Qual o toque mais brega de celular que você já ouviu?

Em poucos dias, uma colega terá bebê. (Pense no tamanho da barriga!).

 

Naturalmente ansiosa pela iminência da maternidade, ela providenciou um toque de celular com choro de bebê. Sempre que alguém liga, portanto, ela se lembra que em breve será MÃE.

 

E esta é a grande contradição dos novos toques de celular: são feitos para serem atendidos, mas motivam a demora do atendimento. Este não é o caso de minha colega, mas tem gente que fica ouvindo a música tocar e nem liga para a pessoa que espera do outro lado. Resultado, muitas vezes quem chamou desiste da ligação...

 

O fato me fez pensar nos toques mais bregas de celular.

 

Fiz uma rápida pesquisa na Internet e achei vários blogs que disponibilizam toques bregas de celular. O Blog do Kennedy, por exemplo, traz uma lista de brega-toques composta por pérolas como Carro da Pamonha, Melô da Popozuda (Tema da Feiticeira), Melô do Piripiri (Gretchen), Eguinha Pocotó, Florentina (Tiririca), entre outros.

 

Eu mesmo já tive vários toques com temas de filme ou de séries de tv, que são muito cafonas. Eles são perfeitos para celular. Experimente ouvir os temas de Missão Impossível, Pulp Fiction ou Exorcista. Só não reclame se alguém lhe chamar de brega. O tema do Arquivo X é bom, mas pode amedrontar. Se alguém ligar de madrugada, então, não se esqueça, “a verdade está lá... no celular”.

 

Eu, particularmente, não gosto dos toques polifônicos. Pra mim, toque de celular que se preze não tem voz. Mas há quem goste. Eu respeito. Já ouvi muitos toques com funks e baladas pops. Mas confesso que prefiro aqueles velhos toques de músicas clássicas.

 

E você? Qual o toque mais brega de celular que você já ouviu?


Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Vencedor da Promoção da Pedra de Marte

Várias pessoas responderam à pergunta Quem seria a pedra de marte?, que teve direito até à chamada no Uol. A foto publicada pela Nasa foi a seguinte:

 

 

Dos 16 comentários, que seguem abaixo, aquele que achei mais criativo foi o da Rutinha, do Tonho da Lua, da novela Mulheres de Areia. Esta foi demais. Parabéns JZ Souza! Você ganhou um exemplar autografado do meu livro “Lobas, Deusas e Ninfetas”. E obrigado pela participação.

 

Quem seria a pedra de marte?

 

- E o Tonho da Lua disse: É a Rutinha! Vide "Mulheres de Areia" [JZ Souza]

- É o filho do Fernando Henrique Cardoso com a jornalista Mirian Dutra que a Globo escondeu. [Anônimo]

- PÔ!!! Vcs não veem que é um cara praticando "snow-board" numa montanha de areia???? [Sidnei]
- Pô... fala sério! Isso é uma bichoooona sentada esperando o primeiro bofe que passar e convidar pra ir no show das "Marcianas" (lembra delas?)....rsrsr [Stivens]

- Tá na cara que é o Senhor Miagui meditando na beira de um penhasco. [Aluísio]

- Eu acho que é a Zélia Cardoso e eu tenho provas contudentes, pois quero que alguém me mostre onde ela se enfiou... [Celso Rodrigues]

- Tenho certeza de que é o Yoda!!!! [Andre]

- Eu pensei que os marcianos fossem verdes... ; ) [Denise de Londrina]

- Realmente é uma mulher! E ela está aliviada por lá nao ter nada. Não tem IPVA...IPTU...IOF...ICMS...POLÍTICO...LADRÃO...! Mas quando ela ficou sabeno que poderia ganhar um livro ficou doidinha pra voltar rsrsrs. [Anônimo]

- ....aquilo é o reflexo de uma deflexão da luz refratada de uma miragem de um espelho d'agua marciano causado pela incidência da luz ultravioleta oriunda do espalhamento de poeira do solo do planeta...bem se é pra complicar...esta me parece uma boa...desculpa !!! [virgens]

- legal seu texto [Betty]

- É o Elvis. Pela posição do braço, está ensaiando uma coreografia para o seu glorioso retorno à Terra. [Marco]

- Bem deve ser realmente um marciano, primo do Lula que aliás, como o primo terráquiu se finge de pedra, ou será uma pedra que se finge de gente, sei lá negócio complicado! [Hernando Costa]
- acho que e uma pedra esculpida por aleijadinho em marte.....e uma obra sacra!!! [ronivaldo pereira brasilia]

- Deve ser um guerreiro marciano observando seus inimigos do alto de uma montanha. [Aparecido]

- A foto é SUPIMPA!!! [H. das Oliveiras]

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Paródia para Tom Cavalcante:

Eu e minha esposa acabamos de ter uma idéia e a enviamos para a Rede Record.

 

A idéia é a seguinte:

 

Tom Cavalcante faz uma paródia de Álvaro Garnero, repórter do programa 50 por 1, aquele do famoso bordão “mas esta ainda não é a minha cidade tal”.

 

Mas ao invés de visitar outros países, o personagem do Tom, que poderia se chamar Tom Carneiro, visitaria pequenos municípios do interior. Sempre com muito bom humor, mas tomando cuidado para não depreciar a cidade, o humorista apresentaria seus principais pontos turísticos.

 

Eu já estou ouvindo Tom dizer: “Mas esta ainda não é a minha Canindé”.

 

O que você achou da idéia?

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Quem seria a pedra de marte?

Vamos combinar uma coisa: uma nuvem é uma nuvem, uma pedra é uma pedra, e jacaré é um bicho, certo?

 

Tenho minhas dúvidas.

 

Quando ainda não havia tirado o cheiro do mijo, vi muitas nuvens virando gente, bicho e o “djabo a quatro”. E quando, pela primeira vez, vi que tinha uma pedra no meio do caminho, ou quando vi que no meio do caminho tinha uma pedra, logo percebi que uma pedra pode muito bem não ser uma pedra.

 

Está duvidando? Pois veja essa foto lá de Quixadá e me diga se uma pedra não é uma galinha choca.

 

E por falar em pedra, parece que tem uma delas no meio de Marte. Ou que, no meio de Marte, tem uma pedra destas que não são pedras. Veja só a foto.



Segundo este gringo, é uma pedra mesmo. Diz que a foto, que também pode não ser 1 foto (mas três), foi tirada a 5 metros do objeto, que tem apenas 6 centímetros de altura.

Mas eu discordo!

 

Olhe direito. Veja bem. É uma mulher sentada na praia (uma praia pode não ser uma praia), fazendo castelinhos de areia nas próprias pernas.

 

Há quem diga ser o próprio o Bin Laden, em seu ultra-esconderijo secreto. Essa eu não acredito, pois soube que ele está lá pelas bandas de Jacaré dos Homens.

 

Quem você acha que é? Quem der a resposta mais criativa ganha meu livro "Lobas, Deusas e Ninfetas".

 

Ah, jacaré é um bicho mesmo. Pode ficar tranqüilo...

 

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Os trovões são como gritos de Deus!

Antes de ontem, pela manhã, choveu muito em Fortaleza. Uma trovoada “cavalar” roubou a cena da cidade. Eu confesso que “nunca antes na história da minha vida” ouvi trovões tão potentes e monstruosos.

 

Leonardo Fontes, para quem no Piauí, come-se trovões no café da manhã, gravou tudinho e disponibilizou o download do mp3 dos últimos trovões em Fortaleza. Clique no link e ouça. (Atenção: a trovoada só começa no segundo 20).

 

Tenho lido por aí que o aquecimento global está fazendo com que os raios se tornem mais intensos e mais freqüentes. Como o trovão nada mais é do que o som do raio, posso deduzir que os trovões também estão cada vez mais altos.

 

Para alguns, os trovões são simplesmente assustadores. Para outros, encantam! Estou no segundo grupo. Estes últimos trovões deram-me a impressão de estar ouvindo verdadeiros disparos de canhões celestes, tiros do infinito, bombas do além.

 

Os trovões são como gritos de Deus!

 

Eles nos fazem lembrar que estamos todos no mesmo barco, na mesma casa, no mesmo planeta. Somos todos parte deste imenso mundo vivo, que se comunica conosco por meio da natureza.

 

Da próxima vez que ouvir um trovão, não tenha medo. Evite os raios. Contemple os relâmpagos. E ouça atento a violenta e bela sinfonia dos trovões.

Vídeo-clipe de Leviana, de Reginaldo Rossi, no YouTube

Quando Reginaldo Rossi gravou Leviana, a Globo transmitia a novela O Clone.

 

Nos shows, o cantor se defendia:

 

“Estão dizendo que Rossi está pegando carona no Clone. Mas é o contrário. O Clone é que está pegando carona no Rossi”.

