega? O que é menos brega na cultura brasileira? Existe uma caricatura do brega? Existem ícones bregas e eles mudam com o tempo? O que há de mais brega na televisão brasileira? O brega influencia na moda? Existe uma moda brega? Existe uma literatura brega? Qual a diferença entre MPB e música popular brasileira? Paulo Coelho é brega?

 

Estas e outras perguntas super interessantes me foram feitas pelos alunos da disciplina de Leitura e Produção de Textos do curso de jornalismo da Fanor.

 

Eu apresentei para eles minha palestra “O viés literário da cultura brega”. Foi simplesmente sensacional. Agradeço a todos os alunos que fizeram perguntas e comentários inteligentíssimos, especialmente ao Francisco Patrício, que apresentou meu livro à turma, e à professora Elizabeth Catunda, que fez um excelente trabalho de leitura dos Contos Bregas com seus alunos.

 

Infelizmente, não tirei nenhuma foto para mostrar para vocês. Mas estarei lá na Semana de Comunicação, no final deste mês, e com certeza registrarei o evento.

 

Não há nada mais gratificante para um escritor do que a interação com seus leitores! Muito obrigado a todos vocês da Fanor!

Palestra na Fanor + Fausto Wolff x Marconi Leal + Filme de Sérgio Mallandro

1- Palestra na Fanor

 

Hoje à noite e amanhã pela manhã, eu vou proferir a palestra “O viés literário da cultura brega”, para os alunos de jornalismo da Faculdades Nordeste (Fanor), em Fortaleza (CE).

 

Vou falar da minha experiência de escrever contos a partir de versos de músicas populares, que rendeu meus dois livros “Contos Bregas” e “Lobas, Deusas e Ninfetas”, e relacioná-la ao contexto da literatura popular brasileira.

 

2- Polêmica Fausto Wolff x Marconi Leal

 

Fausto Wolff publicou no Jornal do Brasil de hoje sua defesa para o fato de ele ter plagiado um post do blog de Marconi Leal.

 

Veja um pouco da defesa de Fausto:

 

Desculpas especialíssimas ao Marconi Leal, na esperança de não ter piorado muito a sua obra, mas, se o fiz, foi por crer que se tratasse de uma piada de domínio público ou de autoria de outrem. Aos pôsteres e aos impósteros, só posso dizer: o crime não compensa, prometo me regenerar, estou envergonhado, minhas mãos suam como as do James Cagney antes de ser mandado para a cadeira elétrica gritando: "Mommy!".

 

E leia um trecho da tréplica de Marconi:

 

Falo isso porque, sob esse ponto de vista, o episódio do plágio de Fausto Wolff tem sido um prato cheio para mim. Eis que, chocado, vejo agora gente da melhor qualidade, cuja inteligência é incontestável, defender, por amizade, partidarismo ou qualquer outro tipo de conveniência, conceitos absurdos como, no caso de um plágio, a distinção entre “erro” ou "mal-entendido" e “crime”.

 

Minha opinião? Se Fausto não sabia de quem era o texto, deveria ter explicitado isto, ao invés de ter assumido a autoria. Bastava dizer algo como “está rolando na Internet texto sem autoria” ou então “recebi por e-mail, mas não sei quem é o autor”. Simples. Por que não o fez?

 

3- Filme do Sérgio Mallandro

 

Parece que meus leitores cariocas ouviram meus conselhos e foram conferir a estréia de Ópera do Mallandro no Festival do Rio. Ressalto que o mallandro do filme é com dois eles. Ou seja: não se trata da famosa ópera de Chico Buarque, mas de um curta-tributo a Sérgio Mallandro.

 

Veja só o título da matéria do Jornal do Brasil: A noite em que o Festival fez glu-glu. E o subtítulo: Curta-tributo a Sérgio Mallandro ofusca “Meu nome é Dindi”.

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Suspeita de plágio na grande imprensa


Quem me avisou foi Gabriel Ramalho:

 

Uma coluna do Jornal do Brasil está parecidíssima com um post de blog de um pernambucano.

 

- Primeiro, leia o post Assalto, de Marconi Leal, de 16 de abril de 2007.

- Agora leia Papo de velho, ladrão e intermediáriode Fausto Wolff, de 30 de setembro de 2007.

- Leia também Eu escrevo, tu copias, ele publica, de Marconi Leal, comentando o caso.

 

E decida se houve plágio ou não...

Vídeo da versão em espanhol da canção “O Telefone Chora”

É verdade. Eu tenho fixação na música “O telefone chora”, versão interpretada pelo cantor Márcio José.

 

Já disse aqui, que a música original é francesa, de Claude François.
Inclusive, já mostrei até o vídeo em francês.
Também já divulguei o link para as letras das versões em espanhol, inglês e italiano.

Sem falar no conto que escrevi, inspirado na canção.

 

Agora, faço melhor. Apresento a vocês o vídeo da versão em espanhol. Com vocês, Kin Clave, interpretando “Llora el telefono”.

 

E se você sabe de vídeos, mp3 ou letras de versões desta música em outras línguas, favor informe nos comentários. Vale um livro Contos Bregas.

 

Llora el telefono


¡Hola!

 

Escucha ¿Mamá está ahí?
Corre y dile:
"Mama, ven, es para tí"

 

¡Ah! es el señor de la otra vez,
¡Espera!
creo que está en el baño,
y no sé si podrá venir.

 

Dile, por favor,
dile que es importante,
que te oiga yo.

 

Oye, ¿tú le has hecho algo a mi Mamá?
Ella me hace siempre señas
y me dice muy bajito:
"dile que no estoy"

 

Sí, pero cuando Mamá trabaja
me lleva al colegio la vecina
Mamá me firma el cuaderno
a las otras se lo firma su papá a mí no

 

Dile que triste estoy
desde hace seis años
los que tú tienes hoy

 

No, no, yo tengo cinco años,
¿Tú conocias antes a mi mamá?
¡Ella nunca me habló de ti!

 

Llora el teléfono
si ella no está,
el ruido de mi amor
se muere en el auricular
llora el teléfono,
no cuelgues, por favor,
que cerca estoy de ti con nuestra voz

 

Y pronto ¿verdad que vas a estar
en el hotel Riviera?
¿te gusta el mar?

 

Si, me gusta mucho bañarme,
y ya sé nadar,
¿Cómo conoces el hotel Riviera?
¿ya estuviste alli?

 

Sepa mi dolor,
y que mi vida sois vosotras dos

 

pero si yo nunca te vi,
¿qué te pasa?
¿por qué cambiaste de voz?
¿estás llorando? ¿Por qué?

 

Llora el teléfono
si ella no está
el ruido de mi amor
se muere en el auricular
llora el teléfono,
no cuelgues, por favor,
que cerca estoy de ti con nuestra voz.

 

Oye, escúchame,
Llora el teléfono por última vez,
porque mañana yo me marcharé,
dile que venga.

 

¡Oye, se va!

¡Vamos, insiste!

Ya se fue

Si ya se ha ido, no importa mas

Adiós señor

Adiós nenita

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QUEM SOU EU

Jornalista,escritor, bancário, potiguar, 29 anos

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