 

E para provar, o verdadeiro rei do brega cantava mais meia dúzia de músicas com influências árabes que já havia gravado. E ao som dos aplausos, o Rei terminava seu momento árabe imitando a garotinha da novela: Inshalá!!!

 

A música fez muito sucesso e mereceu um clipe, com direito à dança do ventre e a trecho retirado de “As mil e uma noites”:

 

“Se a beleza comete um delito, seus encantos inventam-lhe mil desculpas”.

 

Tenho pra mim, aliás, que a justiça dos homens costuma fazer vista grossa para os delitos da beleza, fingindo acreditar numa de suas mil desculpas.

 

Mas voltemos ao vídeo. Ele já está no Youtube e já foi visto mais de 14 mil vezes. Eu soube pelo excelente blog Músicas latinas românticas Anos 60, 70 e 80.

 

Veja o vídeo e acompanhe a letra.

 

Leviana

Reginaldo Rossi

 

Eu te amei

Me entreguei de um jeito

Que ninguém jamais se entregou

 

Amor igual ao meu

Jamais vai encontrar

Amar como eu te amo

Ninguém vai te amar

Porque você...

 

Ficava sussurrando junto ao meu ouvido

Mentiras misturadas com o seu gemido

E eu acreditava na sua palavra

Leviana!

 

Fazendo mil loucuras comigo na cama

Queria acreditar que você ainda me ama

Que, apesar de tudo, eu sinto a sua falta

Leviana!

O casamento do Silêncio e da Escuridão

Era uma vez o Silêncio. Havia muito tempo, andava triste. Não gostava muito de sair. Sentia-se deslocado nas ruas, nos bares, nas baladas, no meio de tantos ruídos.

 

As pessoas, por sua vez, queriam distância do Silêncio. Alguma coisa nele metia medo. “Ele sabe demais”, pensavam uns. “Esconde muita coisa”, diziam outros. Mas ninguém queria saber o que o Silêncio tinha para dizer.

 

É verdade. O Silêncio era um homem solitário...

 

Uma noite, porém, ele esbarrou na Escuridão. Inebriado, ficou sem palavras. Trocaram sorrisos, olhares e seguiram de mãos dadas. O Silêncio e a Escuridão formaram, pois, belo casal.

 

“Por que você gosta de mim?”, perguntou-lhe o Silêncio, em pensamento. Ela ouviu.

 

“Porque você está muito além das palavras, e não se esconde por trás delas; porque você me deixa sentir seus pensamentos; porque você não se deixa levar pelos impulsos do mundo; porque você é prudente; porque você entende as magias do tempo; porque você é pura essência; porque seus olhos nomeiam o inominável; porque, ao seu lado, eu sou mais eu, e me conheço ainda mais; porque sua presença me basta; e principalmente porque você, do seu jeito, me diz muito mais do que eu posso ouvir”.

 

“E você? Por que gosta de mim?”, perguntou-lhe a Escuridão. Em pensamento, ele respondeu.

 

“Porque você está muito além das aparências, e não se esconde por trás delas; porque você é maior do que si mesma; porque embora não saiba exatamente onde você realmente está, sinto você em mim; porque você despiu-se das cores e deixou-me ver sua nudez invisível; porque você absorveu todas as belezas do mundo numa só; porque você não se deixou levar pela vaidade; porque, ao seu lado, eu me sinto em casa; porque você não tem o que esconder; e principalmente porque você, do seu jeito, me mostra muito mais do que eu posso ver”.

 

O Silêncio e a Escuridão casaram-se e tiveram um filho, a quem deram o nome de Infinito.

 

Eles todos viveram felizes para sempre...


Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Conto da queimada ou da carimba

Morreu...

 

De fato, muito forte. A bolada. Pudera! Você viu a careta? Parecia um monstro. A bola “de fogo” nas mãos. Pra lá, pra cá. Pegando impulso, pegando raiva. Esticou-se feito catapulta. E disparou a bomba... Explodiu. Acima dos seios. Pobre da outra. Ficou sem ar, coitada. Tanto que tentou. Encaixotar a bola, o tiro, a bomba. Mas não conseguiu... De fato, muito forte. A raiva!

 

... a exibida...

 

É sim. Isto é verdade. Sabe que é bonita. Sabe que é linda. Sabe que arrasa. Quarteirões por ela. Por que não pegou? Merecia! Mas dá voltas, o mundo. Aqui se paga. Vai ter revanche. Tem que ter.

 

... que eu queria, desejaria...

 

E como! Morena sapeca. Menina atrevida. Garota safada. Covinhas fatais no sorriso de ninfeta. Ah se fosse minha! Quem sabe um dia. Areia muita, mas viagens mil. Quantas for preciso. Não paga, sonhar. Não paga...

 

... e se voltar, leva bolada...

 

E se vier (pra mim), não sobra nada!

 

... e bem na cara!

 

E bem na boca...

De fato, muito forte. A paixão!
 

Posts relacionados

 

- Conto da gata sem boca

- Conto da caverna do dragão

- Conto da final do panamericano de basquete 1987

- Conto do sinhozinho Malta

- Conto do boneco do ninja branco

- Conto da conversa entre Fofão e Pinóquio

- Conto do Gigante Guerreiro Daileon

- Conto do Exorcista

- Conto do Xixi da Xuxa

- Conto do Coelhinho do Qüick

- Conto das Paquitas

- Conto Maguila X Tyson

 

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Minhas respostas ao questionário de Sandro Fortunato

Sandro Fortunato está fazendo uma pesquisa com vários escritores. Ele me passou o questionário abaixo, que “é uma adaptação das perguntas feitas por João do Rio, por volta de 1904, a seus colegas escritores, que resultou numa série de reportagens depois transformadas no livro O momento literário”.

 

O objetivo de Sandro é tirar de seus contemporâneos “as melhores informações para aplicá-las em benefício próprio” e “fazer uma avaliação geral e alguns comentários” no seu blog Sempre Algo a Dizer.

 

Aí vão minhas respostas.

 

1) Para sua formação literária, quais os autores que mais contribuíram?

 

Rubem Fonseca, sobretudo. Ler Rubem Fonseca aos 18 anos, sem nunca ter ouvido falar nele, ou seja, sem expectativas, foi excelente. A literatura de Rubem Fonseca mostrou um mundo possível, espelho do meu tempo. Além dele, também citaria Edgar Allan Poe e Conan Doyle.

2) Das suas obras, qual a que prefere? Especificando mais ainda: quais, dentre seus trabalhos, as cenas ou capítulos, quais os contos, quais as poesias que prefere? Cite uma frase, trecho ou verso preferido.

 

De minhas duas obras, “Contos Bregas” e “Lobas, Deusas e Ninfetas”, eu prefiro a última. Ela é mais densa e madura.

 

Destaco três contos:

 

1- Como uma Deusa

Trecho:

Cantai, cantai, cantai, ó musa de meus olhos! Cantai mais alto, cantai de olhos fechados, cantai de janelas abertas, cantai como nunca, cantai para sempre, enquanto vos observo, enquanto vos devoro, enquanto vos seco, enquanto vos sorvo. Eu, vosso eterno súdito!

 

Isso, ensaboai vossa pele assim dessa maneira formosa, deixai que este líquido insípido que vos rega umedeça a candura de vossas ancas. Isso, minha Deusa... Presenteai-me com o doce privilégio de encarar vossos pelos e curvas e os recônditos íntimos de vosso corpo sedutor.

 

2- No toca-fitas do meu carro

Trecho:

O bilhete é apenas um resquício dos velhos tempos. Espectro submerso nas entranhas do passado, buscando fôlego no sereno do futuro. A prova concreta da estupidez da vida que se foi; da pequenez de todos os sonhos frente ao gigantismo cruel, inevitável e incontestável do real.

 

A parda memória dos fatos nada pode mudar. Nem os pingos neutros da chuva; nem a luz insípida das estrelas; muito menos o nó quente e forte na garganta. O cosmos ignora sua dor.

 

Não entendia como aquelas palavras escritas não se apagaram, se tudo o que dizem não mais existe. A resistência heróica daquelas letras bem desenhadas transpirava uma ironia que lhe esganava sem piedade alguma. Não dava mais. Pôs a ponta do cigarro em contato com a folha. As chamas foram queimando lentamente os nomes de ambos, circunscritos num coração irregular.

 

Deu partida no carro, sem esperar que a frase “para sempre te amarei” virasse pó.

 

Bandeira dois.

 

Lembranças

Trecho:

Direção hidráulica, vidro fumê e faróis altos navegando pelo asfalto sujo da cidade. Sim, ela quer fugir de si mesma. Quer achar algum lugar no qual ela não se reconheça. Algum lugar em que não caibam suas lembranças, em que só hajam desconhecidos e mesmo estes nunca sejam os mesmos. Algum lugar transitório que abrigue o seu peremptório desejo de não ser. Algum lugar passageiro, maravilhosamente neutro, estranhamente indolor. Ela quer perder-se para sempre numa multidão amorfa.

 

3) Pensando separadamente a prosa e a poesia atual, no Brasil, como você definiria o atual momento? Há alguma nova escola? Há luta entre antigas e modernas? Neste último caso, quais são elas? Quais os escritores contemporâneos que as representam?

Não há mais escola literária. Apenas pequenas tendências. O escritor segue seus próprios instintos. Também não há luta entre antigos e modernos.


4) O que você leu de mais interessante nos últimos seis meses? Quais autores atuais você indicaria aos seus amigos?

 

Quebra de Encanto, primeiro livro de contos do autor cearense, Nicolas Almeida. Temática universal e regional, mas não regionalista. Extrema sensibilidade psicológica e social, mas sem parecer panfletário. Altíssima criatividade.

 

Indico Nicolas Almeida e os jovens escribas Patrício Jr. e Márcio Benjamin. E ainda Pablo Capistrano.

5) O desenvolvimento dos centros literários  dos Estados cria uma literatura à parte? Isso é bom? Como romper a barreira do local/regional e ganhar as estantes de qualquer grande livraria do país?

 

Boa pergunta. É bom e é ruim. É bom porque cria uma certa independência. O mercado local acaba suprindo, de certa forma, a demanda por literatura. Mas é ruim porque pode limitar os horizontes.

 

Para ganhar as estantes do país, os autores locais devem reunir forças, intensificar o intercâmbio, adotar práticas alternativas de promoção, priorizar a qualidade dos textos e não se limitar a temáticas regionais. Dinheiro e sorte ajudam.

6) O jornalismo, no Brasil, é um fator bom ou mau para a arte literária? Existe realmente um jornalismo literário sendo feito hoje? Se sim, que exemplos daria deste?

A influência da objetividade do jornalismo foi muito boa para a literatura. Não acompanho jornalismo literário no Brasil.


7) Do que trata seu próximo trabalho? Se puder/quiser, dê o título, faça uma sinopse, cite um trecho...

Tenho dois projetos, ambos sem prazo para terminar. O primeiro é uma série de contos curtos que envolvem personagens e situações, que foram ícones dos anos 80. Título provisório: 80 contos dos anos 80. O segundo é um romance que abordaria a temática das viagens no tempo, relacionando-a com a memória e o esquecimento, dejavú etc. Ainda sem título.


8) Liste os títulos dos livros que já publicou. Se possível, informe também ano e editora.

 

Contos Bregas – Jovens Escribas, 2005.

Lobas, Deusas e Ninfetas – Banco do Nordeste, 2007.

Conto da gata sem boca

É verdade, aconteceu. Lembro como se fosse hoje. Faz tempo...

 

Tocou pra sair. Nós, cansados e famintos. Antes da fuga, a professora na porta.

 

“Ninguém sai daqui, antes de esclarecermos uma coisinha!”.

 

Tem ladrão na sala. Sumiram papéis de carta da menina da primeira fila. Aqueles de que mais gostava. Da gata sem boca, principalmente. Ela quer saber quem foi, a professora. Em pé no quadro negro, a menina, cabeça baixa. Não diz nada.

 

Entre nós, o ladrão. Há quem saiba. Mas não diz. Ninguém fala. Primeira vez não é. Outro dia, sumiram figurinhas do mudinho. Quem de nós será? Há quem pense que fui eu?

 

“Enquanto não aparecer o espertinho, ou a espertinha, ninguém sai daqui!”.

 

A fome na barriga. A combi não espera muito. Eu não posso perder a combi. Papai não pode me buscar. Mamãe também. Só de noite.

 

“Seja quem for, apareça logo. Será melhor para todos”.

 

Acho que foi Juninho. Não tenho certeza. Ele é muito sonso. Vez em quando, briga comigo. Já foi pra diretoria. Varias vezes. Gosta de confusão. Foi sim. Foi ele! Só pode ter sido ele. Mas eu não vi. Não posso provar. E se não foi ele?

 

E todo mundo calado, feito gata sem boca. Muda, sumida.

 

Até que deu-se por vencida, a professora.

 

E assim foi que a menina, que perdeu a língua, perdeu a gata, que perdeu a boca...

 

Posts relacionados

 

- Conto da caverna do dragão

- Conto da final do panamericano de basquete 1987

- Conto do sinhozinho Malta

- Conto do boneco do ninja branco

- Conto da conversa entre Fofão e Pinóquio

- Conto do Gigante Guerreiro Daileon

- Conto do Exorcista

- Conto do Xixi da Xuxa

- Conto do Coelhinho do Qüick

- Conto das Paquitas

- Conto Maguila X Tyson

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

Sobre lojas que só entregam o produto depois de descontarem o cheque

Eu sei que tem muita gente por aí comprando com cheque sem fundo. Mas eu sei que eu, nem você, nem ninguém precisamos pagar pela desonestidade dos outros.

 

Esta semana, comprei um ar-condicionado na Zenir Móveis (rua Barão do Rio Branco, 1172. Centro. Fortaleza-CE). Na hora do pagamento, a surpresa.

Vocês acreditam que eles só entregam o produto depois que o cheque for descontado?

 

Pois é. E ainda por cima, eu teria que ir na loja novamente para pegar o produto, ou então pagar um frete de R$ 12,00. Na hora, chocado com esta atitude inesperada, eu disse apenas que eles estavam me colocando numa situação difícil e que, por isso, deviam ao menos fazer a entrega gratuitamente, já que a culpa por esta situação fora deles. Diante da minha reclamação, apenas aumentaram em R$ 10,00 o valor do produto para que ficasse embutida a entrega. Ou seja: Cederam dois reais.

 

Eu não sei essa prática já é comum no mercado, muito menos se é legal ou ilegal. O que sei é que foi a primeira vez que isto aconteceu comigo e que eu me senti extremamente agredido. Será que não bastou conferir a minha identidade, comparar a foto com meu rosto, comparar a assinatura da identidade com a do cheque, consultar minha situação nos serviços de proteção ao crédito?

 

Até onde sei, cheque é uma ordem de pagamento à vista. É dinheiro. Repito: ninguém precisa pagar pela desonestidade dos outros. Os honestos não têm culpa dos cheques sem fundo que correm por aí.

 

E quem me garante que, depois de eles descontarem o cheque, vão me entregar o produto?

 

Ah, mas eles são uma empresa estabelecida, têm CNPJ, pagam impostos, têm a confiança do mercado. E eu não? Se eles merecem minha confiança simplesmente porque são uma empresa estabelecida, porque não mereço a deles se eles mesmos consultaram que eu sempre fui um bom pagador?

 

Eu só não cancelei a compra, porque o preço estava abaixo dos concorrentes. Mas já estou arrependido. Se pudesse voltar no tempo, não faria de novo.

 

O que vocês acham de tudo isso? E eles não quiseram nem me dar a nota fiscal. Deram apenas um recibo. Alguém pode me dizer se esta prática é ilegal? Como vocês se sentiriam se passassem pelo que eu passei?

Prazer pelo final inesperado 1 x 0 Frustração pela previsão errada

Tudo bem, eu admito. Estava contando vantagem sobre adivinhar mistérios de filmes antes do final, mas já fiz um monte de previsões erradas.

 

Quer um exemplo? O Sexto Sentido. Não me perdôo por não ter adivinhado que o cara já estava morto. Ops! Acabei de revelar o final. Portanto, se você ainda não assistiu a esse filme, esqueça que leu este post!

 

Mas o prazer pelo final surpreendente é maior do que a frustração pela previsão errada. Isto é intrigante porque significa dizer que o espectador, no fundo, gosta de ser enganado. Em arte, somos todos masoquistas? Parece que sim.

 

Lost, por exemplo. Estamos todos perdidos, não é verdade? Muito mais do que os garotos da Caverna do Dragão. O último episódio da terceira temporada (se você ainda não assistiu, pare de ler) foi impressionante.

 

Antes de prosseguir, tenho que dar meu testemunho de apoio à greve dos roteiristas norte-americanos. Os caras conseguem fazer cinema na televisão, enquanto nós ainda teimamos em fazer televisão no cinema.

 

Mas vamos lá. Nós ficamos todos viciados nos flashs-backs. Vínhamos alternando as pílulas do presente e do passado, assim como aquela do país das maravilhas. Então aparece o cara, o médico, o herói, mais perdido do que nunca.

 

O salvador está perdido! Dopado, depressivo, embriagado. Barbudo suicida.  Achado, mas perdido. Era melhor antes, não? Quando se perdera fisicamente, mas se achara no espírito. Porque a verdadeira perdição é no labirinto interior de nossas vagas esperanças. Pode crer...

 

Entre os passos cambaleantes do herói decadente e a visão embaçada de seus olhos de bêbado insano, vagueia uma certeza cruel, tardiamente descoberta, de que muito pior do que “a vida que poderia ter sido e que não foi” é aquela que foi e já não é mais.

 

Voltar. Voltar. Voltar. Ele era feliz e não sabia, como diz aquela antiga canção popular.

 

Mas voltar para onde? Nós que jurávamos olhar para o passado, na verdade recordávamos do futuro.

 

Você apostaria mundos no flash-back. Mas era nada mais que flash-forward, ou lampejos do futuro...

 

Ficou feliz por ter sido tão magistralmente enganado?

 

Posts relacionados

- Por que gosto do seriado Lost

- Qual o personagem mais brega de Lost?

 

Assine o feed deste blog e receba todas as atualizações:
http://contosbregas.rssblog.zip.net/

E não se esqueça: De perto, ninguém é chique!

 

Raquetes mata-mosquitos + Nanotubos da escuridão + Programa espião de funcionários

Três invenções foram noticiadas nos jornais de hoje.

 

1- Raquetes elétricas mata-mosquitos

 

Não. Não se trata de nenhuma evolução das raquetes de squash ou de tênis, que poderia ser usada pelo mestre Gustavo Kuerten, o Guga, em suas derradeiras partidas pré-aposentadoria. Não é nada disso.

 

É uma nova arma contra a dengue e a febre amarela. Isso mesmo. A garotada do Rio de Janeiro está adorando. Dizem que eles passam o dia raquetando mosquitos por aí. Cada raquetada dá choques de até 2.500 volts nos insetos, que morrem explodidos. Diz que tem camelô vendendo 50 raquetes por dia, a R$ 10,00 cada uma. Faça as contas: 50 x 10 x 30 = R$ 15 mil por mês. Desse jeito eu também quero ser camelô. O negócio é um sucesso! Ou, nas palavras de um jornal, uma epidemia!

 

2- Nanotubos promotores da escuridão

 

O nome do inventor é Pulickel Ajayan. Ele é indiano. Diz que estes nanotubos, feitos à base de carbono, absorvem 99,9% da luz. É um verdadeiro “tapete negro”, como está sendo chamado.  

 

Pra que serve? Captação de energia solar, uso militar e, esta é a mais importante, ilustrar as páginas do Guiness, o Livro dos Recordes, com mais um verbete: o material mais “escuro” do mundo.

 

3- Programa “pastorador” de funcionários

 

Adivinha qual empresa teve esta “formidável” idéia? Isto mesmo, a Microsoft. Ela quer criar um programa capaz de acompanhar “o ritmo cardíaco, a resposta elétrica da pele, os sinais cerbrais, o registro das correntes elétricas geradas num músculo, as expressões faciais e a pressão sangüínea”.

 

Tudo para saber se o cara está trabalhando direitinho. O que vocês acham que George Orwell, autor de 1984, diria deste programa?

 

Eu só queria saber o que aconteceria se alguém desse uma raquetada elétrica neste nanotubo do breu, arremessando-o com toda força até o servidor central do software espião de funcionários.

 

Quem der a melhor resposta ganha o livro Lobas, Deusas e Ninfetas!

Como ser o 1º a descobrir o assassino da história?

Perdoe-me. Adoro obviedades! Eis a mais sábia de todas elas:

 

“Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa”.

 

Não me recordo da primeira vez que a ouvi na voz do famoso cronista esportivo. Mas sei que, de cara, reconheci a profundidade daquelas palavras. Veja bem, acredite, eu não estou sendo irônico!

 

Por exemplo, uma coisa é a ficção. Outra, a realidade. Uma, a vida. Outra, a biografia. Uma, o ato. Outra, o plano. Uma, o narrador. Outra, o autor. Uma, o mistério. Outra, o enredo.

 

Sherlock Holmes, por exemplo, não é gênio coisa nenhuma. Ele não pensa. Ele não existe. Ele é apenas um personagem, uma ficção, uma mentira. Gênio é Conan Doyle, seu inventor. E nem tanto...

 

Explico: o escritor já sabe da chave do mistério, simplesmente porque foi ele mesmo quem inventou o mistério. Conan Doyle, o criador, inventa um mistério e então o complica, criando pistas, hipóteses, motivos, e indícios. Aí vem Sherlock Holmes, a criatura, e apenas faz o caminho inverso, seguindo todos estes arrudeios até chegar ao mistério. Aí você diz “puxa, como ele é inteligente”. Que nada...

 

Os mistérios da vida real obedecem às leis de causa e efeito, às leis da física, às leis da lógica. Já os mistérios da ficção, mesmo que sejam coerentemente lógicos, ou logicamente coerentes, obedecem às leis da estética.

 

Na vida real, a solução de um mistério explica-se por si mesma. Na ficção, isto não basta. Neste caso, a solução não deve ser apenas lógica, mas, sobretudo, bela, interessante e inesperada. E esta é uma diferença enorme.

 

Sabe qual é a melhor forma de descobrir quem matou fulano de tal no filme tal, antes de chegar na metade do filme? Apelando para complexos raciocínios lógicos? Nada disso. Simplesmente colocando-se no lugar de quem bolou a história. Se você fosse fazer um filme, qual personagem ficaria melhor no papel do assassino? Qual solução seria mais original? Qual final seria mais impactante?

 

Já descobri muitos finais de filmes, não porque pensei logicamente, mas porque pensei artisticamente. E, acredite, quase todo mundo que pensa artisticamente acha que uma boa história tem um final inesperado. Finais inesperados são quase uma unanimidade entre as pessoas que gostam de criar histórias. E também das que gostam de ler, ver, ouvir histórias.

 

Daí você tira uma regra quase infalível da ficção. Os suspeitos prováveis são justamente os mais improváveis. É, amigos. As aparências enganam.

“Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa”.

 

É como diz a canção dos Paralamas: “A vida não é filme, você não entendeu”.  

sobre hotéis que cobram caução para frigobar e não devolvem objetos esquecidos pelos hóspedes


Eu confio no Liniers (clique na imagem para vê-la ampliada). Esse tal de Hotel Montoya deve mesmo ser dos melhores de Buenos Aires.

 

Eu já não posso dizer o mesmo do Grand Boulevard Hotel, onde fiquei hospedado em minha lua-de-mel. Se alguém for para a capital Argentina, recomendo a NÃO se hospedarem lá.

 

De cara, já exigiram caução para o consumo do frigobar.

 

Peraí, mermão. Calma lá. Caução pro frigobar? Essa foi boa. Quer dizer então que o cara acha que eu não tenho dinheiro para pagar umas garrafinhas d’água mineral, latinhas de refrigerantes, saquinhos de amendoim e chocolatinhos amargos, e aí, por segurança, quer que eu deixe o dinheiro adiantado com ele?

 

Ou ele está me chamando de caloteiro ou, no mínimo, está reconhecendo que o preço que cobram por estes produtinhos é quase um “roubo”.

 

E eu não pagaria caução até porque não consumiria nenhum destes produtos. E mesmo que consumisse, pagaria somente depois.

 

Não toquei em nada do frigobar. Ao menos no que já estava lá. Pois as garrafas que comprei na rua gelaram bastante no aparelho. Você também já fez isso? Os funcionários notaram e fizeram cara feia.

 

Mas o pior não foi isso. O pior é que eu esqueci um casaco de couro da minha mãe numa cadeira do restaurante que ficava próxima a um computador, cujo acesso à Internet, aliás, quase nunca funcionava.

 

Do aeroporto, liguei para o hotel e fui atendido pela recepcionista. Disse onde havia esquecido o casaco e ela confirmou que já o tinham localizado e guardado, e que estavam a minha espera para devolvê-lo.

 

Como não havia mais tempo para eu voltar, em razão do horário do vôo para o Brasil, combinei que alguém da agência de viagens passaria por lá noutro dia, pegaria a peça e me enviaria por correio.

 

Mas quando lá chegaram, nada feito. Simplesmente informaram que não sabiam de casaco nenhum. Que não haviam localizado nenhum casaco.

 

Cómo se llama esto en español?

 

Em português, eu sei muito bem como se chama...

Comentários sobre ver o mar pela primeira vez

Duas pessoas fizeram excelente comentários sobre o meu post A emoção de ver o mar pela primeira vez.

 

Vamos começar por este:

 

[Gabriel Ramalho] [http://www.blogueisso.com/silenzio]
Pra mim, o relato mais bonito sobre o momento em que se vê o mar pela primeira vez é este, presente no Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano: A função da arte (Eduardo Galeano) Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!

 

Concordo, Gabriel! O mar é tão belo que demanda treino para olhar. A cada mirada, uma nova beleza. Boa dica de leitura. Muito obrigado!

 

O outro comentário veio de Vinícius:

 

[Vinícius Menna]
Escrevi há poucos dias um texto sobre a primeira vez que um grupo de idosos viu o mar. E mais: eles são de Equador, quente e seco Seridó norte-riograndense.

 

Procurei na Internet pelo assunto e achei uma bela reportagem, publicada no Diário de Natal de 6 de janeiro de 2008. A reportagem não é do Vinícius, mas ele publicará sua crônica num blog que vai criar em breve.

 

Voltando à reportagem do Diário de Natal. Eu me surpreendi ainda mais quando soube que a praia que eles visitaram é minha querida Praia de Cotovelo, em Natal (RN). Veja só o lead da matéria:

 

Presente de Natal de idosos foi conhecer Praia de Cotovelo

Ver o mar pela primeira vez. Esse é o nosso maior sonho”. Foram essas palavras que o prefeito de Equador, Zenon Sabino, ouviu do grupo da Terceira Idade Renascer. Um sonho que virou realidade para cerca de quarenta idosos que conheceram a praia de Cotovelo, na Capital, como

presente de Natal. Leia reportagem completa

 

Tomara que esta moda pegue em muitos lugares por aí afora. E o texto me lembrou um emocionante conto de Patrício Jr., no qual familiares de um idoso ajudam-no a tomar banho de praia no provável último reveillon de sua vida. Veja só o comecinho do conto:

 

Às quinze para a meia-noite, quando todos já estavam com seus champanhes em punho, descalços e excitados, devidamente vestidos em branco num alvor que dava ainda mais esperanças no futuro, o velho disse: eu também vou à praia. A frase, ao se estender pela casa, quase sufocou a euforia reinante. Quase mesmo. E só não o fez por completo porque o respeito e alguma noção politicamente correta impediram filhos, netos, genros e noras de tentarem demover o patriarca da idéia. Leia conto completo O mar e o velho, de Patrício Jr.

Uol Tablog + Revival Records + Paulinho de Macau + Pensar Enlouquece + Diana

1- O editor do Uol Tablog escreveu um excelente post intitulado Eu sou brega. Sou? Um tiro no preconceito musical. Lembrou-me do meu post É o preconceito, que mexe com minha cabeça e me deixa assim.

 

2- Apresento a vocês mais um brega-blog de qualidade que já começou arrasando: Revival!!! Records. Ele é escrito pelo jornalista pernambucano Wilde Portela, autor da biografia de Reginaldo Rossi. O blog está repleto de informações quentes dos bastidores do mundo artístico, já que Wilde sempre entrevistou inúmeros cantores populares. Não perca os posts sobre Julio Iglesias, Alcymar Monteiro, Reginaldo Rossi e outros.

3- E aqui vai mais outro brega-blog de peso: Paulinho de Macau, escrito pelo filho dele. Para quem não sabe, Paulinho de Macau é um dos maiores cantores populares do Rio Grande do Norte. Irreverente e ousado, Paulinho, que já faleceu, fez enorme sucesso no fim dos anos 80, com sons caribenhos e nordestinos. Seus maiores sucessos são Nega do Bole-Bole, e Portal da Solidão.

4- Um dos maiores e mais visitados blogs nacionais, o Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do blogueiro Alexandre Inagaki, citou meu livro Contos Bregas, chamando-o de sensacional. Alexandre já havia citado os Contos Bregas no seu outro blog Virunduns. Num post sobre música brega, ele incluiu meu blog entre “sites mantidos por gente que ama e faz questão de gritar pra todo mundo ouvir!”.

5- E, para terminar, Josué Ribeiro, do blog musicapopulardobrasil, faz uma entrevista com a cantora Diana, que agora assina como Dianah. Ele entregou para ela meu livro Lobas, Deusas e Ninfetas, que contém vários contos inspirados em músicas dela. Segundo Josué, “após a leitura das dedicatórias, a emoção de poder contemplar nas mãos, tão sublime homenagem, (Dianah) comemorou com os olhos brilhando, o carinho do jovem escritor”.

A emoção de ver o mar pela primeira vez

Uma antiga peça publicitária consagrou o bordão “a primeira vez a gente nunca esquece”. Há exceções, infelizmente. Por tê-las vivenciado ainda muito pequenos, muitos de nós não lembramos da primeira vez de algumas coisas muito importantes.

 

Eu, por exemplo, não me lembro da primeira vez que vi o mar. Mas faço uma idéia. Vocês hão de concordar comigo que dá para imaginar a emoção de ver o mar pela primeira vez.

 

Eu devo ter me sentido no paraíso. Ao menos assim é como ainda me sinto quando apareço na Praia de Cotovelo. Lá, aprendi a fazer castelos de areia, “brigar” com as ondas, pegar cavalete, caçar tatuí, siri, e até pescar montado numa pranchinha e munido de isca, anzol e de uma linha enrolada numa garrafa de refrigerante...

 

Naquela época, eu podia passar a manhã inteira na praia, que não me sentia queimado. E sem proteção solar. Hoje, o protetor é indispensável. O efeito do sol, ampliado pelo aquecimento global, é notável. Nossa pele que o diga. Isto sem falar no aumento do nível do mar, águas vivas, caravelas, tubarões e poluição. Precisamos salvar nossas praias!

 

Mas eu falava de ver o mar pela primeira vez. Certa dia, meu pai trouxe um rapaz da fazenda para passar uns tempos lá em casa. Quando ele viu a praia, ficou embasbacado. Depois de muito tempo olhando para aquela imensidão mágica, ele disse assim:

 

“Deve ter sido uns 500 trator pra construir esse açude!”.

 

Mais tarde, ele mudou de idéia. “Não... Isto só pode ser coisa de Deus...”.

 

E graças à Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, cerca de 8 mil crianças vão ver o mar pela primeira vez. Uma delas já viu. Chama-se Ailton, 10 anos, natural de Mombuca. Ele até deu entrevista para a televisão. Para ver, acesse o site do Domingo Espetacular e escolha a reportagem Sonho de Criança, veiculada no dia 13.01.08. Outra opção é esta excelente matéria da Band.

 

É como o narrador do meu conto Eu não sou cachorro, não, disse: “O mar é destes monstros que nos fazem lembrar da imensidão do mundo”.

 

Mas é quem prefira tomar banho de cuia nas quebradas do sertão, como diz esta bela canção, composta por um amigo de minha mãe:

 

“Seu moço eu vou lhe contar/ meu primeiro banho nas águas do mar

Eu tinha vontade de ver/ E queria beber das águas de lá

Entrei no mar agitado/ como se tivesse acostumado

Sofri, seu moço, sofri/ quase que morri de ser judiado (BIS)

 

Quando eu me levantava/ a onda vinha e vamos sofrer

Eu estava de barriga cheia/ com os olhos ardendo de sal e areia

Nunca mais, seu moço, eu vou/ tomar banho no mar agitado

Eu prefiro um banho no sertão/ de cuia na mão, no chão bem sentado (BIS)”

 

E para terminar, antes que o mar vire sertão e o sertão vire mar, deixo com vocês este emocionante vídeo postado por um usuário do YouTube que assina como ACampos71. Assim, ele descreve a 1ª vez que a filha viu o mar:

 

Foi emocionante ver aqueles pezinhos na areia sem ter medo daquele mundão de água. Ela amou e nós ficamos como dois bobos vendo aquele amor à primeira vista.

 

Sobre garupas, capacetes, máscaras e outros acessórios

Lembro que, muitos carnavais atrás, proibiram os foliões de minha terra natal de cobrirem seus rostos com fantasias, quaisquer que fossem elas.

 

É que estava rolando uma onda de crimes praticados por oportunistas bandidos mascarados e alguém achou por bem condenar todo e qualquer papangu de novena ou pierrot apaixonado que desse as caras nas ruas da cidade.

 

Foi a primeira vez que tomei conhecimento de medidas com vocação para remendo, para usar o palavreado de certo José.

 

A última que tive notícia foi esta: Governador quer proibir carona em motos no Rio como medida para diminuir assaltos.

 

Diz que deu certo na Colômbia.

 

Sei não...

 

Passo a palavra para Arthur Xexéo, no excelente artigo Uma cidade sem caronas nas motocicletas (O Globo, Segundo Caderno. 9 de janeiro de 2008):

 

“Que tal? Se não der certo, talvez o governador passe a proibir as motocicletas. Ou, melhor ainda, ele pode proibir que as vítimas saiam de casa. Assim, se não houver gente para ser roubada, os ladrões talvez passem a roubar outros ladrões. Com o tempo, os ladrões se exterminarão entre si, e, aí sim, todos nós poderemos voltar às ruas com nossas bolsas a tiracolo”.

 

Agora querem proibir as caronas, mas já quiseram proibir os capacetes. Quem me disse foi a instrutora da auto-escola, na aula para renovação da carteira. Segundo ela, em muitas cidades do interior, os prefeitos proíbem o uso do capacete, alegando que criminosos escondem-se atrás do objeto, ao praticarem seus crimes.

 

De acordo com a professora, a medida é inconstitucional e fere o direito de o motorista andar com segurança, já que o capacete é uma ferramenta que pode salvar a vida da pessoa. Ela contou o caso de um motoqueiro que foi abordado pelos guardas de trânsito, que lhe ordenaram a tirar o capacete. Ciente de seus direitos, ele negou-se.

 

E ainda perguntou: Se eu sofrer um acidente e morrer, a prefeitura vai ao menos pagar o meu enterro?

 

Eles não quiseram conversa. Diante da insistência do rapaz em desobedecer a ordem, levaram-no até a delegacia. O caso foi parar na justiça, que deu ganho de causa ao motoqueiro. Ainda bem!

 

Mas já que propuseram proibir as caronas, os capacetes, e até as máscaras de carnaval, eu tenho uma idéia melhor ainda.

 

Por que também não proíbem o terno e a gravata?

 

Afinal, está cheio de ladrão por aí, camuflado com estas vestimentas. É só o que tem. Basta dar um pulinho lá no...

Sobre o encontro de você com você mesmo, em idades diferentes

Talvez, numa realidade paralela, eu já tenha bebido Sollys, novo preparado de soja da Nestlé.

 

Quem sabe isto já tenha se passado num futuro não muito distante, desprezando-se as contradições lógicas decorrentes desta afirmação.

 

O fato é que não me lembro do sabor da bebida, obviamente por não tê-la provado no período compreendido entre hoje e o meu nascimento. Pode ser bom. Pode ser ruim. Não faço a mínima idéia.

 

Mas que a propaganda que fizeram para divulgar o lançamento do produto é uma das melhores peças publicitárias dos últimos anos, isto é. Fenomenal!

 

Você não viu? Pois veja agora:



Pois é, amigos. O encontro entre os duplos mais velho e mais jovem na noite de reveillon foi muito bem produzido. O mais velho tenta amenizar a ansiedade do mais novo, consolando-o com frases apaziguadoras. A grande ironia de tudo é que o mais velho não estaria em tal situação se o mais novo não tivesse passado por aquilo.

 

“Você vai ter muito orgulho da sua trajetória. E uma baita vergonha dessa barbichinha”, diz ele para ele mesmo.

 

Mas, vem cá. Me conta uma coisa. O que você diria para si mesmo, sendo você mais velho e seu outro “eu” mais jovem? E o que você acha que seu outro “eu” mais velho diria para você?

 

O tema já foi usado com genialidade por Jorge Luís Borges, no conto O Outro, que integra a obra O livro de areia. Nele, o protagonista mais velho inicia uma conversa com sua versão mais nova. No início, o velho precisa convencer o jovem de que realmente ambos são a mesma pessoa.

 

Convenhamos de que não é uma tarefa fácil de realizar. Ele apelou para a inteligência, mas os argumentos do jovem eram igualmente inteligentes, visto que eram a mesma pessoa. Então ele aproveitou-se de sua condição privilegiada, já que se lembrava de situações que estariam sendo vividas pelo mais jovem. Era só tirar a prova.

 

Mas o rapaz não se deu por vencido. Jogou uma questão realmente intrigante. Se ambos eram a mesma pessoa, porque motivo o velho não teve uma sensação de dejavú ao iniciar o encontro? Afinal, se o jovem participou do encontro, deveria ainda lembrar-se dele quando atingisse a mesma idade do mais velho. Mas isto não aconteceu, o que é uma contradição lógica.

 

Aí é onde entra o papel do esquecimento, parceiro fiel da memória. Mas este já é assunto para outro post. Por ora, ando tentando me lembrar do sabor de uma bebida de soja de que nunca bebi...

 

Ei, Thiago, você aí, pode me dizer se Sollys é bom?

 

 


Extra!

Notícia de mentirinha:


Idoso compra carro mais barato do mundo, Tata Nano, com crédito consignado para aposentado. Insatisfeito com os investimentos da prefeitura no município, que já corre sérios riscos de abrigar a febre amarela, ele já planeja aderir ao boicote ao IPTU. A mulher reclama do aumento do feijão com arroz, enquanto o neto alerta para a possibilidade de racionamento de energia.

Hit-brega do Playmobil no YouTube

Franklin Roosevelt tem um forte apache do Playmobil. Você também tem um?

 

Ele também é um dos integrantes da banda mais brega da Via Láctea e arredores, a Belina Mamão, na qual desempenha o papel de France Lee Flores.

 

Assim como eu, Franklin também é um nostálgico dos anos 80. Você também não é?

 

Pois veja só a versão que ele fez da música "Sorry, Blame it on me", de "Akon". E ria bastante lembrando destes brinquedinhos que são a cara da sua infância. Vídeo mais brega do que esse é difícil. Muito massa! Não perca!



Playmobil
"Sorry, Blame it on me" Akon (versão: Franklin Roosevelt)


A vida tá passando, com muito mais responsabilidade. Mas as pessoas têm seus vícios e isso acaba atrapalhando o relacionamento.
Então eu peço desculpas pelos meus erros
Mas você precisa voltar pra mim
Só precisa aceitar uma condição......


Me desculpe mas quando se foi
Separando o feijão do arroz
Me desculpe mas eu também vou
onde você tá eu também tô
Você sabe que não é bem assim
É só discutir e fugir de mim
Me desculpe esse é meu jeito
Me desculpe pelo desrespeito
Me desculpe pela discussão
Me desculpe pelo palavrão
Me desculpe eu sei que eu errei
Me dê uma chance outra vez
Não vou insistir nem chatear você
Me desculpe se eu deixei de fazer
Alguma coisa que você mandou
que fiz a cara de quem não gostou
Eu até entendo não tem nem problema
Posso até parar de fazer meus esquema
Mas não vou conseguir viver com essa dor
Que tá no meu peito que você deixou 
 
Só lhe peço uma coisa, é segredo
Não mexa na coleção dos meus brinquedos
E pra tu não reclamar mais nem um piu
Deixo você brincar com meus playmobil
cê pode brincar com os playmobil
Tenho o forte apache do playmobil
cê pode brincar com o playmobil
Tu pode ficar com os playmobil (2X)
Me desculpe mas outros bonecos
Você não pode chegar nem perto
No quebra cabeça tu não vai mexer
Nem no meu autorama do piquet
Esqueça meu genius e meu aquaplay
Não toque no atari nem no Odissey
Não pegue no Falcon da escrivaninha
Nem mexe no meu álbum de figurinhas
Me desculpe se eu tô se tornando um chato
Não quero ver os meus patins no seu sapato
Me desculpe por que me tornei assim
É que meus brinquedos é tudo pra mim
Me desculpe por não emprestar o WAR
Me desculpe mas não pegue a mobilete
Me desculpe mas no meu pega vareta
Tu não pega e nem mexe nas fofolete
Eu até entendo sua situação
De querer o meu comandos em ação
Mas se tu perder uma peça sequer
Vou trocar você por uma outra mulher
 
Só lhe peço uma coisa e faça segredo
Não mexa na coleção dos meus brinquedos
E pra tu não reclamar mais nem um piu
Deixo você brincar com meus playmobil
Tu pode brincar com o playmobil
Tenho o forte apache do playmobil
Cê pode ficar com o playmobil
Pode brincar com o playmobil (2X)
Me desculpe mas meu jogo de botão
Tu não vai jogar com ele no estrelão
Não pode a she-ra., não pode He-Man
Tu não vai escutar nem meu walkman
Me desculpe por não lhe deixar usar
Meu divertirama e o bambolê
Tenho brinquedo raro que ninguém mais acha
Ta tudo guardado e lacrado na caixa
Me desculpe não mexa no fliperama
E nem pegue minha banana de pijama
Poxa, Me desculpe eu sei que isso dói
Mas você num anda na minha caloi
Me desculpe mas tudo o povo inventa
E eu sou viciado nos anos oitenta
Mexer meus brinquedos, onde já se viu
Ta, eu só libero o meus playmobil
Tu pode brincar com o playmobil
Tenho o forte apache playmobil
Cê pode ficar com o playmobil
Pode brincar com o playmobil (2X)

Estou na página principal do Uol!

Ontem, meu post Sobre golpes de celular foi linkado na página principal do Uol! Vejam na imagem o post com a setinha vermelha. Não é demais?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Há algum tempo, eu já faço parte do time de blogs convidados do Uol. Mas eles sempre linkavam os posts numa página interna do portal, chamada Uol Blog. Agora, começaram a divulgar os blogs convidados na página principal, que tem uma audiência infinitamente superior.

 

Para se ter uma idéia, meu blog vinha com uma média de 60 acessos por dia. E somente de ontem para hoje, o Googel Analytics já registrou mais de 2.000 acessos nos Contos Bregas. E o que é melhor, são acessos vindos de várias partes do mundo. Veja só no gráfico do Google Analytics:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E eu não sabia que tinha tanta gente assim que considera o celular um instrumento que escraviza as pessoas. Vejam só este comentário, que considerei exemplar:

 

[Marcia]
Ganhei um celular da minha irmã e usei por 2 meses. isso já faz 4 anos. Guardei e não sinto falta. Quem quiser falar comigo sabe onde me encontrar, como antigamente. não fico ansiosa, não tenho que pagar contas absurdas, não recebo trotes, não sou roubada, etc...

 

O contra-ponto veio do Eduardo, que disse o seguinte:

 

[eduardo]
Todo mundo viva bem sem celular? Lógico. Assim como todo mundo vivia bem sem TV, sem Carro, sem eletricidade. O celular é assim como varias outras coisas um aparelho chegou e se torm=nou indispensavel.

 

Mas veja bem, em nenhum momento eu preguei que nós devamos parar de usar o celular. Eu mesmo admiti que uso muito o aparelho e não tenho número fixo. Apenas observei que esta tecnologia trouxe inúmeros inconvenientes que não existiam no tempo em que o celular era apenas tema de ficção científica e povoava os capítulos do seriado “Jornada nas Estrelas”, nas mãos do senhor Spock e companhia.

 

É como resumiu minha amada esposa Renata:

 

[Renata]
É uma "arma" indispensável neste século, mas é preciso ler o manual antes para não cair nessas armadilhas.

 

E entenda-se “manual” de forma mais abrangente e metafórica. São maneiras de evitar os inconvenientes que trazem toda nova tecnologia, deixando apenas espaço para os inúmeros benefícios que elas também nos trazem.

 

É isso!

Sobre golpes de celular

Eu sou do tempo do “tijolão” da Motorola. Aquilo é que era celular. Ligava e recebia!

 

E ainda era mais difícil de perder. E ainda agüentava uma queda...

 

Mas bom mesmo era no tempo em que não havia celular. Confesso que, dito por mim, esta colocação pode soar incoerente, pois não tenho telefone fixo e uso muito o celular.

 

Mas deixe-me explicar as coisas: apesar de o aparelho proporcionar inúmeras vantagens, não consigo deixar de pensar que antigamente, quando só havia telefones fixos, ninguém morria por conta disso. Reconheça: todo mundo vivia muito bem sem celular.

 

Hoje, as coisas mudaram muito. Ter um celular é quase uma obrigação. O sujeito que não tem sofre preconceito. A grande verdade é que abdicar do celular por vontade própria é um ato de extrema rebeldia. Fere muitíssimos interesses, pode acreditar.

 

E o celular ganhou tantas funções que já não se pode dizer que se trata de mero aparelho de telefones móvel. É um computador portátil. É um comunicador pessoal. É uma arma!

 

Ops! Arma? Isso mesmo que você ouviu: ARMA! Uma arma muito poderosa.

 

Os criminosos já perceberam isso e articulam a entrada do aparelho nas penitenciárias, com o mesmo empenho com que buscam facas, drogas e canivetes.

 

Diretamente de suas celas, eles promovem todo tipo de golpe via celular que se possa imaginar. Eles são muito criativos. Esta semana um conhecido meu recebeu uma ligação de uma pessoa que se apresentou como funcionário de uma operadora e informando que ele teria ganhado vários prêmios de uma promoção (televisão de plasma, aparelhos celulares, dinheiro). Para receber os prêmios, ele deveria comprar um cartão da operadora e digitar um código que, na verdade, apenas transfere os créditos de um telefone para outro.

 

É o famoso golpe do cartão do celular. Procurei na Internet e achei um caso no qual uma mulher chegou a comprar dez cartões de celular e transferir todos os créditos para o telefone do ladrão, tendo um prejuízo de R$ 150,00.

 

Isto sem falar nos falsos seqüestros por telefone, que andam enganando muita gente por aí. Tem muita gente querendo ganhar dinheiro fácil, a custa da boa fé alheia. Não seja ingênuo!

 

Dá só uma olhadinha neste Monitor das Fraudes e veja a quantidade de golpes que andam aplicando por aí.

Manual do Campo Minado – Parte I

Você já não tem mais paciência para jogar Paciência no computador?

 

Não? Então por que não tenta a sorte no Campo Minado? Isso mesmo, aquele joguinho pequeno cheio de quadradinhos que você sempre achou meio besta porque nunca conseguia vencer.

 

Acredite, além de ser muito fácil de jogar, o Campo Minado ainda é um jogo viciante. Depois que você pegar a manha, não vai querer largar mais. Eu garanto!

 

E para ajudar você a se tornar um campeão neste divertido jogo, eu resolvi escrever um detalhado Manual do Campo Minado, que dividirei em vários posts neste blog. Dessa vez eu me superei, né? Tem coisa mais brega do que fazer manual de joguinho de computador? Ehehehe.

 

Mas vamos lá. O objetivo deste excelente jogo de astúcia e raciocínio lógico é clicar em todos os quadradinhos que não escondam bombas. Se você clicar num quadrado com bomba, ela explode na hora e você perde o jogo. É, amigos... O nome já diz tudo. É um verdadeiro campo minado.

 

Em outras palavras, é como andar pisando em ovos.

 

No modo principiante, por exemplo, há 81 quadradinhos. De todos eles, apenas 10 escondem bombas. Praticamente, uma bomba para cada 8 quadrados.

 

Vamos às regras do jogo, então?

 

Primeiro, algumas dicas. Comece clicando com o botão esquerdo do mouse em qualquer quadrado que não esteja nas bordas do campo. Prefira os quadrados do “interior”, por uma questão de probabilidade.

 

Explico: cada quadrado do “interior” é rodeado por outros 8 quadrados, enquanto quase todos da borda, por apenas 5. Portanto, se há menos quadrados em sua volta, há mais chances de você “acertar” numa bomba. A pior opção são os quadrados das pontas, ou das “esquinas”, pois eles são rodeados por apenas outros três.

 

Isto é muito proveitoso, pois, embora haja quem não acredite, é possível, sim, encontrar uma bomba logo no primeiro clique!

 

Então, vamos lá. Por trás de cada quadrado, há uma bomba, um número, ou coisa nenhuma.

 

Se houver uma bomba, fim de jogo. Neste caso, a carinha amarela que se encontra no centro superior do campo ficará tristinha, com a boca voltada para baixo e os olhos fechados. Coitadinha, né?

 

Se houver um número, ótimo. Ele indica a quantidade de bombas que estão nos quadrados ao redor daquele que você clicou. A partir dos números, você pode começar a fazer operações lógicas para adivinhar quais são os quadrados que têm bombas e os que não têm.

 

Se você clicou num quadrado do interior e apareceu o número 5, por exemplo, isto quer dizer que, nos outros oito quadrados ao redor, cinco são bombas e três não são.

 

Quantos mais números aparecerem, mais você terá subsídios para adivinhar as bombas. Se um número não for suficiente para lhe dar certeza, combine-o com outro número próximo, que esta certeza ficará mais fácil de ser atingida.

 

Há também a possibilidade de não haver nada por trás de um quadrado. Geralmente, quando isto acontece, o jogo desvira automaticamente os outros quadrados vazios que estão próximos. Sorte sua!

 

Pronto. Você já está apto a jogar. Comece agora mesmo. E depois me diga o que achou dos óculos escuros da carinha amarela do meio do placar...

 

E leia a próxima parte do manual, logo abaixo, neste mesmo brega-blog!

Veja mais em..
- Manual do Campo Minado – Parte II
- Manual do Campo Minado – Parte Final

Manual do Campo Minado – Parte II

Na parte I desta Manual do Campo Minado, você aprendeu as principais regras do jogo. Agora você já sabe como revirar os quadrados e usar os números para evitar as minas.

 

Este jogo é um exercício muito saudável para sua mente. Na medida em que você for combinando números para identificar as bombas, você estará fazendo operações lógicas complexas sem ao menos se dar conta.

 

Percebi-me disto quando ainda não sabia jogar direito e via minha irmã, que já era fera no jogo, desvirando segura e tranqüilamente um quadrado que eu ingenuamente considerava suspeito.

 

“Mas como você sabia que não tinha uma bomba ali? Como?!?!?”, eu perguntava admirado.

 

E ela simplesmente me respondia com um sorriso amarelo: “Sabendo...”.

 

Mas vamos ao que interessa. Muitas vezes você identifica uma bomba, mas lá pelas tantas esquece, já que todos os quadrados são iguais. O que fazer para evitar isto?

 

Veja bem. Se você tem certeza que há uma bomba por ali, clique uma vez com o botão direito do mouse por cima do quadrado. Vai aparecer uma bandeirinha vermelha para indicar a presença da bomba. Se você suspeita, mas não tem certeza, clique duas vezes com o botão direito. Vai aparecer um ponto de interrogação.

 

Se você mudou de idéia acerca da sua certeza ou de sua suspeita, é só clicar mais uma vez sobre o quadrado marcado, que tanto a bandeirinha quanto a interrogação desaparecerão.

 

Agora uma dica fenomenal! Se você já marcou corretamente com a bandeirinha vermelha todas as minas que determinado número indica, é só clicar naquele mesmo número, com os dois botões do mouse, ao mesmo tempo, simultaneamente.

 

Sabe o que vai acontecer? Os quadrados adjacentes que não foram marcados serão desvirados automaticamente. Na é uma moleza? Dessa forma, você ganha tempo, evitando clicar em cada quadrado, um por um.

 

Mas cuidado! Se você marcar uma bandeirinha num quadrado sem bomba e depois clicar nos dois botões ao mesmo tempo, certamente haverá uma bomba nos quadrados adjacentes que forem desvirados automaticamente. Aí você dança! Portanto, só marque a bandeirinha vermelha quando tiver certeza de que ali há uma bomba. Caso contrário, marque apenas a interrogação.

Veja mais em...
- Manual do Campo Minado – Parte I

- Manual do Campo Minado – Parte Final

Manual do Campo Minado - Parte Final

Depois de ler as duas primeiras partes deste Manual, e praticar bastante, tenho certeza que você já está ficando fera no jogo.

 

Em breve, você não ficará satisfeito apenas em vencer o jogo, mas de fazê-lo no menor tempo possível. E você é tão insaciável que rapidamente abusará dos seus recordes de tempo.

 

Então você vai passar do modo Principiante, para o Intermediário e então para o Especialista. Que chique...

 

Nesta fase, você estará mais interessado em vencer com o maior número de minas. E tem como mudar o número de minas? Tem, sim! Vá na aba Jogo e selecione a opção Personalizar. Nela, você poderá escolher a largura, a altura e o número de minas.

 

Continue praticando. Mas cuidado! Não exagere muito. Você poderá se viciar. Tem gente que depois de passar horas jogando começa a ver minas e quadradinhos e fica jogando no pensamento. Algumas pessoas chegam até a sonhar com o jogo. Já houve casos, mais graves, de pessoas que foram demitidas de seus empregos por passarem mais tempo jogando que trabalhando. Haja paciência...

 

Então já que você está fera, que tal aprender um pouco a identificar padrões comuns nas seqüências de números. Segundo a aba Ajuda do próprio Campo Minado, por exemplo, “o padrão 2-3-2 na borda de um grupo de quadrados não revelados indica uma linha de três minas ao lado dos três números”.

 

Aí vai uma dica mais simples. O padrão 1-1 indica que todos os outros quadrados adjacentes àqueles dois não possuem bombas. Se isto não fosse verdade, o número 1 indicaria duas bombas, o que é falso e se configuraria como um erro do jogo.

 

Quer mais? Então lá vai. O padrão 1-2-1 indica duas minas nas extremidades e nenhuma no centro. Se houvesse uma mina no centro e outra numa das extremidades também ocorreria o erro do 1 indicar duas bombas. Portanto, quando vir este padrão, saiba que amina nunca estará no meio.

 

Você já descobriu outro padrão comum? Deixe sua dica nos comentários!

 

É, amigos. Acredito que todo jogo contém uma lição de vida. O Campo Minado nos ensina a sermos prudentes. Para alguns filósofos, a prudência é uma das principais virtudes do ser humano.

 

Quem deseja se tornar um fera no Campo Minado deve ser muito prudente. Não agir nunca por impulso. Analisar cada quadrado cuidadosamente. Se você está tentado a “chutar” um quadrado, tenha paciência. Pense mais um pouco e você descubrirá que a solução estava na sua cara e você não viu.

 

Quando o chute for inevitável, ainda assim chute com lógica, no quadrado onde julgar menos provável haver uma bomba. E quando não for mais possível usar da lógica matemática, só então apele para a sua intuição.

 

Converse com outros jogadores e troque idéias. Uma boa pedida é entrar para a comunidade do Campo Minado no Orkut.

 

Foi lá que eu encontrei o endereço de Campo Minado – O Filme, que você pode conferir aí na telinha do Youtube logo abaixo. Gostou? Então ta esperando o quê? Vai lá e junte-se aos mais de 4 mil membros da comunidade.



Veja mais em...
- Manual do Campo Minado - Parte I
- Manual do Campo Minado - Parte II

Sobre a vingança do Jeremias Muito Louco

Talvez isto soe politicamente incorreto, mas os bêbados, ao menos uma parte deles, são grandes figuras. Coloque-os ao lado dos loucos, dos poetas e dos palhaços, e forme quartetos no mínimo intrigantes.

 

(Quero deixar claro que “ser uma grande figura” não significa necessariamente estar certo sobre nada).

 

Em 2005, um programa policial entrevistou um cara que viria a se tornar o bêbado mais conhecido do Brasil: Jeremias José do Nascimento. Na delegacia, embriagado, ele soltou a famosa frase: “o cão foi quem botou pa nós beber”.

 

Corajoso, como costumam ficar os adeptos do álcool, ameaçou o delegado. E, a pedido do repórter, cantarolou um trecho de um velho sucesso de Ovelha, cujos versos dizem “sem você não viverei”.

 

Alguém, não digo que foi o cão, botou a reportagem no YouTube, transformando-a num dos vídeos mais virais do País. E outro alguém, também não digo que foi o cão, convenceu “o caba” a entrar na justiça contra dez empresas de comunicação.

 

O que eu acho disso tudo?

 

Acho, sim, que a matéria explora e humilha a imagem de Jeremias. Ele foi, sim, usado por jornalistas para simplesmente aumentar a audiência. Se você discorda disso, pense como se sentiria se, ao invés dele, fosse você dando aquela entrevista.

 

(Outra pergunta: por que não fazem uma matéria destas com um bebum ricaço da high society?)

 

Por outro lado, particularmente, não achei que ele se humilhou. Veja bem o que estou dizendo: EU não o considerei humilhado. Isto quer dizer que EU não formei uma imagem negativa dele porque ele deu aquela entrevista naquelas condições. Outras pessoas podem ter interpretado assim, mas eu não. Diante de mim, para o meu juízo, e falo somente por mim, ele não perdeu dignidade por isso. Ficou claro?

 

Por último, repasso para vocês esta indagação de Sandro Fortunato: O Jeremias ficou realmente sóbrio, “Ou só está sendo SUPOSTAMENTE usado por advogados como foi SUPOSTAMENTE usado pelo jornalista (??!)”.

 

Sei não... Mas, não sei porque, o caso me lembrou vagamente disto aqui.

Sobre anos velhos, novos e outras ilusões

A primeira passagem de ano de que tenho lembrança foi lá pelos anos 80. Alguém me falou do ano velho como se fosse uma pessoa que partia para uma longa viagem.

 

Criança, acreditei naquilo e imaginei um ano velho de barbas longas e semblante triste, partindo para uma terra encantada nos confins do mundo. Nostálgico, devo inclusive ter perguntado para alguém se o Ano Velho (agora com iniciais maiúsculas) não voltava mais.

 

Minha imaginação de criança, contudo, não difere muito do entendimento da maioria das pessoas, sejam elas de quais idades forem. Se não chegam a ver os anos como pessoas, tratam-nos como entidades autônomas, como se tivessem consistência ou mesmo consciência.

 

O reveillon é a prova cabal da ilusão do tempo personificado. Digo ilusão, pois já que não podemos atingir nem muito menos compreender a infinitude do tempo, podemos muito bem dividi-lo em partes estanques, com início, meio e fim.

 

Não poderia haver melhor exemplo de auto-engano, conforme atesta Patrício Jr.:

 

“(...) um ano, essa coisa de 365 dias, que termina em fogos e desejos e novas velhas promessas, é apenas uma convenção. E eu aprendi isso já aos 9 anos, estudando geografia, todo mundo deve ter passado por essa desilusão. Desde então, sempre me neguei a sentir qualquer tipo de sentimento por um ano específico. Anos são apenas convenções. Até 2007”. Leia mais

 

Uma convenção que nos dá esta inútil ilusão de que podemos controlar o tempo, como bem disse Gabriel Ramalho, às vésperas do ano novo:

 

Faltam 50 minutos para aquele momento em que todo mundo acha que tudo muda quando, na verdade, é só mais um dia. Mais um momento pra se tentar jogar pra baixo do tapete o que não funcionou antes, muito embora o excesso de sujeira embaixo só sirva pra estufar, desnivelar, e tirar da frente das fuças seja só um paliativo pro que se insiste em fugir de encarar. Leia mais

 

E para terminar, passo a palavra para o poeta Carlos Drummond de Andrade. Veja o vídeo e acompanhe a letra.



Cortar o Tempo

Carlos Drummond de Andrade


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número
e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


QUEM SOU EU

Jornalista,escritor, bancário, potiguar, 29 anos

Meus Livros


    Visitante número: